Lucho, na sua estreia em Mundiais, representa a nova identidade da Colômbia e é o principal argumento ofensivo do conjunto orientado pelo argentino Néstor Lorenzo, que encontra no seu desequilíbrio a principal via de ataque.
"Agora só resta uma coisa: dar tudo por esta camisola, pelo meu país e por milhões de colombianos que sonham connosco", escreveu Díaz nas suas redes sociais após a oficialização da lista da Colômbia para o Mundial.
A Colômbia acabou por inclinar a sua estrutura de jogo para o impacto individual do ex-avançado do Liverpool e do FC Porto, em pleno declínio progressivo de James Rodríguez (34 anos), herói no Brasil-2014, cuja influência perdeu peso no futebol de elite.

A questão já não é se se depende dele, mas sim como o ajudar a não se desgastar.
Na sua recém-terminada primeira época pelo Bayern de Munique, na qual conquistou três títulos - Bundesliga, Taça da Alemanha e Supertaça da Alemanha -, Luis Díaz convive com automatismos ofensivos claros, apoios constantes e estruturas que potenciam o seu desequilíbrio. Na seleção, esse ecossistema nem sempre se replica, o que o obriga a redefinir o seu papel em cada jogo.
Nesse cenário surge James, figura do ciclo que levou a Colômbia aos quartos de final no Brasil-2014 e aos oitavos na Rússia-2018.
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Oito anos após o último Mundial disputado pelos cafeteros, a presença atual do antigo cérebro do Real Madrid é mais intermitente, condicionada pela falta de continuidade nos seus últimos clubes e pelas lesões recorrentes com que conviveu desde a Rússia-2018.
O desafio tático de Lorenzo
Como deve jogar a Colômbia para maximizar o impacto de Lucho sem depender exclusivamente da sua inspiração individual? Lorenzo enfrenta um dilema que combina planeamento tático e gestão de talentos num cenário de máxima exigência como um Mundial.
As derrotas frente à Croácia (2-1) e França (3-1) nos amigáveis de março nos Estados Unidos serviram de lição. Apesar dos resultados, o técnico cafetero afirmou que os encontros trouxeram "muita aprendizagem" e garantiu que a Colômbia "vai fazer um grande Mundial", apoiando-se no talento de Díaz.
"É um jogador espetacular. Lucho cresceu imenso e é o nosso jogador diferente, o único da seleção que temos numa equipa de elite", afirmou.

Nesse contexto, vozes do meio do futebol colombiano têm pedido equilíbrio na gestão emocional e competitiva do extremo.
"Como líder, como embaixador do nosso futebol, ele vai mostrar o que tem hoje. Não é preciso acrescentar-lhe nada. Não é preciso pedir-lhe nada. Ele vai senti-lo sozinho, é preciso libertá-lo e não lhe colocar mais um peso às costas", pediu o ex-futebolista Carlos "La Roca" Sánchez, mundialista com a Colômbia em 2014 e 2018.
A cicatriz de 1994
O palco da América do Norte não é estranho à memória do futebol colombiano. A final da Copa América 2024 frente à Argentina campeã do mundo consolidou uma equipa competitiva, embora a reta final das qualificações sul-americanas tenha exposto altos e baixos no seu rendimento.
Luis Díaz voltou a ser o farol ofensivo. James, em boa condição física mas sem continuidade na altura no São Paulo, voltou a ter protagonismo e foi eleito o melhor jogador da Copa América.
O regresso à América do Norte, agora em formato de Mundial, inevitavelmente reabre um capítulo histórico. Para os colombianos, o Mundial-1994 nos Estados Unidos ficou gravado como uma das experiências mais dolorosas da sua história futebolística e tornou-se reflexo da violência que marcou o país desde o final dos anos 50.

Esse torneio não deixou apenas uma má recordação de uma seleção que chegou como candidata após golear 0-5 a Argentina em Buenos Aires na qualificação mundialista e acabou eliminada na fase de grupos, mas também uma cicatriz profunda na memória histórica da Colômbia com o assassinato do futebolista Andrés Escobar após a eliminação, num ambiente de intolerância extrema.
Hoje, três décadas depois, a Colômbia regressa à América do Norte com um cenário diferente. Não é favorita, mas é respeitada e competitiva. E a esperança dos cafeteros tem um nome: Luis Díaz.
