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Embora jogue predominantemente como médio ofensivo, as suas estatísticas de golos e assistências não impressionam à primeira vista. Também não é um médio ofensivo típico, sobretudo no contexto da Primeira Liga. No entanto, apesar de todos estes fatores atípicos, já no verão passado atraía a atenção de clubes das principais ligas europeias.
Não é de admirar. Gustavo Sá tem vindo a provar, há já algum tempo, que é uma opção fiável para todo o tipo de jogos. Mais recentemente, esteve em evidência no encontro do campeonato frente ao FC Porto, no qual o Famalicão arrancou um empate (2-2) diante do líder. Esteve omnipresente no meio-campo, participou na génese da maioria das ações ofensivas da equipa e, graças ao seu físico e intensidade, revelou-se igualmente importante no momento defensivo.
Para os adeptos do futebol português, o nome Gustavo Sá já é bastante familiar. Para além das 14 internacionalizações como titular pela seleção portuguesa de sub-21, soma também mais de 100 jogos no campeonato e é o jogador mais jovem de sempre a atingir essa marca, tendo batido o recorde de João Moutinho em março deste ano.
É precisamente com o experiente médio do SC Braga que Sá mais se assemelha em termos de estilo de jogo. Ainda assim, apresenta uma vantagem clara: tem quase mais 20 centímetros de altura, sem que isso comprometa a sua mobilidade.

Caraterísticas físicas
Muito já foi dito na introdução. O caráter de Gustavo Sá impõe respeito em campo. Com quase 1,90 metros, leva vantagem sobre médios de menor estatura nos duelos aéreos, é difícil de desarmar e os confrontos físicos com ele são sempre intensos para os adversários. Apesar de disputar frequentemente bolas com defesas, apresenta uma taxa de sucesso acima da média no jogo aéreo, sendo que a sua eficácia global nos duelos ronda os 50 por cento.
Naturalmente, para além da sua estatura, evidencia também algumas limitações ao nível da agilidade. O facto de atuar muitas vezes em zonas mais adiantadas tem ajudado a atenuar essa debilidade, mas perante adversários mais rápidos e móveis, Gustavo Sá recorre por vezes à falta. Nesta época, já cometeu 68 infrações no campeonato e ficou de fora pelo menos uma vez em cada uma das quatro temporadas que disputou na Liga, devido à acumulação de cartões amarelos.
Em termos físicos, revela algumas limitações ao nível da velocidade, ficando por vezes em desvantagem em espaços mais amplos. Por outro lado, compensa em zonas de maior densidade. Com as suas pernas longas, boa leitura de jogo e, sobretudo, uma movimentação incansável, não concede um milímetro de espaço aos jogadores mais criativos. É por isso que se levanta a questão de saber se, no futuro, o seu posicionamento ideal poderá passar por uma função mais recuada, como médio defensivo.

Parâmetros técnicos
O seu físico robusto pode levar a pensar que Gustavo Sá não oferece grande perigo com bola, mas as suas qualidades técnicas explicam por que motivo está no radar de vários clubes europeus. Não hesita em arriscar no passe, acelerar o jogo e o seu cruzamento é tenso e preciso. Sempre que identifica uma oportunidade para lançar os avançados na profundidade, aproveita-a de imediato.
Não apresenta números elevados de golos e assistências, mas assume a construção ofensiva sem receio de falhar. Embora a sua taxa de sucesso de passe ronde os 75%, apenas ligeiramente acima da média para a posição, nos passes longos fica apenas cerca de dez pontos percentuais abaixo, o que o coloca ao nível dos médios dos três grandes - FC Porto, Sporting e Benfica. No que diz respeito a passes progressivos, está entre os melhores médios do campeonato. Esta época, já criou 33 ocasiões flagrantes para os colegas, sete das quais em zonas de maior perigo.
Ainda assim, Gustavo Sá não é um jogador de quem se espere que ultrapasse adversários em drible e deixe vários pelo caminho. Não é esse o seu perfil e, na maioria das vezes, essas tentativas não fazem parte do seu jogo. Também não é para isso que está em campo, nem se exige que o faça. Pelo que demonstra, tem plena noção das suas características.
Ainda assim, quando o jogo o pede, sobretudo em partidas de maior exigência, assume responsabilidades e conduz a equipa para terrenos mais adiantados, empurrando-a no sentido da baliza adversária.

Personalidade
Os pontos fracos do português de 21 anos já foram identificados: não é um driblador, um velocista, nem um jogador de lances vistosos que marquem os momentos altos da época. Ainda assim, apesar da juventude, demonstra uma grande maturidade em campo, sabendo explorar ao máximo as suas qualidades, perceber quando deve assumir o jogo e quando deve dar equilíbrio e critério à equipa.
Estas características ajudam a explicar a escolha de Hugo Oliveira ao atribuir-lhe a braçadeira de capitão no início da época. Gustavo Sá motiva os colegas de forma constante e mantém sempre um elevado ritmo competitivo. Nos contra-ataques, surge frequentemente na segunda vaga a apoiar a equipa, e nos momentos defensivos é dos primeiros a reagir e a ocupar os espaços necessários. Comunica de forma permanente em campo e a sua ausência, frente ao Rio Ave devido a castigo, refletiu-se no rendimento mais apagado e, por vezes, apático da equipa.
Também o treinador Hugo Oliveira vê no médio uma das grandes joias do plantel. “Sabemos que, com a qualidade que tem, não tardará a dar o próximo passo na carreira. É um jogador formado no clube e que sente o Famalicão. Mostra qualidade e o mundo do futebol está atento. Neste momento está totalmente focado no Famalicão e joga com grande paixão, mas é evidente que dará o salto no futuro”, afirmou.
Para onde se poderá mudar
Na janela de transferências do verão passado, o talentoso médio foi alvo de várias sondagens no mercado. Naturalmente, despertou o interesse dos três grandes portugueses, mas o seu percurso acabou por seguir outro rumo. A transferência para um dos principais campeonatos europeus parece apenas uma questão de tempo. No ano passado, clubes italianos como a AS Roma e a Atalanta avaliaram a sua disponibilidade, com valores a rondar os 15 milhões de euros, uma fasquia que, após esta época, deverá ter subido.
Em fevereiro, o Al Ittihad, da Arábia Saudita, orientado por Sérgio Conceição, apresentou uma proposta de 30 milhões de euros, mas o médio português optou por continuar no clube do coração. Há também referências a interesse de Juventus e Manchester City, embora sem propostas formais até ao momento. Uma eventual mudança para a Premier League representaria um grande teste para o jovem médio que, apesar de confortável no contacto físico, por vezes ainda evidencia dificuldades em acompanhar o ritmo mais elevado do jogo.
Avaliação
Gustavo Sá tem, sem dúvida, potencial para se afirmar como um dos principais jogadores do futebol europeu e como um dos pilares da seleção portuguesa. A sua maturidade física e competitiva, aliada a um perfil trabalhador e combativo, joga claramente a seu favor.
É muito provável que deixe o Famalicão no final da época e o seu futuro dependerá, em grande medida, das escolhas que fizer. O interesse das principais ligas europeias é expectável, sobretudo tendo em conta o rendimento que tem apresentado frente aos três grandes do futebol português. Ainda assim, FC Porto, Sporting e Benfica também deverão manter-se atentos à sua situação. Nestes contextos, porém, o caminho até à titularidade será exigente, tal como aconteceria na maioria dos clubes das ligas mais fortes. A hipótese de rumar a ligas do Médio Oriente continua a existir, embora tenha sido rejeitada pelo jogador no último mercado de inverno.
