Liga dos Campeões: David Raya, o último reduto de uma fortaleza chamada Arsenal

David Raya, guarda-redes do Arsenal
David Raya, guarda-redes do ArsenalREUTERS

Há três anos, poucos apostariam nele. Chegado por empréstimo no verão de 2023 vindo do Brentford, David Raya teve de esperar várias semanas até conquistar o seu lugar no onze inicial do Arsenal, fruto de uma decisão controversa de Mikel Arteta, que preferiu o emblemático Aaron Ramsdale. Hoje, na véspera da final da Liga dos Campeões frente ao Paris Saint-Germain em Budapeste, o natural de Barcelona tornou-se muito mais do que um simples guarda-redes: é o último reduto essencial dos Gunners.

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A época 2025/2026 de David Raya é simplesmente histórica. Pela terceira temporada consecutiva, conquistou a Golden Glove, o prémio atribuído ao guarda-redes com mais jogos sem sofrer golos na Premier League. Os seus 17 jogos sem sofrer golos estabelecem um recorde pessoal numa época da Premier League, superando os 13 que tinha alcançado na temporada 2024/2025. Alargando a todas as competições, manteve a baliza inviolada em 19 ocasiões esta época, contra 13 no ano passado.

Na Liga dos Campeões, o desempenho é igualmente impressionante. David Raya já soma nove jogos sem sofrer golos na competição e pode tornar-se o primeiro guarda-redes da história a atingir a marca dos 10 jogos sem sofrer golos numa só campanha de Liga dos Campeões. Um registo que demonstra uma regularidade absolutamente fora do comum a este nível competitivo.

O Arsenal sofreu apenas dois golos nos seus seis jogos da fase a eliminar desta Liga dos Campeões e, depois de também ter terminado em primeiro lugar na fase de liga, é a única equipa invicta da edição 2025/2026. Uma invencibilidade em que Raya desempenha um papel central.

Últimos resultados do Arsenal
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Mais do que um guarda-redes, um líder defensivo

Seria um erro reduzir o contributo de Raya apenas às suas defesas espetaculares. Para o especialista Christophe Lollichon, treinador de guarda-redes que passou pelo Chelsea entre 2007 e 2022, limitá-lo ao "aspeto espetacular" seria um equívoco, analisou para a Eurosport: "A sua força está na eficácia tanto defensiva como ofensiva. Tem uma das melhores leituras de jogo que se pode encontrar nesta posição".

Tecnicamente, o antigo treinador de guarda-redes considera que "ele tem tudo. Sabe sair, retirar a perna rapidamente para ir buscar uma bola perto dos apoios, ou desviar automaticamente para uma zona segura".

Bem protegido por William Saliba, Gabriel e os seus companheiros, o guarda-redes espanhol tornou-se o elemento final de uma linha defensiva que, há três épocas, é vista como uma fortaleza quase intransponível no campeonato. É esta simbiose entre o homem e o coletivo que torna o Arsenal tão difícil de ultrapassar.

Números de Raya
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O homem dos grandes momentos

Quem partilha o balneário com ele não tem dúvidas. Após a vitória arrancada frente ao Sporting CP nos quartos de final, Kai Havertz, autor do golo da qualificação já nos descontos, fez questão de colocar os holofotes onde achava que deviam estar. "Incrível. Acho que ainda é subestimado no mundo do futebol, mas para mim, nas duas últimas épocas, é o melhor guarda-redes do mundo. Salvou-nos tantas vezes", afirmou o alemão ao microfone da Amazon Prime.

À medida que o Arsenal avançava na competição, Raya elevava ainda mais o seu nível. Contra o Sporting, as suas defesas a remates de Maxi Araújo e Geny Catamo garantiram uma preciosa vitória por 1-0. Na segunda mão da meia-final frente ao PSG já em 2025, defendeu o penálti de Vitinha, mostrando o sangue-frio que o caracteriza nos momentos decisivos.

Após a qualificação para a final frente ao Atlético de Madrid, Raya resumiu o estado de espírito do grupo: "É um sonho tornado realidade". Uma frase carregada de emoção para quem deixou o lar e a sua Catalunha natal aos 17 anos para tentar brilhar em Inglaterra, primeiro ao serviço dos Blackburn Rovers, depois no South Port, no Brentford e, finalmente, no Arsenal, que representou aos 28 anos.

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Um sonho aliado a uma missão histórica

A final de Budapeste chega no final de uma época já lendária para o Arsenal. Os Gunners vão pôr fim a 22 anos de jejum sem conquistar o título de campeão de Inglaterra. Durante três anos, o Arsenal viu o título escapar-lhe, impotente perante as vitórias do Manchester City e do Liverpool. Raya, campeão da Premier League, pode agora ambicionar a consagração europeia máxima, o único troféu que o Arsenal nunca ergueu.

Pela frente, o PSG de Luis Enrique, outro espanhol, representa um desafio enorme. Raya expressou o seu respeito pelo treinador parisiense: "Admiro-o muito. Toda a gente sabe que o Luis Enrique é um grande treinador e uma pessoa fantástica". E acrescentou, determinado: "Agora estamos totalmente focados na final, porque o objetivo da Premier League já foi alcançado".

A fortaleza contra o furacão

O confronto de estilos promete ser fascinante. Enquanto o PSG chegou à segunda final consecutiva ao marcar 44 golos em 16 jogos, os Gunners seguiram um caminho diferente. De um lado, o poderio ofensivo parisiense, personificado por Kvaratskhelia, do outro, a muralha Raya-Saliba-Gabriel, a defesa mais sólida da Europa esta época.

Na Liga dos Campeões deste ano, Raya manteve a baliza inviolada em 9 dos 13 jogos disputados, e em 48 dos 107 encontros em todas as competições desde que chegou em 2023, ou seja, 44% das suas aparições. Neste 30 de maio em Budapeste, David Raya terá uma oportunidade única de inscrever o seu nome na história do Arsenal e do futebol europeu. Aquele que os próprios companheiros consideram o melhor guarda-redes do mundo pode muito bem ser o homem-chave da noite.

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