Recorde as incidências da partida

Portugal entrou no Estádio António Coimbra da Mota de mãos dadas com o favoritismo. Não apenas pelo peso natural das quinas, mas também pelo percurso imaculado nesta fase de grupos da Liga das Nações: quatro jogos, quatro vitórias, 11 golos marcados e apenas um sofrido.
Frente à Letónia, no último encontro em casa desta caminhada, a equipa nacional tinha uma missão clara: confirmar em campo aquilo que a tabela já sugeria. E confirmou. Mas não sem antes deixar a sensação de que o jogo podia, e devia, ter ficado resolvido bem mais cedo.
Festival do desperdício
A primeira parte foi quase um exercício de paciência. Portugal dominou por completo, instalou-se no meio-campo adversário e foi acumulando oportunidades, mas esbarrou demasiadas vezes na falta de eficácia no último terço e numa Nesterova que foi adiando o inevitável.
Logo aos nove minutos, Kika Nazareth lançou Ana Capeta, mas a avançada da Juventus encontrou pela frente a muralha letã. A guarda-redes da Letónia respondeu com uma defesa segura e deixou o primeiro aviso: marcar não seria tão simples como dominar. Aos 18 minutos, novo momento de Kika, novo passe de excelência e nova oportunidade clara. Desta vez, Carolina Santiago apareceu na cara do golo, mas acertou em cheio no poste.

Portugal continuava claramente por cima. Dolores Silva tentou a sua sorte aos 27 minutos, mas atirou por cima. Pouco depois, Ana Capeta desperdiçou uma ocasião flagrante e, aos 34 minutos, voltou a ficar perto do golo. As oportunidades sucediam-se, os remates também, mas faltava frieza na hora de transformar o domínio em vantagem.
Até ao intervalo, ainda houve tempo para mais um momento de inspiração de Kika Nazareth, que quase marcou de canto direto, mas Nesterova voltou a brilhar e impediu o canto olímpico da camisola 7 portuguesa. Ao descanso, o nulo era demasiado curto para aquilo que Portugal tinha produzido.
Show de Kika
A diferença esteve no regresso dos balneários. Aquilo que não tinha sido possível concretizar no primeiro tempo apareceu, finalmente, com naturalidade na segunda parte. E bastaram oito minutos para Portugal construir uma vantagem sólida, justa e perfeitamente ajustada ao que se passava em campo.
Aos 47 minutos, Carolina Correia recuperou a bola numa fase em que a Letónia estava completamente balanceada para a frente. Depois, entrou em cena a arte de Kika Nazareth. A jogadora do Barcelona serviu Carolina Santiago, que fez o quarto golo com a camisola da seleção e abriu a torneira portuguesa.
Pouco depois, aos 53 minutos, Andreia Faria colocou a bola na esquerda, a estreante Nelly Rodrigues cruzou e Ana Capeta, depois de tanto procurar, apareceu finalmente para finalizar. Portugal passava de uma primeira parte de desperdício para uma segunda parte de eficácia e libertação.
Aos 58 minutos, Nelly Rodrigues esteve muito perto de colocar a cereja no topo do bolo, mas atirou à barra numa ocasião em que tinha tudo para marcar. Foi o aviso para aquilo que viria a seguir: aos 61 minutos, Kika Nazareth tirou um golaço da cartola. Dois minutos depois, Ana Capeta recuperou a bola, serviu a camisola 7 e Kika voltou a fazer magia, com mais um grande golo e mais um momento daqueles que explicam por que motivo é uma das jogadoras mais diferenciadas desta seleção.
A reta final trouxe ainda espaço para estreias e regressos. Nádia Bravo foi lançada para o primeiro jogo por Portugal e ficou perto do golo, num momento que podia ter tornado a noite ainda mais especial. Também Nádia Gomes voltou a vestir a camisola da seleção, oito anos depois da estreia em 2018, e ainda houve tempo para o golo da capitã Dolores Silva, de livre direto, aos 83 minutos.
Portugal foi claramente superior do primeiro ao último minuto. Pecou na finalização antes do intervalo, corrigiu depois e transformou a superioridade em golos. No fim, ficou a imagem de uma equipa que sabe mandar no jogo, que tem soluções, que tem presente e que continua a dar sinais de crescimento. E, acima de tudo, que tratou o favoritismo como ele deve ser tratado: dentro de campo.
Melhor em campo Flashscore: Kika Nazareth (Portugal)
