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Sporting e Bodo/Glimt foram duas das surpresas da fase regular da Liga dos Campeões, embora por motivos distintos. A equipa de Rui Borges apurou-se nos oito primeiros e seguiu diretamente para os oitavos de final, ao contrário de outros tubarões como o Real Madrid ou o Paris Saint-Germain, que até foi derrotado em Alvalade.
Já o Bodo/Glimt teve de passar pelo play-off, mas tem vindo a surpreender com triunfos sobre o Manchester City e o Atlético Madrid, antes de eliminar o Inter de Milão com uma vitória inesperada em Itália.
Os últimos anos têm mostrado que os noruegueses são uma equipa quase imbatível a jogar em casa, por isso era fundamental que o Sporting regressasse a Lisboa com a eliminatória em aberto.
Se o 3-0 não é impossível de recuperar, pode dizer-se que há apenas uma janela de oportunidade para a equipa de Rui Borges. Mas como pode essa janela ser aberta? Neste artigo, o Flashscore aponta cinco aspetos que os leões têm de corrigir para conseguir o bilhete para os quartos de final.

Problemas na pressão
No final da partida na Noruega, a análise de jogadores e treinador do Sporting foi quase unânime: a equipa teve problemas na pressão.
Identificada uma das principais dificuldades que os leões encontraram neste jogo - e também noutros momentos da temporada - cabe agora à equipa técnica encontrar uma solução.
Ao longo da época, o Bodo/Glimt tem sido amplamente analisado e, por isso, não pode ser surpresa que Patrick Berg seja o cérebro da equipa do Círculo Polar Ártico.

Livre de amarras na primeira mão, o antigo médio do Lens fez o que quis e encontrou sempre espaço no meio-campo do Sporting. Rui Borges ainda procurou corrigir, colocando Trincão numa missão de maior sacrifício, mas a insistência do técnico leonino em atuar com apenas dois médios mesmo nas competições europeias acabou por custar caro.
Ainda assim, há boas notícias para o Sporting: os regressos dos castigados Maxi Araújo e Pedro Gonçalves podem ajudar a resolver este e outro problema que destacamos de seguida.

Inclinação para a direita
Passemos da defesa para o ataque. Em Bodo, o Sporting sentiu claras dificuldades para utilizar o lado esquerdo do ataque e só na segunda parte, com as entradas de Nuno Santos e Faye, esse corredor passou a ser utilizado com maior frequência.
A insistência em Geny Catamo e as fragilidades da dupla Fresneda e Luís Guilherme, que preferiam jogar do lado contrário, limitaram o Sporting tanto ofensiva como defensivamente, tornando os corredores laterais um alvo acessível para o conjunto nórdico.

Mais do que o regresso de Pedro Gonçalves, é a possível titularidade de Maxi Araújo que pode trazer esperança aos adeptos sportinguistas neste aspeto. O uruguaio tem capacidade para dominar todo o flanco e promete oferecer um caudal ofensivo superior ao que o Sporting mostrou na Noruega.
Além disso, a presença do esquerdino pode libertar Pedro Gonçalves para zonas mais interiores e, dessa forma, ajudar também a reduzir a influência de Patrick Berg.
Risco máximo, mas calculado
Apesar das valências do Bodo/Glimt, a equipa de Kjetil Knutsen também tem pontos fracos. Antes do jogo da primeira mão, o Flashscore escreveu um artigo a destacá-los, mas a concentração leonina não terá dado margem para leituras pré-jogo.
O Sporting entrou bem na Noruega, mas caiu demasiado cedo no encontro e apenas em momentos pontuais conseguiu discutir o jogo de igual para igual com os noruegueses. Ainda assim, sempre que o fez, ficaram expostas algumas fragilidades defensivas do Bodo/Glimt, apesar de a equipa ter conseguido a primeira clean sheet na prova milionária.
A lentidão dos centrais e o espaço deixado nas transições defensivas são fragilidades claras que o Sporting tem de explorar em Alvalade.

Mais pernas e... mais banco
A eliminatória com o Bodo/Glimt surgiu numa fase exigente do calendário e o peso nas pernas foi evidente para a equipa de Rui Borges.
Na sequência dos encontros com FC Porto e SC Braga, voltou a ficar claro que parte do plantel leonino chegou a esta fase da temporada bastante desgastado, com particular destaque para Suárez e Francisco Trincão.
A lesão de Ioannidis e a falta de soluções comprovadas no banco de suplentes também limitaram as opções do treinador. No entanto, o adiamento do jogo com o Tondela pode ajudar a aliviar essa questão física na segunda mão, até porque será um jogo de tudo ou nada para o Sporting.
Ainda assim, há decisões de mercado que merecem destaque. A saída de Alisson no mercado de inverno e a chegada de Faye levantam dúvidas: se Luís Guilherme, contratado para substituir o lesionado Geovany Quenda, tem sido utilizado, o reforço vindo do Granada mostrou pouca utilidade até ao momento. Curiosamente, o jogador cedido ao Nápoles continua a ser o terceiro melhor marcador do Sporting nesta Liga dos Campeões, com três golos, todos apontados a partir do banco.

Objetivos além do apuramento
Por fim, há também um objetivo simbólico que deve servir de motivação adicional.
Desde que a Liga dos Campeões adotou esta designação, o Sporting nunca venceu uma partida dos oitavos de final da competição. Os leões chegam a esta segunda mão frente ao Bodo/Glimt com apenas um golo marcado nesta fase - João Moutinho na pesada derrota (7-1) frente ao Bayern Munique.
Com 20 golos sofridos e apenas um marcado nos oitavos de final da prova, além do objetivo principal de alcançar os quartos, a equipa de Rui Borges terá também a oportunidade de começar a corrigir um registo histórico pouco grandioso e, quem sabe, reabrir uma eliminatória que parece quase decidida.

