Recorde as incidências e o relato do encontro
O cenário montado em Budapeste começou confortável para o Arsenal. A cerimónia de abertura não foi espetacular, diga-se, mas a presença dos The Killers, muito amados em Inglaterra, serviu para empolgar ainda mais os adeptos britânicos, que voltaram a uma final de Liga dos Campeões depois da derrota de 2006 frente ao Barcelona.

Feels like home
Henry, que tinha perdido essa final, levou o troféu para o relvado. O simbolismo estava lá e o Arsenal aproveitou o embalo da entrada para se agigantar perante o campeão europeu. O hino da Champions, tocado ao piano, mal se ouviu, mas os ingleses não se esqueceram da importância do momento.
À primeira oportunidade, Havertz (5'), que começou a jogada com uma receção espetacular depois de um alívio de Declan Rice, aproveitou um ressalto após um corte de Marquinhos e, perante a marcação de Nuno Mendes a Saka, atirou ao primeiro poste. Safonov não teve reflexos para travar a bomba do alemão, que justificou a presença no onze em detrimento de Gyökeres e voltou a marcar numa final de Liga dos Campeões.
Se o pré-jogo serviu de motivação para o Arsenal, o cenário nos primeiros minutos da partida foi perfeito para as intenções de Mikel Arteta. Ao fim de 15 minutos, o Paris SG tinha 80 por cento de posse de bola, mas zero lances perigosos para a baliza de Raya, também porque Gabriel serviu de pronto-socorro sempre que os franceses conseguiam chegar à área inglesa.

Com Vitinha a assumir a construção, o Paris SG tentou ser paciente, mas a defesa do Arsenal estava demasiado tranquila para uma final de Liga dos Campeões. Fabián Ruiz, em incursões à área inglesa, foi tentando ser o elemento diferenciador, enquanto Doué, Dembélé e Kvaratskhelia continuaram a sentir dificuldades para aparecer no encontro.

Sem passar por calafrios, o Arsenal sentiu-se definitivamente em casa. Instalou um bloco médio-baixo que anulou o ataque do Paris SG, que fez o primeiro remate à baliza apenas aos 45 minutos, e ainda ameaçou num lance rápido pela direita, com Marquinhos a servir de bombeiro para evitar o 0-2 de Declan Rice.
As demoras nos lançamentos e pontapés de canto, que até levaram a um final inesperado da primeira parte, serviram para congelar o ritmo de uma final que estava longe de ser empolgante, mas que ia servindo na perfeição os interesses dos homens de Arteta.
Final (re)começou aos 65 minutos
Se é certo que a postura do Arsenal após o golo podia ser criticada, a verdade é que a estratégia dos ingleses estava a funcionar sem sobressaltos e isso deveu-se, em grande parte, ao Paris SG. A equipa de Luis Enrique teve dificuldades para aumentar o ritmo com bola durante toda a primeira parte e foi precisamente isso que mudou no arranque da segunda.

O trio da frente apareceu finalmente no jogo e o Arsenal sentiu desconforto pela primeira vez na partida. Esse crescimento parisiense levou os Gunners a cometer mais faltas em zonas perigosas e, depois de um livre de Hakimi defendido sem dificuldades por Raya, o penálti de Mosquera sobre Kvaratskhelia serviu de rastilho para agitar a final. Dembélé (65') enganou Raya e devolveu a incerteza ao encontro, forçando Arteta a reagir com as entradas de Timber e Gyökeres.
11 metros para a história
O empate abriu o campo e entregou outro jogo, mais digno de uma final e, provavelmente, menos do agrado dos treinadores. O Arsenal subiu a pressão e levou o Paris SG a alguns alívios pouco habituais numa equipa construída para ter a bola, mas as linhas mais subidas dos ingleses também abriram espaço ao campeão europeu, que viu a reviravolta embater no poste depois de uma grande arrancada de Kvaratskhelia (78') e esteve perto de evitar o prolongamento com os remates de Vitinha (88') e Barcola (90+6'), que ainda fizeram mexer as redes do lado de fora.
O tempo extra, num final de época exigente e com o maior troféu do futebol europeu ainda por decidir, obrigou as equipas a regressar às estratégias montadas para o início da partida e as oportunidades de golo desapareceram. Gyökeres quase teve uma ocasião flagrante, mas Pacho apareceu no sítio certo para afastar o cruzamento de Madueke, que ficou a reclamar penálti de Nuno Mendes já perto do intervalo do prolongamento.
Os minutos seguintes foram demasiado exigentes para as duas equipas. O Arsenal voltou a organizar-se, o Paris SG continuou a circular a bola sem encontrar espaços e a decisão sobre o campeão europeu acabou adiada para os penáltis.

Eze foi o primeiro a falhar, com um remate ao lado, Raya negou o penálti seguinte a Nuno Mendes, mas foi Gabriel Magalhães, um dos melhores dos Gunners na final, a assumir o papel de vilão. O internacional brasileiro atirou o quinto penálti por cima e o Paris SG voltou a sagrar-se campeão da Europa.
Homem do jogo Flashscore: Desiré Doué (Paris SG)
