Recorde as incidências da partida
Numa noite gelada em Praga, o neerlandês comandou todos os momentos numa equipa do Barça bastante alterada, assumindo a condução do jogo e recuperando bolas em todo o relvado.
Curiosamente, mesmo neste encontro, em que se mostrou forte e sereno, será Fermin Lopez a ficar com as manchetes, depois de bisar ainda na primeira parte. Este é o dilema que enfrenta o capitão da noite. Cumpre o seu papel de forma discreta e sem alarido, algo que, por si só, se tornou quase esperado dele.
Alguém que sentiu grande orgulho na sua exibição de quarta-feira foi o treinador Hansi Flick. Na conferência de imprensa após o jogo, o técnico do Barça disse: "Acho que hoje (ontem) o Frenkie fez um jogo incrível. É inacreditável, é um grande capitão, adorei o que vi dele hoje e é fundamental para a equipa. Jogou a um nível extraordinário. Não só no ataque, como já lhe conhecemos, mas também na defesa, e isso é impressionante, mesmo impressionante."
O melhor momento de De Jong na noite foi a assistência para o primeiro golo de Fermin. O passe saiu com a precisão perfeita para isolar o espanhol – recordando os velhos tempos do Barcelona, em que uma única bola sublime rasgava a linha defensiva adversária.
Os passes foram apenas uma parte, mas o que mais se destacou foi a sua ambição. Recebeu a bola de costas para a baliza várias vezes em Praga e, em todas, mostrou-se pronto a avançar com ela. Um passe em profundidade de 40 metros, quase a encontrar Raphinha, ilustrou bem a sua noite. Demonstrou vontade de abrir o jogo, em vez de apenas o controlar.

ADN Barça
É já um dos veteranos do balneário do Camp Nou. Chegou em 2019 e, tendo jogado com Lionel Messi logo à chegada, De Jong tem o ADN clássico do Barça, mas tal como a equipa evoluiu, também ele se foi adaptando.
No papel de médio "box-to-box" frente ao Slavia, que marcou homem a homem durante grande parte do jogo, conseguiu romper linhas, avançar com a bola e procurar passes diretos para criar oportunidades de golo. Na vitória, criou quatro ocasiões flagrantes e terminou com 90% de passes completos nos 90 minutos.
Esteve perto de marcar, o que teria coroado a exibição, mas o lance foi anulado por fora de jogo. Essa coragem para procurar o passe final é algo que o especialista em futebol neerlandês e jornalista do Flashscore, Finley Crebolder, considera ter evoluído no seu jogo.
"Tornou-se muito mais assertivo como jogador e como pessoa, pressiona com mais intensidade, recupera mais bolas e assumiu-se como um verdadeiro líder. É ainda mais incisivo no último terço, arrisca mais em vez de apenas manter o jogo a rolar."
Os números confirmam-no. O passe para Fermin foi a sua quarta assistência da época, apenas uma abaixo do seu recorde numa temporada pelo Barcelona, com muitos jogos ainda por disputar. Não se contenta em jogar recuado e limitar-se a passes laterais, está cada vez mais a avançar no terreno.
A faceta defensiva, no entanto, tem-lhe causado alguns problemas nas últimas semanas. Foi expulso na final da Supertaça de Espanha frente ao Real Madrid e viu o cartão amarelo contra o Slavia, ficando assim fora do último jogo da fase de liga frente ao Copenhaga. Vai querer limitar estes problemas disciplinares para não falhar jogos importantes por suspensão.
O Barcelona terá uma tarefa difícil, com uma linha defensiva vulnerável, para chegar longe na Liga dos Campeões esta época, mas se o conseguir, De Jong será o jogador que une toda a equipa. Mantê-lo em boa forma parece ser fundamental para o sucesso dos catalães nesta fase decisiva da temporada.
