Chave de repartição das receitas oriundas da centralização votada em 08 de junho

Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal
Reinaldo Teixeira, presidente da Liga PortugalESTELA SILVA/LUSA

A chave de repartição das receitas da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais da Liga Portugal e Liga 2 será votada em 08 de junho, em Assembleia Geral (AG) extraordinária da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), anunciou esta sexta-feira o organismo.

De acordo com a convocatória assinada pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG), António Saraiva, a sessão magna tem como único ponto da ordem de trabalhos a apreciação, discussão e votação do documento, que foi elaborado e aprovado pela gerência da sociedade Liga Centralização.

A AG começa às 10:00, no auditório da sede da LPFP, no Porto, e vai assinalar mais um passo na centralização dos direitos de transmissão dos jogos dos dois escalões principais, prevista a partir da época 2028/29.

Em 17 de abril, os clubes ratificaram por maioria a proposta do organismo relativa ao procedimento de venda para o mercado doméstico, com voto contra do Benfica e a abstenção do também primodivisionário Nacional.

Em dezembro de 2025, a chave de distribuição dos valores do processo foi apresentada em Cimeira de Presidentes, na presença de quase todos os líderes das 33 sociedades desportivas da Liga Portugal e Liga 2 - 18 do escalão principal e 15 da segunda divisão, à exceção das equipas B de Sporting, Benfica e FC Porto.

Segundo a chave de repartição proposta pela LPFP, a centralização vai render um montante igual a todos os primodivisionários, que lucram mais com os resultados e recebem 90% dos valores totais, contra 10 da Liga 2.

No escalão principal, a distribuição das verbas vai ser definida por cinco critérios e a maior fatia está ligada ao sucesso desportivo, uma vez que 44,2% do valor será alocado em função da posição final no campeonato, do histórico de classificações e da contribuição para o ranking da UEFA.

Haverá ainda 33,2% repartidos pelos clubes em partes iguais, enquanto os restantes critérios incluem em parcelas mais pequenas as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas (17,6%), as condições proporcionadas para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições para o trabalho da comunicação social (1%).

Nesta matriz, está prevista ainda uma definição distinta se a centralização ultrapassar os 250 milhões de euros (ME), até ao limite de 275 ME, com metade do valor excedente a ser entregue aos três emblemas que mais contribuíram para o ranking da UEFA, enquanto o remanescente vai ser dividido pelas outras sociedades desportivas, seguindo os critérios gerais.

Na quinta-feira, o presidente da LPFP, Reinaldo Teixeira, mostrou-se convicto de que a centralização será concluída com sucesso, sentindo “grande consciencialização e bom senso” nas sociedades desportivas.

“Vamos entregar o documento à Autoridade da Concorrência (AdC) até 30 de junho. O modelo de comercialização foi aprovado na Liga Centralização, na direção e no conselho da LPFP e na reunião da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Mesmo numa chave que beneficia os de baixo de forma diferente, sinto uma grande consciencialização e bom senso”, explicou, num painel da conferência Bola Branca, da Rádio Renascença, em Lisboa.

O tema tem sido criticado por alguns clubes, entre os quais o Benfica, que saiu em 2025 da gerência da Liga Centralização, empresa responsável pelo processo, e o Nacional, autor de uma proposta alternativa à da LPFP.

A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos da Liga Portugal e Liga 2 foi decretada pelo Governo em 2021, na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre FPF e LPFP, com aplicação a partir de 2028/29.

Esse modelo inviabilizará os clubes de comercializarem individualmente os direitos de transmissão das suas partidas, tal como fez o Benfica em janeiro, ao cedê-los de novo à operadora NOS, a par da distribuição da estação BTV, num acordo de 104,6 ME para 2026/27 e 2027/28.