Recorde as incidências do encontro
O relvado do Estádio Azteca foi palco de uma autêntica caçada a céu aberto entre um Toluca predador, determinado a continuar a dominar a liga mexicana, e um América ferido, mas com o orgulho da sua grandeza intacto, que não permite, por nada, deixar para trás a linhagem de um tricampeonato que marcou a sua história recente.

Para anular o sistema consolidado do Toluca, forjado pela mente de Antonio Mohamed, o América recuou durante a primeira parte, refugiando-se no equilíbrio de Jonathan dos Santos no meio-campo, na subtileza de Alejandro Zendejas, mas sobretudo no talento explosivo de Brian Rodríguez.
A esperança uruguaia
O empenho do Toluca teve em Nicolás Castro o seu estandarte. O argentino chegou à área adversária com a força de um puro-sangue, mas sem a serenidade necessária para transformar o domínio escarlate em golo. Um pecado que deu fôlego à equipa de Jardiné e, acima de tudo, a ideia de que, mesmo com várias ausências e a dolorosa eliminação da Concachampions há poucos dias, estava pronta para discutir o jogo.
Aos poucos, na reta final da primeira parte, o América pegou na bola mais com raiva do que com calma e com o orgulho da sua postura imponente, tentando impor a sua força em casa. Com esse espírito à vista e com o Toluca já a acusar o desgaste sem recompensa, o americanismo nas bancadas também começou a acreditar.
Tal como na era do tricampeonato, o método Jardiné teria recompensa nos pés de Rodríguez. O uruguaio percebeu o seu papel de destaque numa equipa que exige, a cada jogo, um salto de qualidade da sua parte. Um remate de pé direito ao minuto 43, a partir da meia-lua da área do Toluca, entrou, com mais classe do que força, junto ao poste inferior direito do guarda-redes Luis García. O golo do charrua, o quarto no campeonato, provocou um grito de alívio e euforia por parte do americanismo, que não parou de festejar durante o intervalo.
Longe de se deixar levar pela emoção das bancadas e ciente do momento, Jardiné reforçou a forma como construiu o seu América multicampeão e decidiu entrar na segunda parte com uma linha de cinco atrás e Rodríguez na frente. O uruguaio percebeu a mensagem e, na primeira oportunidade que teve à entrada da área, voltou a colocar a bola no fundo da baliza de García com outro remate fulminante ao canto inferior direito, aos 49 minutos.
O pragmático do América
O 2-0 foi um golpe certeiro para um Toluca desnorteado, que tentava perceber como, com dois lances rápidos, estava já no tapete. Mas, se o foco futebolístico costuma ser a carta de apresentação da equipa de Mohamed, e para mais um episódio de ironia no futebol, o golo de honra escarlate aos 53 minutos surgiu através de um autogolo de Miguel Vázquez.
Com o marcador em aberto, o Toluca tentou impor o seu estilo e dinamismo, mas deparou-se com um conjunto azulcrema ferido, que não deu tréguas perante o ímpeto de um visitante que nunca deixou de tentar, mas que nunca encontrou a eficácia e clareza na finalização que tem demonstrado em tempos recentes.
O tempo de compensação foi, como tantas vezes acontece na Liga MX, um tributo à emoção do futebol mexicano, habituado a ir de um extremo ao outro sem parar. O golo anulado a Santiago Simón por fora de jogo, num canto confuso, aconteceu logo após uma oportunidade incrivelmente desperdiçada por José "Pantera" Zuñiga com a baliza aberta.
Já com as bancadas de pé nos nove minutos de compensação, o América agarrou-se à sua linhagem e nem uma discussão entre os bancos junto à linha lateral, nem um princípio de confusão após a expulsão de Helinho desviaram o pragmático, sem qualquer disfarce, conjunto azulcrema da sua missão, acabando por garantir um triunfo que lhe valeu o sexto lugar da classificação geral, uma ovação merecida dos seus adeptos e a certeza para toda a liga de que nunca, mas nunca, devem dá-lo como morto.

