Liga dos Campeões: Arsenal e Paris SG discutem final num choque de estilos e filosofias

Dembélé em destaque no PSG
Dembélé em destaque no PSGREUTERS/Catherine Steenkeste

O objeto inamovível do Arsenal cruza-se com a força imparável do Paris Saint-Germain na final da Liga dos Campeões deste sábado, num duelo marcado pelo choque de estilos entre duas equipas em grande momento de forma.

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O Paris Saint-Germain, atual campeão europeu, apresenta um dos ataques mais entusiasmantes do continente, enquanto o Arsenal de Mikel Arteta se mantém fiel a uma abordagem mais pragmática, que colocou fim a um jejum de 22 anos sem conquistar a Premier League.

O estilo de jogo dos gunners pode não ter seduzido muitos adeptos neutros esta temporada, mas, depois de várias épocas marcadas por desilusões e quase conquistas, a estratégia de Arteta acabou por dar resultado.

A consistência do Arsenal superou a do Manchester City de Pep Guardiola, permitindo ao clube londrino sagrar-se campeão inglês e regressar ao topo do futebol europeu, duas décadas após a final perdida em 2006.

Na Liga dos Campeões, o Arsenal sofreu apenas seis golos em 14 jogos e continua invicto na competição. Já o PSG encaixou 22 golos ao longo da campanha europeia.

"Sem bola, são a melhor equipa do mundo", elogiou Luis Enrique, técnico do PSG, ao referir-se à formação londrina.

A equipa de Mikel Arteta assenta numa estrutura sólida e numa enorme disciplina tática, procurando controlar os adversários ao limitar o acesso às zonas de maior perigo. Nenhuma equipa da Premier League permitiu menos remates dentro da área esta temporada.

Os gunners pressionam alto de forma agressiva, procuram dominar o espaço em campo e evitam ao máximo correr riscos na circulação de bola.

Fisicamente fortes em praticamente todos os setores, contam com uma impressionante dupla de centrais formada por Gabriel Magalhães e William Saliba, além da presença dominante de Declan Rice no meio-campo e de avançados poderosos como Viktor Gyökeres e Kai Havertz.

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Essas características ajudam a explicar a eficácia do Arsenal nas bolas paradas, trabalhadas ao detalhe por Nicolas Jover, contratado ao Manchester City em 2021.

O jornal suíço Blick chegou mesmo a questionar se Jover estaria a “estragar o futebol”, numa referência à enorme influência do especialista francês, que alegadamente recebe um bónus por cada golo marcado em lances de bola parada.

“Queremos ser a melhor e mais dominante equipa em todos os aspetos do jogo”, garantiu Arteta, incentivando os seus jogadores a continuarem a explorar esse ponto forte.

Com 27 golos marcados na Premier League em lances de bola parada - 38 por cento do total da equipa -, o Arsenal já foi apelidado por alguns adeptos e comentadores de “Set Piece FC”.

“Sempre que ganham um canto, ponho as mãos na cabeça. Nunca vi nada assim no futebol”, admitiu Jamie Carragher, em declarações à Sky Sports.

Depois de três segundos lugares consecutivos, o Arsenal parece ter assumido que vencer, independentemente da forma, é o mais importante.

“Não sei como se celebra um golo de maneira diferente de outro. Talvez, para o YouTube, alguns sejam mais bonitos”, respondeu Mikel Arteta, desvalorizando as críticas ao estilo de jogo da equipa.

Os londrinos venceram sete jogos por 1-0 na Premier League esta temporada e terminaram 19 encontros sem sofrer qualquer golo.

E, quando os adversários conseguem ultrapassar a sólida linha defensiva, ainda encontram David Raya, autor de uma temporada de enorme nível entre os postes. O guardião espanhol igualou já o recorde de nove jogos sem sofrer golos numa edição da Liga dos Campeões, um décimo poderá valer o troféu.

As dificuldades em jogo corrido, sobretudo durante o período em que Bukayo Saka esteve lesionado, chegaram a gerar alguma frustração entre os adeptos.

No entanto, perante as celebrações do título inglês, com milhares de adeptos nas ruas junto ao Emirates Stadium e vários jogadores a festejarem até de madrugada, poucas críticas sobreviveram.

Essas imagens de euforia reforçam a confiança do Arsenal na abordagem pragmática de Arteta, especialmente antes de enfrentar um adversário tão ofensivo e imprevisível como o Paris Saint-Germain.

A prosperar no caos

Se por vezes o Arsenal tem faltado poder de fogo no ataque, o adversário PSG conta com vários avançados elétricos que prosperam no caos organizado e acreditam que vão conseguir ultrapassar a defesa mais forte da competição.

O treinador Luis Enrique pode ter afastado algumas estrelas, mas Ousmane Dembélé, Khvicha Kvaratskhelia e Desiré Doué são dos avançados mais dinâmicos do mundo.

Os campeões franceses destroem equipas em transição com uma velocidade estonteante, ajudando os melhores marcadores do PSG a somar 44 golos na Liga dos Campeões, ficando a um do recorde absoluto de 45.

O PSG demonstrou o seu poderio ofensivo na primeira mão da meia-final frente ao Bayern Munique, superando os gigantes alemães por 5-4 num jogo memorável. O Arsenal procura reduzir o risco, o PSG incentiva-o.

"Quando conseguimos manter a posse e criar espaço, o jogo torna-se mais fácil. Mostrámos que somos uma verdadeira equipa, imprevisível", afirmou Luis Enrique depois da sua equipa marcar cinco golos ao Chelsea na primeira mão dos oitavos de final.

O Paris Saint-Germain marcou oito golos ao Chelsea no conjunto das duas mãos, mais seis ao Bayern Munique e quatro ao Liverpool nas restantes eliminatórias. Se a final fugir ao guião esperado, será provavelmente porque Luis Enrique decidiu reescrevê-lo.

Na segunda mão frente ao Bayern, o treinador espanhol surpreendeu ao alterar a estratégia habitual e recusou entrar no duelo de parada e resposta que Vincent Kompany procurava, num empate 1-1.

“Nem sempre podemos ganhar com magia ou jogadas extraordinárias”, admitiu Désiré Doué.

Ainda assim, o PSG tem vencido muitas vezes precisamente dessa forma. Basta recordar os cinco golos marcados ao Inter na final da última edição da Liga dos Campeões.

Agora, em Budapeste, será o choque entre estilos a decidir quem termina a noite com a coroa europeia.