Desde que a Taça dos Campeões Europeus foi rebatizada de Liga dos Campeões da UEFA, em 1992, temos assistido a alguns jogos fantásticos. O que dizer das inúmeras reviravoltas espectaculares, como quando o FC Barcelona completou a sua famosa "Remontada" contra o Paris Saint-Germain? E o que pensar das histórias de contos de fadas como o Ajax em 2019 e o Bodø/Glimt em 2026?
Neste artigo, porém, damos uma vista de olhos às melhores finais da Liga dos Campeões da UEFA de todos os tempos, e aos momentos que as tornaram lendárias. A escorregadela de John Terry em Moscovo, o golo do empate de Sergio Ramos aos 90+3 minutos que tornou possível a Décima, os feitos heróicos de Didier Drogba em Munique e, claro, as reviravoltas do Manchester United em 1999 e do Liverpool em 2005. Espectaculares, lendárias, históricas, as finais da Liga dos Campeões oferecem-nos de tudo.
Por isso, sem mais demoras, o Flashscore dá uma olhadela às 10 melhores, mais chocantes, mais emocionantes, mais dramáticas e mais históricas finais da UEFA Champions League de todos os tempos.
10: O sonho de Bale, o pesadelo de Karius (Real Madrid - Liverpool, 3-1, 2018)
A final da Liga dos Campeões 2018 foi espetacular por várias razões. O Real Madrid era o favorito depois de vencer três das quatro competições anteriores, mas não ganhou o jogo da maneira que se esperava.
Com o guarda-redes do Liverpool, Alisson, lesionado, Loris Karius assumiu o lugar e teve uma das atuações mais infames da rica história da competição: Karius atirou a bola para Karim Benzema, causando o 1-0, e teve culpa no 3-1, quando o remate de Gareth Bale a vários metros de distância passou por entre as luvas do alemão.
Bale foi a outra figura chave da final, marcando um pontapé de bicicleta inacreditável para restabelecer a liderança do Real Madrid, depois de Sadio Mané ter empatado minutos antes. Foi a cereja no topo de um bolo verdadeiramente único.
9: FC Porto vence a Batalha dos outsiders (FC Porto - AS Mónaco, 3-0, 2004)
Com o peso de uma nação inteira às costas, José Mourinho e o FC Porto iniciaram um verão futebolístico milagroso, ao vencerem uma verdadeira batalha de outsiders na final da Liga dos Campeões da UEFA de 2004.
Contra o também milagreiro AS Monaco, o FC Porto teve de enfrentar a dupla de avançados monegascos Dado Prso e Fernando Morientes, considerados dois dos melhores cabeceadores do mundo na altura. Jogando um futebol defensivamente forte e ofensivamente mais oportunista, o FC Porto atacou com frieza e eficácia e o Mónaco foi derrotado por 3-0, graças aos golos de Carlos Alberto, Deco e Dmitri Alenichev.
Uma semana depois, José Mourinho mudou-se para o Chelsea e deu a si próprio o nome pelo qual todos o conhecemos: "Por favor, não me chamem arrogante, mas sou campeão europeu e acho que sou especial".
8: A equipa de conto de fadas do Ajax derrota o poderoso AC Milan (Ajax - AC Milan, 1-0, 1995)
Muita coisa pode mudar em 32 anos. O Ajax pode dizer tudo sobre isso. 32 anos depois da terceira vitória consecutiva na Taça dos Campeões Europeus, o Ajax voltou ao maior palco do futebol europeu em 1995, enfrentando o famoso AC Milan de Fabio Capello.
Sob a tutela do mestre de karaté Louis van Gaal e com nove jogadores formados na academia como titulares, o Ajax chocou o mundo depois de Frank Rijkaard, lenda do AC Milan, que deixara o clube um ano antes para terminar a carreira em Amesterdão, ter dado a assistência a Patrick Kluivert, de 18 anos, que bateu Sebastiano Rossi aos 85 minutos e conquistou a famosa vitória na Liga dos Campeões.
De forma quase poética, esta final da Liga dos Campeões da UEFA marcou o fim da carreira de duas lendas do Ajax e do AC Milan - Marco van Basten e Frank Rijkaard, que terminaram as suas carreiras após esta época.
7: Tiki-Taka assume o trono (FC Barcelona - Manchester United, 2-0, 2009)
Na sua primeira temporada como técnico da equipa principal, Pep Guardiola encantou a Europa com um estilo de futebol revolucionário: o tiki-taka. A tática rápida e tecnicamente superior deslumbrou durante todo o campeonato espanhol e foi posta à prova na final da Liga dos Campeões de 2009 contra o campeão Manchester United.
A equipa de Sir Alex Ferguson contava com jogadores como Rio Ferdinand, Edwin van der Sar, Nemanja Vidic, Paul Scholes, Ryan Giggs, Wayne Rooney... A lista é interminável. Mesmo assim, não foi suficiente para parar a máquina catalã, com Samuel Eto'o e Lionel Messi a coroarem uma atuação majestosa em Wembley.
