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De Bruyne brilha, Godts encanta: a Bélgica está de volta?

Os jogadores belgas dirigem-se aos adeptos para os saudar no Olímpico
Os jogadores belgas dirigem-se aos adeptos para os saudar no OlímpicoREUTERS/Ciro De Luca

Com Mark Van Bommel no comando, a Bélgica teve um início muito promissor na sua campanha na Liga das Nações. A vitória no Olímpico, o primeiro triunfo oficial dos Diabos Vermelhos em Itália, revelou talento e deixou no ar esperança para o futuro próximo.

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O Saque de Roma permanece gravado na história como um dos episódios mais dramáticos da história italiana. Em 1527, a Cidade Eterna foi invadida, devastada e saqueada durante quase um ano por um exército de mercenários que não recebiam o seu pagamento e procuravam vingança contra o Papa Clemente VII. Quase 500 anos mais tarde, Kevin De Bruyne e companhia protagonizaram um feito desportivo semelhante.

A Bélgica venceu por 0-2 no terreno de uma Itália que continua a parecer atordoada por mais um fracasso na qualificação para o Mundial. Na realidade, porém, foram as qualidades dos Diabos Vermelhos que fizeram a diferença na sexta-feira. No Olímpico, o orgulho da capital italiana, a Bélgica rasgou o relvado com contra-ataques letais e movimentos ofensivos muito mais dinâmicos e eficazes. O seu jogador mais brilhante também assumiu o protagonismo. Aos 35 anos, recordou a todos a influência que pode ter quando lhe são dadas as condições para a demonstrar.

De Bruyne ainda pode comandar o jogo

Calma. Timing. Precisão. Estas foram as três qualidades exibidas na perfeição pelo médio belga em Roma, onde ditou o ritmo a partir da posição de médio-ofensivo central. Mas não foi tudo. O médio do Nápoles impôs-se em todos os duelos físicos, incluindo contra Sandro Tonali, muito mais jovem e conhecido precisamente pela sua força nos duelos pelo chão.

De Bruyne também fez uma incursão na área adversária que terminou com um cabeceamento central. Apresentou a sua melhor exibição dos últimos dois anos.

O médio, nascido em 1991, liderou o meio-campo dos Diabos Vermelhos com a classe habitual, impondo o ritmo e revelando uma precisão de passe quase cirúrgica (30 passes completos em 31 tentativas, ou 96,8%). O momento-chave da sua exibição surgiu aos 20 minutos. De Bruyne recuperou uma bola solta no meio-campo italiano e, com a visão de jogo que lhe é habitual, descobriu Mika Godts com um passe de medida perfeita. O jovem haveria de marcar o primeiro golo.

No geral, o camisola sete belga pareceu tão inspirado como nos seus melhores tempos. Controlos de primeira quando eram necessários e arrancadas com bola sempre que se impunha. A precisão na definição dos passes continua a fazer dele um dos melhores criadores de jogo do mundo.

Foram 60 minutos soberbos de De Bruyne, refletidos na classificação de 8,7 atribuída pelo Flashscore, a mais alta de qualquer jogador em campo. Sob o comando de Antonio Conte e Massimiliano Allegri em Itália, nunca lhe foi dada a liberdade para criar como queria.

Sob a orientação de Van Bommel, parece ter reencontrado o prazer de criar.

Drible e criatividade

A humilhante e embaraçosa arrancada individual com que Godts inaugurou o marcador, deixando Gianluca Mancini e Diego Coppola para trás antes de bater Donnarumma, foi o momento que melhor resumiu a exibição de sexta-feira.

O extremo do Paris Saint-Germain está a justificar o enorme investimento feito pelo clube francês para o contratar ao Ajax. Natural de Tienen, é agora um dos melhores jogadores do mundo a driblar em velocidade. Está também a subir gradualmente na hierarquia do campeão europeu.

Ao defrontarem hoje a França, os Diabos Vermelhos sabem que têm jogadores em ambas as alas capazes de criar superioridade numérica. O contraponto de Godts é Diego Moreira, que já está a deixar a sua marca no AC Milan, embora ainda não seja titular indiscutível. Lançado a partir do banco, ajudou os Rossoneri a darem a volta ao resultado contra a Lazio, com dois golos em cinco minutos no Olímpico.

Duas semanas depois, voltou ao mesmo estádio e voltou a exibir a sua capacidade inata para ultrapassar um adversário. Mesmo que Dodi Lukebakio possa substituí-lo frente aos Bleus, a sua presença ao lado de Jeremy Doku e Godts confirma a tendência da Bélgica para produzir jogadores capazes de desafiar os adversários no um contra um.

Mika Godts a driblar
Mika Godts a driblarREUTERS/Ciro De Luca

Com alguns jogadores dotados de uma velocidade vertiginosa e da capacidade para manter a bola longe dos adversários, e outros capazes de assegurar uma excelente cobertura defensiva em todo o relvado, os Diabos Vermelhos, eliminados nos quartos de final do Mundial, parecem estar a dar início a uma nova "geração de ouro".

Godts pode tornar-se o novo Hazard, enquanto De Ketelaere está a evoluir na posição de falso nove, embora nunca possa igualar a presença física de Romelu Lukaku. Com De Bruyne e Courtois como pilares, a Bélgica volta a afirmar-se como o fator-surpresa da Europa. Terá finalmente chegado o momento da verdadeira redenção?

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