Recuperação financeira: "Quando nós chegámos ao FC Porto a situação financeira era terrível, tínhamos oito mil euros na conta, tínhamos 15 milhões de euros para pagar em 15 dias e tínhamos 100 milhões de euros em quatro meses. Feito isso, chegámos a janeiro, mal no campeonato, estávamos em terceiro, e tivemos de vender jogadores. Vendemos Galeno para o Al Ahli, 50 milhões, e vendemos Nico González ao Manchester City, por 60 milhões. Portanto, levantámos mais 110 milhões de euros. Contratámos um treinador de topo, jovem e ambicioso, e devolvemos ao treinador o maior mercado de sempre da história do FC Porto, ou seja, investimos 100 milhões de euros em jogadores."
Valorização do plantel: "Agora o FC Porto tem o plantel mais valioso de sempre da sua história, 425 milhões. Em princípio, dentro deste grupo de talento que temos agora, William Gomes, Samu, Froholdt, Diogo Costa, temos a resolução da parte financeira. A partir daí, das transferências destes jogadores, é que começaremos, em realidade, a continuar a abater dívida que nos permita finalmente estabilizar do ponto de vista económico."
"Farioli? É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea"
Cláusula de 20 milhões de Farioli: "É muito bom, é especial. Se vai ser difícil segurá-lo? Hoje em dia, ao encontrarem os projetos certos, os treinadores tendem a ser muito mais cautelosos. Esse clube oferece estabilidade, condições de treino e a vantagem cultural e competitiva de um grande clube europeu. Penso que os técnicos estão a começar a escolher mais os projetos do que os próprios clubes. A Premier League atrai cada vez mais os melhores talentos, nós disputamos talentos até com os clubes do Championship, mas pensando na carreira, um técnico jovem como Farioli, aos 38 anos, quer escolher bem o seu próximo passo. Antecipámos a renovação em dezembro do ano passado, antes de conquistarmos o título. Acreditamos muito nele e ele em nós. Isso é muito bom. É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea, a cláusula dele é de 20 milhões de euros. Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro. Por isso fixámos uma cláusula de 20 milhões de euros."
Presidência do FC Porto: "Era o meu destino. Começou quando eu treinava o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A mensagem mexeu muito comigo e a partir daí fui assimilando cada vez mais a ideia. O FC Porto pertence aos sócios e eu candidatei-me em 2024 contra um presidente histórico que ganhou todos estes magníficos troféus. Ganhei as eleições e o meu propósito é servir o FC Porto e deixá-lo melhor do que estava quando assumi. Seria mais um sonho realizado."
Gnhar como presidente ou treinador? "Como presidente sente-se mais alívio, como treinador participa-se mais no processo. Como treinador o envolvimento direto nas táticas e nos treinos traz mais prazer imediato. Como presidente sente-se mais alívio, ansiedade e uma grande responsabilidade por servir os sócios e gerir a instituição."
Saudades do trabalho como treinador? "Houve um dia que mexeu muito comigo. Vinha a preparar-me há dois anos para as eleições e o choque emocional veio quando as ganhei e fui ao centro de treinos pela primeira vez, para encontrar-me com Sérgio Conceição. Reencontrar o relvado, sentir o cheiro da relva, ver as bolas, a organização... Foi um momento difícil, senti que aquele era o meu lugar, mexeu comigo, foi impactante, mas foi só nesse dia."
Pensa em voltar a ser treinador? "Não, na verdade não. Separei as coisas, dediquei a minha vida a este projeto, a servir o FC Porto. Nasci como adepto do FC Porto, lembro-me de ir aos jogos nos ombros do meu tio, aos seis anos. Ocupei vários cargos no clube e, quando Mourinho chegou, tornei-me adjunto dele como analista. Saí e voltei como treinador principal, ganhei a Liga Europa, o campeonato... Agora voltei como presidente, tenho uma ligação muito especial com o clube. É um propósito de vida que preciso de cumprir. É o destino."
