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Opinião: A Liga BPI está mais competitiva do que nunca e não é por acaso

Torreense é líder isolado na Liga Feminina
Torreense é líder isolado na Liga FemininaSCU Torreense, Flashscore

Gonçalo Alves, treinador português que lidera a equipa feminina do FC Metta, da Letónia, assina no Flashscore uma coluna de opinião publicada de três em três semanas. O técnico aborda sobretudo temas relacionados com o futebol feminino, sem deixar de analisar os assuntos mais relevantes da atualidade futebolística.

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Há momentos em que o futebol muda sem que nos apercebamos exatamente quando aconteceu.

Não existe um dia em que possamos dizer: foi aqui que tudo mudou. O crescimento de uma competição faz-se de pequenos passos, de investimento, de melhores condições e, sobretudo, de mais clubes capazes de competir. É por isso que acredito que a Liga BPI está, provavelmente, mais competitiva do que nunca.

Não melhoraram apenas as melhores equipas. Melhoraram cada vez mais equipas.

O equilíbrio começa fora do campo

Durante muitos anos, o futebol feminino português viveu de diferenças enormes. Havia clubes com condições próximas do profissionalismo e outros com estruturas reduzidas, poucos recursos e jogadoras que conciliavam o futebol com estudos ou trabalho. Essa realidade está a mudar.

O aumento do investimento da FPF e dos próprios clubes permite contratar, manter jogadoras, melhorar instalações e reforçar equipas técnicas. Mas, acima de tudo, permite aproximar contextos que, há poucos anos, estavam muito distantes.

Uma equipa feminina deixou de ser, em muitos clubes, um plantel, um treinador e pouco mais. Hoje é, cada vez mais, um departamento: preparação física, fisioterapia, medicina, análise, scouting e formação. Nem todos têm os mesmos recursos. Mas a distância está a diminuir. E quando as estruturas crescem, o jogo cresce.

A tabela classificativa da Liga Feminina
A tabela classificativa da Liga FemininaFlashscore

Uma jogadora encontra melhores condições para evoluir. Um treinador tem mais informação e mais apoio para trabalhar os detalhes. Uma equipa prepara melhor os jogos, controla melhor a recuperação e desenvolve mais talento.

Quando isto acontece em vários clubes ao mesmo tempo, o resultado aparece dentro do campo. 

Cada vez menos jogos estão decididos antes de começar

As classificações de há alguns anos mostravam uma distância muito grande entre os principais projetos e os restantes.

Nos últimos campeonatos, essa distância começou a diminuir. Benfica e Sporting continuam a ser referências, mas SC Braga, Torreense, Racing Power, Valadares, Vitória SC e Rio Ave têm ajudado a construir uma competição mais exigente.

Porque competitividade não significa que todas as equipas estejam ao mesmo nível.

Significa que cada vez menos jogos estão decididos antes de começar.

A chegada do FC Porto acrescenta outra dimensão. Um dos maiores clubes portugueses entrou na Liga BPI com uma estrutura profissional e um percurso de formação ligado à equipa principal. Isso altera o mapa competitivo. E aumenta a exigência para todos. 

Mas a mudança mais interessante não está apenas nos grandes.

O programa da 4.ª jornada da Liga Feminina
O programa da 4.ª jornada da Liga FemininaFlashscore

Depois de três jornadas, o Torreense lidera com nove pontos e nenhum golo sofrido. É um sinal de que existem mais clubes capazes de entrar na discussão, tirar pontos aos favoritos e criar dificuldades a qualquer adversário.

A consequência é simples: o valor de cada ponto aumenta.

O próximo passo é o profissionalismo

A Liga BPI está cada vez mais profissional, mas a profissionalização integral continua a ser um objetivo. Ainda há muito por resolver.

Diferenças entre clubes. Problemas de infraestruturas. Bancadas demasiado vazias. Contratos e condições de trabalho que precisam de maior estabilidade.

Não vale a pena romantizar.

Dizer que o campeonato está mais competitivo não significa dizer que já está onde deve estar. Significa reconhecer o caminho percorrido e perceber o que falta construir.

A verdadeira revolução é a aproximação

Durante muito tempo, a evolução do futebol feminino português foi medida através de uma pergunta:

“Quão perto estamos dos melhores?”

Hoje, deveríamos começar a fazer outra:

“Quantas equipas conseguem chegar perto dos melhores?”

Uma liga cresce verdadeiramente quando o crescimento deixa de estar concentrado em dois ou três clubes e começa a espalhar-se pelo campeonato.

Mais investimento. Mais profissionais. Mais formação. Mais exigência.

A tabela das melhores marcadoras da Liga Feminina
A tabela das melhores marcadoras da Liga FemininaFlashscore

E, finalmente, mais clubes a acreditarem que podem competir.

Talvez esta seja mesmo a Liga BPI mais competitiva de sempre. Porque nunca houve tantos projetos com capacidade para crescer e incomodar quem parecia inalcançável.

A Liga BPI já não está apenas a produzir uma ou duas grandes equipas. Está a produzir uma competição.

E isso é muito mais difícil de construir.

Agora, o desafio é transformar crescimento em competitividade, competitividade em sustentabilidade e sustentabilidade em profissionalismo.

Se este caminho continuar, a grande questão já não será saber se a Liga BPI pode tornar-se uma grande liga.

Será perceber até onde pode chegar.

Artigo de opinião da autoria de Gonçalo Alves
Artigo de opinião da autoria de Gonçalo AlvesFlashscore
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