Recorde as incidências do encontro
Sem pressão, tudo é mais fácil para o Benfica. A temporada foi deixando isso evidente. Quando tinha de lutar pelo título, a equipa encarnada vacilou. Quando tinha o 2.º lugar na mão, entregou-o ao Sporting e, quando já não dependia de si para pelo menos conseguir o apuramento para a Liga dos Campeões, o Benfica... dominou.

Domínio chegou tarde
A primeira meia hora na Amoreira foi um festival ofensivo das águias. Muito consentido por um Estoril ingénuo, é certo, mas o 0-3 ao fim de apenas 16 minutos explica garante parte do que foi o jogo e até a época da equipa de José Mourinho, que tinha falado da necessidade de intervenção divina na antevisão a esta partida.
Bah foi o primeiro a ameaçar a baliza de Robles, ao saltar completamente sozinho na sequência de um canto, e embora Gonçalo Costa também tivesse cabeceado junto à trave de Trubin logo a seguir, o 0-1 não surpreeendeu. Schjelderup teve espaço à esquerda e encontrou Richard Ríos (7') ao segundo poste. O colombiano, de volta ao onze, encostou depois de Pavlidis chegar atrasado, mas também ter aparecido completamente sozinho.
José Mourinho viu a equipa de Ian Cathro perdida e pressionou a saída de bola dos canarinhos, que não conseguiram impor o seu futebol com bola e apresentaram uma imagem já conhecida no processo defensivo. O Benfica aproveitou e, com o Sporting ainda empatado, ganhou confiança com os golos consecutivos de Bah (14'), sozinho após pontapé de canto, e Rafa (16'), que finalizou de pé esquerdo após iniciativa de Prestianni.
O jogo mal tinha começado e já estava terminado. Ao Benfica, restava apenas aguardar boas notícias vindas de Alvalade, mas os 29km que separam o António Coimbra da Mota da casa leonina não trouxeram boas novas.
O Sporting colocou-se em vantagem e dilatou-a pouco depois. Se a informação chegou ou não aos jogadores do Benfica, não sabemos, mas o certo é que o ânimo caiu rapidamente e a partida arrastou-se lentamente para o intervalo sem histórias para contar, embora Prestianni fosse tentando agitar a partida para ainda convencer Scaloni a levá-lo ao Mundial.

Honra na despedida
A segunda parte parecia recomeçar em ritmo elevado, com Joel Robles a evitar o 0-4 de Rafa (46') com uma grande defesa, mas a direção da partida, tal como o vento na Amoreira, nem sempre é a mesma.

O Estoril, sem nada a perder, quis acabar a época com uma boa imagem, como conseguiu mostrar a espaços em 2025/26, e foi superior em ocasiões de golo na segunda parte. Trubin segurou um remate de Pedro Amaral e quase vacilou após tentativa de Begraoui, com Bah a aparecer a tempo de evitar o 1-3 em cima da linha, mas os motivos de interesse do encontro já eram outros.
A saída de Pizzi aos 57 minutos tornou-se no verdadeiro momento da noite. Figura histórica do Benfica e jogador do Estoril, o internacional português teve direito a guarda de honra nos últimos segundos como futebolista profissional e recolheu ao banco para assistir a meia hora de um jogo típico de fim de época.
Lukebakio (73') e Ríos (84') ameaçaram a baliza de Robles, mas foi Peixinho (90') a fechar o marcador com o 1-3 de pé esquerdo, sem hipóteses para Trubin. As duas despediram-se depois de uma época marcada por alguns rasgos de qualidade, mas que, quer de um lado, quer do outro, acabou aquém das expectativas. Ponto positivo: para o ano há mais.
Homem do jogo Flashscore: Richard Ríos (Benfica)
