Luís Tralhão fala em “mágoa”, mas reconhece época "espetacular" do Torreense

Luís Tralhão, treinador do Torreense
Luís Tralhão, treinador do TorreenseCARLOS BARROSO/LUSA

O treinador do Torreense, Luís Tralhão, confessou à Lusa a “mágoa” por não ter conseguido a promoção direta à Liga Portugal e, posteriormente, através do play-off, reconhecendo, ainda assim, uma época “espetacular” da equipa.

A mágoa que existe é o facto de acabarmos com os mesmos pontos do que a equipa que acaba por subir direta (Académico de Viseu). Dá a sensação de que ficámos tão perto e não conseguimos subir direto. Temos que dar mérito ao Académico de Viseu porque foi uma ótima equipa durante o ano inteiro”, sublinhou o técnico em entrevista à Lusa, já depois de destacar uma época espetacular que culminou também com a inédita conquista da Taça de Portugal diante do favorito Sporting.

O conjunto do Oeste terminou a Liga 2 na terceira posição, mas em igualdade pontual com o Académico de Viseu, ambos com 59 pontos.

Todavia, e depois de anulado o critério de desempate por confronto direto – cada equipa ganhou um jogo pela margem mínima –, foi a diferença de golos a decidir a promoção direta, fator que favoreceu o conjunto viseense e que atirou o Torreense para o play-off.

Os azuis grená acabariam por ceder perante o Casa Pia, que tinha terminado a Liga na 16.ª e antepenúltima posição. Na primeira mão, disputada em Torres Vedras, as duas equipas não foram além do nulo, com a eliminatória a ser decidida uma semana depois, quando os ‘gansos’ venceram por 2-0 no Estádio Municipal Rio Maior, que serve de casa aos casapianos.

O desfecho do play-off, de resto, deixou também alguma “mágoa”. 

A mágoa do play-off é sentir que, e sem desmerecer o que o Casa Pia fez – dou os parabéns por terem ficado, foram muito competentes –, não ficámos a dever nada ao Casa Pia. Pelo contrário. Fica a mágoa de ter perdido o play-off contra uma equipa muito difícil, mas que senti que éramos capazes. É a mágoa que temos, mas faz parte”, disse.

Ainda que considere que tenha existido alguma falta de “sensatez” da “parte de quem organiza” a competição.

“Percebo que há um calendário para se cumprir e há datas, entendo isso, mas quando se percebeu que era o Torreense que ia fazer o play-off e a final da Taça, especialmente uma equipa que vem da Liga 2 e que não está preparada para jogos de três em três dias, podia ter-se dado uma margem, especialmente do jogo da Taça para a segunda mão do play-off, maior do que se deu”, lamentou.

Refira-se que o Torreense disputou o play-off de acesso à Liga com a final da Taça de Portugal pelo meio, situação que obrigou o clube a disputar três jogos decisivos em apenas oito dias.

No entanto, e sem querer escudar-se no contexto, Luís Tralhão enfatiza uma época “espetacular”.

Se me perguntassem na sexta-feira, no dia a seguir ao (segundo) jogo do play-off, sabia-me agridoce. Estava frustrado porque o nosso principal objetivo era, de há uns meses para cá, subir de divisão. E quando não atingimos o objetivo… se olhar para a árvore não estou a ver a floresta inteira e na sexta-feira estava mesmo triste”, recordou.

Dias depois, e aquando da entrevista à Agência Lusa, Luís Tralhão admitiu já conseguir vislumbrar “as outras” (árvores) e, por isso, considera a temporada “espetacular” e “brutal”.

Depois de ter alcançado o melhor arranque de sempre do clube na Liga 2, o Torreense perdeu algum gás no mês de dezembro, num ciclo negativo que culminou na saída do técnico Vítor Martins, que tinha iniciado a temporada no comando técnico, mas que fora substituído então por Luís Tralhão, promovido da equipa de sub-23 da equipa do distrito de Lisboa.

A mudança, de resto, teve impacto imediato. O Torreense venceu os quatros jogos seguintes e lançou-se novamente na luta pelos lugares cimeiros do campeonato, que manteve até ao final do campeonato, mas que não permitiu o regresso à Liga 34 anos depois.

A esperança de que tal desiderato possa acontecer a médio prazo, essa, continua a existir.

Acredito que o Torreense, num prazo temporal de curto/médio prazo, vai lá chegar. O clube tem vindo a dar passos cada vez mais consistentes nesse sentido, não só na afirmação do futebol profissional, como na Liga Revelação, no futebol feminino, que vai competir na Liga dos Campeões, no futsal, que tem vindo a cimentar a sua posição na 1.ª Divisão…”, justificou, notando que “mais dia, menos dia”, vai chegar “a vez” do Torreense.

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