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Donativo de Mbappé: Responsável pela segurança constituído arguido e proibido de entrar em Clairefontaine

Kylian Mbappé, capitão da seleção francesa
Kylian Mbappé, capitão da seleção francesaEDUARDO CARMIM / PHOTO PREMIUM / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Primeira pedra no sapato de Zinédine Zidane: o responsável pela segurança dos Bleus foi constituído arguido por corrupção e colocado sob controlo judicial no caso do donativo de Kylian Mbappé, impedindo o antigo polícia de se apresentar na segunda-feira, no estágio da seleção francesa.

Mohamed Sanhadji, responsável logístico e de segurança da equipa de França, foi constituído arguido na quarta-feira em Paris, nomeadamente por corrupção de pessoa detentora de autoridade pública, segundo o Ministério Público.

Como revelou o jornal L'Équipe, o seu controlo judicial proíbe-o, "salvo autorização expressa" do juiz de instrução, de se apresentar "na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF), no centro de treinos de Clairefontaine, no Stade de France e no Parc des Princes", confirmou o Ministério Público.

Mohamed Sanhadji, peça fundamental nos bastidores dos Bleus, não poderá assim exercer funções em Clairefontaine (Yvelines) na segunda-feira, dia em que começa o estágio da equipa de France, o primeiro sob o comando do novo selecionador Zinédine Zidane, para preparar quatro jogos da Liga das Nações.

"Isto é uma condenação à morte social", denunciou à AFP a defesa de Mohamed Sanhadji. "Estas condições impostas tornam materialmente impossível o seu trabalho", criticou Abdel Aïssou, que coordena a defesa, indicando ter recorrido deste controlo judicial.

"Donativo de uso" de 60.300 euros 

Esta constituição como arguido é a primeira pedra no caminho de Zinédine Zidane, que tinha decidido manter Mohamed Sanhadji na estrutura apesar dos seus problemas relacionados com um donativo de 60.300 euros da parte de Kylian Mbappé. Um montante proveniente do prémio do Mundial-2022 recebido pelo capitão dos Bleus.

Polícia responsável pela segurança da equipa de França de 2004 até dezembro de 2025, Mohamed Sanhadji foi obrigado a reformar-se antecipadamente da polícia nacional, sancionado após ter recebido este cheque avultado em 2023, sem ter informado a sua hierarquia.

Muito apreciado tanto pelos jogadores como pela Federação, foi depois recrutado diretamente pela FFF para acompanhar os Bleus ao Mundial este verão.

Este "donativo de uso" de 60.300 euros foi sinalizado por um banqueiro ao Tracfin, a célula de informação financeira de Bercy, em julho de 2024, desencadeando a abertura de um inquérito judicial por trabalho não declarado e branqueamento de fraude fiscal. Uma investigação judicial foi aberta em janeiro passado.

Sanhadji não pode contactar "os jogadores das seleções nacionais atuais e passadas", a equipa técnica atual da equipa de França, nem os selecionadores atuais e passados da equipa, segundo o Ministério Público.

O arguido também não pode contactar "os presidentes e funcionários, atuais e passados, da Federação Francesa de Futebol, os diretores e subdiretores da DCCRS (Direção Central das Companhias Republicanas de Segurança, nota do redator) desde 2011".

"Forçada" 

Além de uma caução de 80.000 euros, o seu controlo judicial impede-o de exercer funções na polícia nacional ou no setor do desporto profissional, mesmo para atividades remuneradas por um clube estrangeiro ou uma federação internacional.

Os juízes de instrução constituíram-no arguido a 16 de setembro por "receptação de desvio de fundos públicos", "corrupção ativa de pessoa detentora de autoridade pública", "tráfico de influência ativo sobre pessoa detentora de autoridade pública", "tráfico de influência passivo por pessoa detentora de autoridade pública", "tráfico de influência internacional passivo", "corrupção passiva por pessoa detentora de autoridade pública".

O arguido é também acusado de burla e branqueamento de fraude fiscal.

"É um processo forçado", com "pouca substância do ponto de vista jurídico", criticou este sábado a sua defesa.

"A Federação não comenta um processo judicial em curso, mas irá tirar as devidas consequências relativamente ao visado e constituir-se-á assistente", garantiu por sua vez à AFP uma fonte federativa.

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