Ir para o conteúdo principal

Análise: FC Porto não conseguiu colocar a superioridade do Manchester City em causa

Erling Haaland disputa a bola com Jakub Kiwior
Erling Haaland disputa a bola com Jakub KiwiorJose Salgueiro / Jose Salgueiro / DPPI via AFP / Profimedia

Perspetivava-se um grande duelo no Estádio do Dragão, onde o FC Porto recebeu o Manchester City no seu jogo de estreia na fase regular na Liga dos Campeões 2026/27.

Recorde aqui as incidências do encontro

A equipa de Enzo Maresca procurava alcançar a quarta vitória consecutiva, enquanto os dragões ambicionavam somar o oitavo triunfo seguido esta temporada.

Equipas atravessavam um bom momento

Na última vez que as duas equipas se defrontaram, há seis anos, nenhuma conseguiu marcar num duelo intenso que terminou 0-0, mas tendo em conta que o FC Porto tinha marcado nos 10 jogos anteriores a este encontro e os Cityzens também atravessavam uma excelente fase goleadora, parecia pouco provável que este jogo terminasse sem golos.

Apesar de não terem existido oportunidades de relevo para nenhuma das equipas no primeiro quarto de hora, os visitantes registaram uns impressionantes 76% de posse coletiva nos minutos iniciais.

Porto v Man City - Resultados recentes dos duelos diretos
Porto v Man City - Resultados recentes dos duelos diretosFlashscore

Rayan Cherki (96% de passes completos), Marc Guehi (97,4%) e o recém-chegado Ayyoub Bouaddi (98,2%) estiveram absolutamente imperiais, raramente desperdiçando um passe apesar da pressão constante de jogadores como Alberto Costa (12 duelos individuais tentados) e Gabri Veiga (13).

De facto, a intensidade da luta no meio-campo foi, por vezes, um dos grandes destaques de um jogo do qual não se podia desviar o olhar nem por um instante.

Alberto Costa em bom plano

Antoine Semenyo e Erling Haaland foram os primeiros jogadores a tentar o remate, ambos com pontaria à baliza, e os cinco cruzamentos do primeiro nos 30 minutos iniciais foram pelo menos mais três do que qualquer outro jogador em campo (Phil Foden - 2).

A influência de Haaland no jogo tornou-se mais evidente à medida que a primeira parte avançava, com o norueguês a somar mais dois remates e a ser uma das razões pelas quais o guarda-redes do FC Porto, Diogo Costa, já tinha realizado cinco defesas aos 32 minutos – a primeira vez que atingiu esse número num jogo desde que defrontou o Barcelona em novembro de 2023.

Dinâmica do jogo
Dinâmica do jogoFlashscore

Todo o caudal ofensivo vinha do City, com o FC Porto incapaz de criar um único remate, enquadrado ou não, durante a primeira parte. 

Nehuen Pérez venceu 100% dos seus duelos defensivos pelos anfitriões, o que ajudou a manter o nulo ao intervalo, com André Silva também a contribuir defensivamente, apesar de as suas qualidades serem mais requisitadas no ataque.

Haaland desbloqueou a partida

Haaland tinha tocado na bola apenas sete vezes em toda a primeira parte, mas apenas um minuto e 34 segundos após o reatamento, ao oitavo toque, fez o primeiro golo do encontro, com o recém-chegado Enzo a assinar a assistência com um cruzamento para o norueguês cabecear para o fundo das redes, com a bola ainda a bater no poste.

Defensivamente, o City esteve irrepreensível, com Alan Varela a fazer o primeiro remate do FC Porto (desenquadrado) aos 56 minutos.

As três interceções de Guehi e a sua eficácia de 100% nos duelos defensivos foram fundamentais para a solidez dos visitantes, tal como os dois duelos ganhos em três de Bouaddi, com ambos a manterem 100% de eficácia no passe após uma hora de jogo.

Os ataques do FC Porto foram esporádicos e, mesmo quando conseguiram rematar por intermédio de William Gomes ou Gabri Veiga, os remates saíram desenquadrados.

FC Porto sem remates enquadrados

Nem mesmo uma série de substituições de Farioli alterou o rumo do jogo e embora o FC Porto tenha conseguido evitar que o City aumentasse a vantagem, graças aos 68% de posse dos visitantes a partir da hora de jogo, parecia improvável que perdessem a vantagem mínima.

Seko Fofana, suplente lançado já perto do fim, ainda tentou o remate logo após entrar, mas tal como os seus colegas, não conseguiu acertar na baliza, com os anfitriões a nunca incomodarem Gianluigi Donnarumma durante todo o jogo.

Estatísticas do encontro
Estatísticas do encontroFlashscore

Apesar de vários jogadores do Porto poderem estar satisfeitos com o seu desempenho global – por exemplo, Jakub Kiwior venceu cinco dos seus seis duelos individuais e três dos quatro duelos aéreos, e Martim Fernandes completou 94% dos passes –, Francesco Farioli ficará desiludido por a sua equipa nunca ter conseguido incomodar verdadeiramente o City em termos ofensivos.

De facto, foi a primeira vez desde um jogo frente à Juventus em fevereiro de 2017 que o Porto não conseguiu um único remate enquadrado num jogo da UCL.

Mais um recorde à vista

A única verdadeira surpresa foi o facto de só nos descontos Haaland ter conseguido marcar o seu segundo golo e do City no encontro, ficando assim a apenas um golo dos 60 na Liga dos Campeões.

Os seus 59 golos foram alcançados em apenas 59 jogos na Liga dos Campeões, e com Lionel Messi a ser atualmente o mais rápido a chegar aos 60 golos (80 jogos), Haaland está a caminho de bater mais um recorde na principal competição europeia.

Ainda houve tempo para Enzo tentar o hat-trick de remates, com o City a terminar o jogo tal como o começou, por cima no encontro.