Liga 2: Brandão admite jogadores do Belenenses "destroçados", Faria faz juras de amor ao Farense

Belenenses não conseguiu quebrar o nulo no Restelo
Belenenses não conseguiu quebrar o nulo no ResteloFPF

Declarações após o jogo Belenenses-Farense (0-0), da segunda mão do play-off de acesso à Liga 2, realizado no sábado no Estádio do Restelo, em Lisboa:

Recorde aqui as incidências do encontro

Gonçalo Brandão (treinador do Belenenses):

“Foi um jogo bem conseguido da nossa parte. Acho que estivemos sempre por cima, pressionámos alto, obrigámos o Farense a bater quase todas as bolas e o perigo que nos criaram foi de bola parada ou em transições em que perdemos a bola no último passe. De resto, nós estivemos sempre por cima. Tentámos tudo para conseguir o golo, mas acho que faltou definição, devido à ansiedade de querer fazer o golo.

Fomos superiores, mas no futebol vale o que vale. O processo está lá e a base tem de ser esta. Esta eliminatória não nos sorriu, ficou resolvida por um lance de bola parada, não conseguimos fazer golos em muitas ocasiões e pecámos pela pouca eficácia que tivemos. Isso definiu este play-off.

Analisando friamente os dois jogos, acho que fizemos tudo e, com um bocadinho mais de sorte, podíamos ter sido nós a subir à Liga 2. Os jogadores fizeram tudo o que estava ao alcance. Fomos superiores a uma equipa que, no ano passado, estava na Liga Portugal. O Farense manteve muitos jogadores e tem orçamento de I Liga ou para subir. Nos dois jogos, não se notou essa diferença. Estou triste e magoado, mas muito orgulhoso com o que esta equipa fez para tentar subir à Liga 2.

Os jogadores estão destroçados, é normal. Tínhamos a convicção de que iríamos conseguir e acreditámos nisso até ao último minuto. A tristeza no balneário é grande, mas a partir de amanhã temos já de começar a pensar na próxima época, a agilizar e nivelar coisas, para que seja de maior sucesso e que consigamos subir diretamente à Liga 2”.

Recorde aqui a crónica

José Faria (treinador do Farense): 

“Acho que entrámos muito fortes no jogo. Nós sabíamos que o vento podia condicionar o jogo e tentámos jogar um pouco com isso. Sabemos no que é que o Belenenses era forte, pois vem de anos seguidos a assimilar o mesmo processo, mas também sabíamos que éramos fortes noutras coisas, como na bola parada. Foi um jogo do gato e do rato. Tivemos oportunidade para encaminhar a eliminatória e depois foi juntar linhas.

Penso que fomos justos vencedores. Estávamos preparados para 120 minutos, penáltis, tudo. Quando cheguei ao Farense, tinha um grupo de homens. Hoje sinto que temos uma equipa.

O Farense faz parte do meu imaginário de criança. Cresci a gostar destes clubes históricos, com uma pressão tremenda e adeptos apaixonados. O que se vive em Faro existe muito pouco no futebol. Não é fácil seguir um clube que não ganha e que leva porrada, mas não estou surpreendido com o que os adeptos fizeram hoje. Vejam o centro de estágio que o presidente está a fazer e talvez aí o Farense possa ir para o lugar que efetivamente merece.

O Farense foi o maior desafio da minha vida. Comecei a época na Liga Portugal e em boa hora fui parar ao Farense. Quando cheguei, estávamos em último lugar e qualquer treinador que saísse da Liga pensaria duas vezes. Eu queria muito o Farense e acredito que conseguimos atingir os objetivos. Foi extremamente gratificante para mim. O Farense veio trazer-me de novo a alegria e o brilho no olhar, de trabalhar no futebol ao mais alto nível. Não sei o que acontecerá, mas estou grato.

Adoro estar no Farense e não precisava de um contrato para assinar, porque a minha palavra vale tudo. O Farense vai ter o José Faria o tempo que quiser. Eu não trocaria o Farense por nenhum clube da Liga Portugal”.