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Bednarek: "Não posso usar corações vermelhos, não falamos de Lisboa, não vamos a Lisboa"

Bednarek em ação diante do Alverca
Bednarek em ação diante do AlvercaMiguel Lemos / Zuma Press / Profimedia

Jan Bednarek, central internacional polaco do FC Porto, falou à "Eleven Sports" da Polónia após o triunfo diante do Alverca (2-0), na jornada inaugural da Liga Portugal.

Recorde o FC Porto - Alverca

Titularidade na estreia da Liga Portugal: "Tive um problema nos ligamentos laterais, mas a estrutura não foi danificada. Por isso, tomei analgésicos para jogar. O FC Porto é trabalho duro."

Lesão na Supertaça: "O relvado estava trágico naquele jogo. Pela televisão não parecia tanto, mas nós estivemos no campo no dia anterior ao jogo e estava dez vezes pior. Na manhã do jogo pintaram a relva, por isso o efeito visual na televisão não foi assim tão mau. Queremos promover a liga portuguesa na Europa e coisas destas não ajudam. Queremos jogar ao mais alto nível, queremos dar alegria aos adeptos que veem pela televisão e, nestas condições, além de ser difícil jogar rápido e ao primeiro toque, também é perigoso, como se viu. Foi uma pena, mas felizmente não aconteceu nada de grave."

Triunfo diante do Alverca"Não estamos totalmente satisfeitos. Acho que o resultado está OK, é importante começar com uma vitória e sem sofrer golos, mas parece-me que perdemos a bola com demasiada facilidade em momentos simples, onde deveríamos ter mantido a posse no meio-campo e na frente. Faltou um pouco de calma para segurar a bola e, por causa disso, houve muita correria de um lado para o outro. Não, não foi bom, mas felizmente vencemos por 2-0. Esse pragmatismo manteve-se, o bom comportamento defensivo, as boas defesas do Diogo. Houve alguns bons momentos, mas acho que somos capazes de mais. Temos um lema na equipa: queremos mais. Fizemos história na época passada, houve uma celebração fantástica, mas acho que é altura de escrever uma história nova e é isso que queremos fazer. Temos fome de sucesso, queremos mais para esta cidade e para estas pessoas, porque sabemos quanta felicidade lhes deu a época passada. Exigimos mais de nós próprios."

Importância da pré-temporada: "Na minha carreira, nunca tive uma pré-época em que treinássemos tão arduamente, onde tivéssemos de quebrar barreiras mentais, porque foi mesmo muito, muito difícil. Mas isso mostra que o trabalho duro compensa. Acho que ninguém se queixou, todos sabíamos que o estávamos a fazer por um objetivo, e esse objetivo é estarmos em forma durante a época. Esse é o nosso plano."

Rivalidade com clubes de Lisboa: "Não posso usar corações vermelhos. É um pouco engraçado. Às vezes, se usas um coração vermelho, mesmo que tentes levar na brincadeira, sentes uma certa dose de seriedade de que não deves fazê-lo. Acho que já todos sabemos que no WhatsApp enviamos corações azuis, não falamos de Lisboa, não vamos a Lisboa, porque o Porto é fantástico e aqui somos todos felizes."

Paixão pelo FC Porto na Invicta: "Vê-se em tudo, mesmo no dia a dia. Um ou dois dias depois da Supertaça, fui com a minha esposa a um pequeno mercado comprar peixe fresco e recebi uma ovação das senhoras mais velhas enquanto passava pelos corredores, porque tínhamos ganho. Isso mostra como as pessoas aqui vivem isto. Não só os jovens ou as famílias com crianças, mas também os mais idosos. Há este culto de apoiar a equipa, uma fé na comunidade, e sente-se isso em cada esquina. Há uma pressão enorme no FC Porto, mas acho que isso nos ajuda, porque as pessoas simplesmente amam este clube, amam o Porto como cidade e dariam a vida por ele. Acho que mostramos isso em muitos momentos difíceis em campo: mesmo quando as coisas não correm bem, lutamos, somos uma equipa unida e, como se vê, isso ajuda muito a ganhar."

Pietuszewski: "Acompanho-o de perto e vejo as coisas de outra perspetiva. Vejo o enorme potencial que o Oskar tem. O que espero dele como colega de equipa é consistência. Que não sejam apenas um ou dois lances por jogo, mas sim quatro, cinco ou seis, e acho que ele é capaz disso. O que lhe explico e o que vejo é que ele vive demasiado a jogada anterior, vive demasiado o passado e não se foca na jogada seguinte, o que prejudica um pouco a tomada de decisão. Mas acho que ele ainda tem tempo para cometer esses erros. Só tem 18 anos e temos de lembrar-nos que é muito jovem, mas tentamos mantê-lo com os pés no chão. Claro que agora é difícil, está num período mais complicado com a lesão e algumas desilusões, mas acho que o Oskar é forte mentalmente e isso só o tornará mais forte. O burburinho é enorme, temos noção disso, não só na Polónia, mas também em Portugal. O mais importante é que ele mantenha a tranquilidade."

Ajuda da mãe de Pietuszewski: "A mãe está em cima dele, trata-o com rédea curta, muito bem. Um beijinho para a mãe Iwona. O Oskar é um bom rapaz, trabalha muito, é muito ambicioso. Vamos dar-lhe um pouco de sossego. Ele precisa de espaço para cometer erros, para ganhar calma e experiência, porque nesta idade é difícil manter os pés no chão com tanto barulho à volta dele."

Comparações com Pepe: "Não podes comparar assim. O Pepe é um herói de culto aqui. Não se faz isso, é mau. Um abraço ao Pepe, obrigado. Os nossos filhos andam na mesma escola".

Evolução ao serviço do FC Porto: "No transporte e saída de bola, com certeza. Acho que trabalhamos muito isso, encontrar espaços e sair sob pressão. Também no um para um na defesa. Quando pressionamos alto, ficam grandes espaços atrás e acho que o meu posicionamento está bastante bom. Ganho muitos duelos. Provavelmente também pela força, mas a maior parte vem da experiência e da astúcia no posicionamento. Pequenos detalhes que um adepto comum não notaria, mas que ajudam muito. De que lado estar do atacante, de que lado pressionar, para que pé... Se for uma posição difícil de ganhar, dar um pequeno encontrão para ele dominar a bola para três metros de distância, onde já está um colega nosso. Essas pequenas coisas ajudam e acho que, no fim de contas, se tivesse de dizer uma coisa, seria a consistência. Houve muitos jogos na época passada, joguei praticamente todos e acho que essa é a minha maior força: conseguir estar a um nível semelhante a cada três dias e não descer para um certo patamar."

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