Foi o último jogo de Cristiano Ronaldo de vermelho, que ficou furioso depois do jogo. "Não estivemos bem. A tática não foi boa e tudo correu mal para nós. Só estivemos em jogo durante 10 minutos", disse o astro português, duas semanas antes de se mudar para o Real Madrid.
6: AC Milan arrasa o "Dream Team" de Cruyff (AC Milan - FC Barcelona, 4-0, 1994)
Na sua primeira época sem o lendário trio neerlandês Ruud Gullit, Frank Rijkaard e o lesionado Marco van Basten, o AC Milan jogou talvez a sua melhor época de sempre. Liderado por Franco Baresi e Paolo Maldini na retaguarda, o AC Milan conquistou a Itália e a Europa com uma defesa sólida. Até que a "equipa de sonho" de Johan Cruyff foi o adversário na final da Liga dos Campeões de 1993/94.
O FC Barcelona era o oposto do AC Milan. Com Romário, Michael Laudrup e Hristo Stoichkov à cabeça, a final estava destinada a ser a batalha entre uma força imparável e um objeto inamovível. E, no final, o objeto inamovível obliterou o primeiro.
O AC Milan surpreendeu amigos e inimigos ao vencer o Barcelona por 4-0, e ao marcar quase metade dos golos que tinha marcado na Liga dos Campeões até então. Daniele Massaro marcou dois golos na primeira parte, após o qual Dejan Savićević fez um remate delicioso e Marcel Desailly terminou o trabalho.
5: O deslize de John Terry decide a final inglesa (Manchester United - Chelsea, 1-1 (6-5 após penáltis), 2008)
Manchester United e Chelsea travaram uma batalha cansativa em Moscovo, onde a chuva caía dos céus aos baldes. Depois de Cristiano Ronaldo ter colocado os Red Devils de Sir Alex Ferguson em vantagem, Frank Lampard aproveitou um desvio de Michael Essien para empatar a partida ainda antes do intervalo.
A partida foi para os penáltis no Estádio Luzhniki, onde Ryan Giggs fez história ao tornar-se o jogador do Manchester United com mais partidas disputadas de todos os tempos e Didier Drogba foi expulso aos 116 minutos, após agredir Nemanja Vidic. Petr Cech fez a primeira defesa no relvado encharcado pela chuva, impedindo o remate de Cristiano Ronaldo para a marca de pénalti, mas a partir daí o Chelsea não teve mais sorte.
John Terry escorregou na relva russa e rematou a sua grande penalidade para fora da baliza de Edwin van der Sar - um momento que mais tarde considerou o mais triste da sua carreira no nosso primeiro episódio de "Big Pete". Van der Sar defendeu então o remate de Anelka para terminar a sua carreira de uma forma fantástica, conquistando para o Manchester United o seu segundo troféu da UEFA Champions League.
4: Real Madrid consegue finalmente a Décima (Real Madrid - Atlético Madrid, 4-1 após prolongamento, 2014)
Parecia uma espera interminável para o Real Madrid, que estava preso a nove títulos da Liga dos Campeões há mais de uma década. O clube mais condecorado do futebol europeu internacional regressou finalmente ao topo da Europa em 2014, quando os ruidosos vizinhos do Atlético de Madrid tentaram completar uma época de conto de fadas, juntando o primeiro título da Liga dos Campeões ao seu primeiro título da LaLiga em 18 anos.
Durante muito tempo, a final parecia estar a favor de Diego Simeone. Diego Godín abriu o marcador para o Atlético aos 36 minutos, o que significava que os Colchoneros poderiam sentar-se e frustrar Carlo Ancelotti e o Real Madrid no Estádio da Luz. O plano funcionou até aos 90+3 minutos, quando Sergio Ramos cabeceou com mestria um canto e enviou o jogo para o prolongamento.
Com o ímpeto alterado, o Real Madrid entrou a todo o gás em Lisboa. Gareth Bale cabeceou após um ressalto, Marcelo fez a bola passar por Thibaut Courtois e Cristiano Ronaldo marcou o ponto de exclamação de grande penalidade, pondo fim à espera da Décima Liga dos Campeões.
3: Drogba escreve a história dos Blues (Bayern de Munique - Chelsea, 1-1 (3-4 após penáltis), 2012)
A final da Liga dos Campeões de 2011/12 foi uma final repleta de história. Depois de meias-finais cintilantes, em que o Chelsea eliminou o campeão FC Barcelona no minuto 90+1 em Camp Nou e o Bayern de Munique eliminou o Real Madrid nos penáltis, a Allianz Arena viu o seu próprio Bayern defrontar os Blues na primeira final em casa desde a década de 1980.
