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Zé Leite viveu uma temporada longe da normalidade. O avançado começou a época a recuperar de uma lesão, voltou apenas em dezembro e, pouco depois, sofreu novo contratempo no ombro que o afastou até à fase final do campeonato. Ainda assim, conseguiu deixar marca: três golos, duas assistências e um contributo importante para a manutenção do Penafiel na Liga 2.
Em final de contrato, o jogador de 27 anos prepara agora um novo capítulo na carreira. Ao Flashscore, Zé Leite falou das dificuldades físicas e mentais provocadas pelas lesões, da força encontrada pelo grupo após a morte de André Silva, do reconhecimento sentido no Penafiel e da ambição de chegar a uma primeira divisão.
"A parte mental custa muito mais do que a dor física"
- Zé, antes de mais, obrigado por teres aceitado o convite do Flashscore. Foi uma temporada particularmente difícil para si, marcada por lesões, mas ainda assim conseguiu dar um contributo importante para a manutenção do Penafiel. Como faz o balanço desta época?
Foi uma época diferente a todos os níveis. Comecei a temporada a recuperar de uma lesão da época anterior e só consegui concluir esse processo perto de dezembro. Nessa altura passei a integrar novamente as opções da equipa técnica para ajudar a equipa. Infelizmente, num jogo amigável com o Rio Ave, lesionei o ombro e voltei a ficar de fora desde janeiro até à fase final da época. Foi um contratempo difícil, mas faz parte do futebol.

- Começou a jogar apenas em dezembro. Como viveu esse período tão longo longe dos relvados?
É sempre um período complicado, mas também é uma fase de introspeção. Mesmo estando afastado dos jogos e dos treinos, procurei perceber de que forma podia continuar a ajudar a equipa. Tentei apoiar os meus colegas, dar palavras de incentivo e contribuir para manter o grupo motivado. Quando estamos lesionados, temos de encontrar outras formas de ser úteis ao grupo.
- Na sua opinião, o que é mais difícil para um jogador lesionado: a dor física ou a componente mental?
Sem dúvida a parte mental. É muito difícil chegar ao fim de semana e não poder ajudar a equipa. Não porque o treinador não queira, mas porque fisicamente não estás em condições. Isso custa muito mais do que a dor física. Ao mesmo tempo, também nos ajuda a crescer e a olhar para o futebol de outra forma. Faz-nos mais fortes mentalmente e prepara-nos para lidar com outras dificuldades que possam surgir ao longo da carreira.
- Apesar dos poucos jogos realizados, terminou a época com três golos e duas assistências. Um desses golos surgiu frente ao Marítimo e ajudou a garantir a manutenção. Foi o momento mais marcante da temporada?
Penso que sim. Foi o momento que nos permitiu atingir o objetivo que tínhamos definido para a época. Naturalmente, fico feliz por ter contribuído com esse golo. Mas o futebol não vive apenas desses momentos. Houve muitas defesas importantes dos guarda-redes, muito trabalho da linha defensiva e de toda a equipa ao longo da época. Sem isso, esse golo nunca teria tido o significado que teve.
- Como foi voltar a competir depois de tanto tempo parado?
Tento encarar isso da forma mais natural possível. Durante a recuperação, trabalho muito a parte mental para não criar dúvidas em relação ao meu regresso. Não gosto de pensar se vou estar preparado ou não. Procuro convencer-me de que tudo será igual quando voltar. Isso ajuda-me a regressar mais tranquilo e mais confiante.

"A perda de André Silva foi muito difícil para nós"
- O Penafiel terminou no 14.º lugar com 41 pontos. Que balanço faz da época da equipa?
Acho que foi uma época positiva. Foi o primeiro ano de uma nova SAD, chegaram muitos jogadores e houve várias mudanças. Penso que apenas ficaram 12 ou 13 jogadores da época anterior. Sabíamos que seria uma temporada exigente, até porque muitos dos reforços vinham de outros contextos e precisavam de tempo para se adaptar. Tendo tudo isso em conta, garantir a manutenção foi um objetivo importante e que conseguimos alcançar.
- Foi também uma época muito difícil para o grupo devido às perdas de Diogo Jota e, sobretudo, de André Silva, que foi vosso companheiro. Como conseguiram ultrapassar esse momento?
Foi uma perda muito difícil para todos nós. Foi complicado perceber como reagir e continuar uma época depois de algo tão duro. Mas, ao longo do tempo, sentimos que o André continuava connosco de alguma forma. Passou a ser uma força adicional para o grupo. Percebemos que também tínhamos de lutar por ele e honrar aquilo que representou para todos nós. Isso acabou por nos dar força para continuar.
- Essa tragédia acabou por unir ainda mais o grupo?
O grupo já era muito unido. Mas a situação acabou por mostrar ainda mais a força que existia dentro do balneário. O André era uma peça fundamental para nós e todos sentimos a responsabilidade de continuar a lutar por ele. Todos os jogos, todos os golos e todas as vitórias tinham uma dedicatória especial ao André. Era a nossa forma de lhe agradecer tudo aquilo que fez por nós.

