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Enquanto Erling Haaland e a Noruega surpreenderam o mundo com as suas exibições no Mundial, assim como com o famoso cântico viking sincronizado, a frustração e a inveja pela nova reputação da Noruega como potência emergente do futebol atingiram novos patamares na Dinamarca e na Suécia.
Historicamente, a Dinamarca considerou-se a si própria como os "brasileiros da Escandinávia" pelo seu estilo fluido e atrativo, organizado pelos irmãos Laudrup, e muitas vezes olhava de cima para o estilo mais direto da Noruega.
O orgulho em jogo na Escandinávia
No entanto, a realidade de 2026 mostra que o país com capital em Oslo conseguiu combinar o domínio físico com um futebol técnico de elite para reclamar oficialmente o orgulho do futebol escandinavo. O sucesso norueguês, a sua brilhante campanha de qualificação e os bons resultados no Mundial aumentaram a desilusão na Dinamarca por nem sequer ter conseguido qualificar-se para o prestigiado torneio.
Enquanto o Bodo/Glimt deu continuidade ao sucesso da época passada, em que chegou aos oitavos de final da Liga dos Campeões, conseguindo voltar a qualificar-se juntamente com o Viking FK, a Dinamarca teve de se contentar com o facto de quatro equipas terem chegado à fase de grupos da muito menos prestigiada Liga Conferência.

Ao mesmo tempo, a Noruega está pela primeira vez à frente da Dinamarca no ranking mundial da FIFA, ocupando o 19.º lugar, dois acima.
Isto levou treinadores e especialistas a debaterem se a Noruega ultrapassou realmente a Dinamarca como a nação número um do futebol escandinavo. O Flashscore consultou o diretor desportivo do Viking, Erik Nevland, que rejeita a análise de que a Noruega tenha ultrapassado a Dinamarca.
"Antes gozavam connosco"
"Não creio que se possa generalizar dessa forma", afirma Nevland ao Flashscore. "É preciso definir parâmetros para analisar em que sentido a Noruega ultrapassou a Dinamarca", acrescenta.
"Mas é verdade que, se recuarmos seis anos, os dinamarqueses riam-se de nós. Gozavam, chamavam-nos 'Fjeldaber' (um termo dinamarquês depreciativo para os noruegueses, que significa literalmente 'macacos da montanha') e gozam com o nosso estilo de futebol", refere ainda o citado Erik,
"Claro que agora a situação mudou e talvez a Dinamarca procure inspiração na Noruega. Mas também estou certo de que isto voltará a mudar; só esperamos conseguir manter este desenvolvimento durante algum tempo", comenta.
Há cerca de 15 anos, a Noruega iniciou um processo para reduzir o número de jogadores estrangeiros nas suas ligas nacionais e, em alternativa, apostar nas academias e dar oportunidades aos jovens noruegueses. Atualmente, mais de metade do plantel da principal divisão dinamarquesa é composta por estrangeiros, a Suécia surge em segundo com quase 44% de jogadores não suecos, e a Noruega tem a menor representação de estrangeiros, com cerca de 32%.
"Isto teve o efeito desejado", garante Nevland. "Na Suécia e na Dinamarca há muitos mais estrangeiros na liga do que na Noruega, e penso que isso beneficiará a nossa seleção durante muito tempo", indica.

Kenneth Cortsen, doutorado e especialista em negócio desportivo da UCN (University College of Northern Denmark), também afirma que não concorda com a afirmação de que a Noruega, de forma geral, tenha ultrapassado a Dinamarca e a Suécia.
"Não se pode isolar o desenvolvimento do futebol do tempo e do contexto, e o que vivemos agora é apenas um reflexo atual. É inegável que a Noruega deu passos de gigante; isso é evidente para todos. Mas há questões que levantam dúvidas sobre a generalização de que a Noruega seja, de repente, superior na Escandinávia", aponta.
"Apesar de o Bodo/Glimt ter vivido um boom financeiro sem precedentes graças a vendas históricas de jogadores e uma campanha de Champions League muito lucrativa, continua a operar com receitas estruturais mais baixas, uma massa salarial muito inferior e uma valorização total menor do que a do F.C. Midtjylland e do Copenhaga", assinala.
"A Noruega também opera sob a regra 50+1, o que significa que os clubes noruegueses não podem atrair os mesmos investidores que na Dinamarca e, no futuro, isso poderá representar um desafio para eles", destaca.
Futebol dinamarquês atravessa uma fase estagnada
Cortsen sublinha ainda que não se devem fazer generalizações sobre a superioridade da Noruega com base num desenvolvimento isolado: "O Bodo/Glimt tem sido a locomotiva do futebol de clubes norueguês, mas ainda temos de ver se outras equipas (além do Viking) conseguem seguir esse caminho, e também é preciso ter em conta quantos dos seus grandes resultados estão relacionados com jogar em relvado sintético", argumenta.
Por fim, Cortsen salienta que o futebol dinamarquês atravessa uma fase estagnada, em que a Dinamarca procura novas estrelas após Christian Eriksen e Kasper Schmeichel, enquanto os clubes lutam para corresponder ao seu potencial económico.

"A Dinamarca atualmente não tem um Erling Haaland nem um Martin Odegaard, e é difícil perceber quem poderá suceder às estrelas do Euro-2021. Além disso, a Dinamarca está a apresentar resultados abaixo do esperado nas competições europeias de clubes. Quando se tem um investidor como Anders Holch Poulsen no F.C. Midtjylland, as aspirações são maiores do que a Liga Conferência", afirma.
"O F.C. Midtjylland demonstrou no ano passado que podia competir com equipas da Premier League (Nottingham Forest) e o F.C. Copenhaga tem jogado repetidamente a Champions League, por isso, ainda que a Noruega tenha registado uma grande evolução nos últimos anos, a luta pela coroa do futebol escandinavo continua em aberto", conclui.
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