Depois de um jogo muito disputado, Thomas Müller acabou por marcar o golo inaugural aos 83 minutos, com o Bayern a tentar conquistar o seu primeiro título da Liga dos Campeões desde 2001. Mas o jogo ainda não tinha terminado, pois Didier Drogba levantou-se da multidão para cabecear com força um canto de Juan Mata aos 88 minutos.
Depois de Arjen Robben ter falhado um penálti no prolongamento que se seguiu, foram os penáltis a decidir o vencedor da Liga dos Campeões. Manuel Neuer deu o primeiro golpe ao defender o remate de Juan Mata, mas foi Petr Cech quem primeiro defendeu o penálti de Ivica Olic e depois viu Bastian Schweinsteiger acertar no poste. O penálti de Didier Drogba foi o prego a fundo - o Chelsea tinha conquistado o seu primeiro título de sempre da Liga dos Campeões na toca do leão.
2: É hora de Fergie (Manchester United - Bayern de Munique, 2-1, 1999)
Foi preciso um milagre para que o Manchester United conquistasse o lendário triplete a em 1999. Depois de vencer a Premier League e a Taça de Inglaterra nos dez dias que antecederam a final da Liga dos Campeões de 1999, em Camp Nou, o Bayern de Munique procurava cravar um punhal no coração dos Red Devils.
Durante muito tempo, pareceu ter sido bem sucedido. Mario Basler, que entrou no lugar do lesionado Élber, bateu um livre no canto inferior de Schmeichel aos seis minutos, dando ao Bayern uma vantagem inicial. A partir daí, o Manchester United tomou a iniciativa, mas a forte defesa do Bayern, liderada por Lothar Matthäus e pelo guarda-redes Oliver Kahn, resistiu à tempestade vermelha.
Mas então veio o tempo dos descontos, em Inglaterra mais conhecido como "Fergie Time", porque com o escocês no banco, nunca se sabia o que aconteceria nos segundos finais.
Um canto foi cobrado pelo Bayern, mas caiu nos pés de Ryan Giggs aos 90+2 minutos. O galês rematou e Teddy Sheringham desviou para empatar o jogo. E como se isso não fosse um milagre suficiente, David Beckham cobrou outro canto aos 90+3 minutos, que Teddy Sheringham cabeceou para o também substituto Ole Gunnar Solskjaer, que mandou a bola para a balizar de Oliver Kahn para selar a mais improvável das reviravoltas.
1: O Milagre de Istambul (AC Milan - Liverpool, 3-3 (2-3 após penáltis), 2005)
Por mais milagrosa que seja a vitória do Manchester United em 1999, nenhuma final da Liga dos Campeões poderia superar a edição de 2005 entre o AC Milan e o Liverpool.
O Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, foi o palco da maior final da Liga dos Campeões de sempre. Uma equipa aguerrida do AC Milan, que contava com jogadores como Kaká, Jaap Stam, Cafu, Paolo Maldini, Clarence Seedorf e Alessandro Nesta, defrontou o Liverpool de Rafael Benítez, que se apercebeu da magnitude da tarefa que tinha pela frente: "Talvez o AC Milan seja o favorito, mas nós temos confiança e podemos ganhar."
Depois de o AC Milan ter afirmado o seu domínio desde cedo e ter ido para o intervalo a ganhar por 3-0, os Reds encenaram uma reviravolta vigorosa nos primeiros 15 minutos da segunda parte, através de Steven Gerrard, Vladimir Šmicer e Xabi Alonso, que magicamente apagaram a vantagem do AC Milan num piscar de olhos.
Após os 60 minutos restantes do tempo regulamentar e do prolongamento, foi Jerzy Dudek quem roubou a cena com duas defesas na disputa de penáltis e selou uma reviravolta histórica, que seria merecidamente apelidada de "Milagre de Istambul".
PERGUNTAS FREQUENTES
- Que final da Liga dos Campeões é considerada a melhor de todos os tempos?
Normalmente, o "Milagre de Istambul" de 2005 é considerado a melhor final da Liga dos Campeões de todos os tempos.
- Qual a equipa que ganhou mais títulos da Liga dos Campeões na era moderna?
- O Real Madrid, com 7 títulos.
- Alguma vez uma equipa ganhou a final da Liga dos Campeões depois de estar a perder por 3 golos?
- Apenas o Liverpool, em 2005.
- Quem marcou o golo mais rápido numa final da Liga dos Campeões?
- O golo de Paolo Maldini aos 52 segundos contra o Liverpool em 2005.
- Qual é o jogador que conquistou mais títulos da Liga dos Campeões?
- Dani Carvajal e Toni Kroos, ambos com 6 títulos da Liga dos Campeões.
- Qual é o jogador com mais golos na história das finais da Liga dos Campeões?
- Cristiano Ronaldo, com 4 golos.
- Qual é o jogador que participou no maior número de finais da Liga dos Campeões?
- Dani Carvajal, Toni Kroos, Luka Modric, Cristiano Ronaldo e Paolo Maldini, todos com 6.