"Sinto que estou preparado para um patamar superior"
- Termina agora a sua ligação ao Penafiel. Como avalia estes dois anos no clube?
Foram dois anos muito positivos. Acredito que consegui ajudar bastante a equipa e também contribuir com golos e assistências, o que torna tudo ainda mais especial para mim. Agora sinto que está na altura de procurar um novo desafio e dar mais um passo na minha carreira.
- Sentiu reconhecimento do clube durante este período, sobretudo nesta última época em que esteve tanto tempo lesionado?
Sim, senti sempre muito carinho. Desde a direção aos meus colegas e aos adeptos, senti sempre apoio. Mesmo quando estive muito tempo afastado, nunca me senti esquecido. Quando regressei aos relvados percebi que as pessoas continuavam a acreditar em mim e isso teve um significado muito especial.
- Sente que 2026/27 pode ser a época da sua afirmação definitiva?
Espero que sim. Todas as épocas representam uma nova oportunidade de afirmação. Acho que fiz duas boas épocas no Penafiel e sinto que consegui mostrar o meu valor. Mas acredito que ainda posso dar mais e quero encontrar um contexto onde consiga ser ainda mais influente.

- Já existe alguma coisa definida para o futuro? O estrangeiro é uma possibilidade?
Ainda não tenho nada fechado. Estou a analisar as opções e a perceber qual será o melhor passo para a minha carreira. Tanto Portugal como o estrangeiro são possibilidades.
- Ao longo da carreira representou Lourosa, AD Sanjoanense, Felgueiras, Oliveira do Hospital e Penafiel. Qual é o próximo passo ideal?
Sinto que estou preparado para um patamar superior. Seja em Portugal ou no estrangeiro, acredito que tenho capacidade para mostrar mais e competir num nível mais elevado. Ainda não sei onde será, mas sinto que este é o momento certo para dar esse passo.
- Como se define dentro de campo?
Sou um jogador que se destaca pela velocidade e pela capacidade no um contra um. Nestes dois anos no Penafiel consegui juntar a isso números interessantes em golos e assistências, mas gosto sobretudo de destacar a entrega ao jogo e à equipa. Muitas vezes isso passa despercebido nos jogadores ofensivos, mas considero que também é uma das minhas maiores qualidades.

"O mister Bruno China foi uma pessoa muito importante para mim"
- Ao longo da carreira teve vários treinadores. Qual foi o que mais o marcou?
Tive muitos treinadores importantes em diferentes momentos da minha carreira. Mas se tivesse de destacar um nome, escolheria o Bruno China, que foi meu treinador no Felgueiras. Foi uma pessoa muito importante na forma como passei a ver e a compreender o futebol. Ajudou-me muito a crescer enquanto jogador.
- E quem é o Zé Leite fora dos relvados?
Sou uma pessoa muito bem-disposta. Gosto de estar com os amigos, com a família e de aproveitar esses momentos porque são fundamentais para o meu equilíbrio. Em relação ao futebol, não sou daqueles que passa o fim de semana inteiro a ver jogos. Gosto de desligar um pouco porque vivo o futebol praticamente todos os dias.

- Estamos em ano de Mundial. Que expectativas tem para Portugal?
Acho que Portugal tem uma das melhores oportunidades de sempre para conquistar um Campeonato do Mundo. Temos uma seleção muito forte em todos os setores e jogadores de enorme qualidade. Claro que um Mundial traz sempre imprevistos e dificuldades inesperadas, mas acredito que temos todas as condições para sermos felizes.
- Para terminar, que objetivos gostaria ainda de cumprir na carreira?
A curto prazo, quero jogar numa primeira divisão e mostrar o meu valor nesse contexto. Depois, claro, ser campeão de uma primeira liga seria algo muito especial para mim.
