Recorde aqui as incidências do encontro
Exatamente uma semana depois de vencer no Estádio de Alvalade, onde registou o quinto triunfo consecutivo, o Académico de Viseu encarou a receção ao Rio Ave como mais uma oportunidade para confirmar o rótulo de equipa-sensação da Liga Portugal. Afinal, depois de vencer o Sporting, Bruno Pinheiro até teve de responder a questões sobre objetivos europeus, mas o Fontelo viveu outro tipo de sensações na receção a um Rio Ave que quer crescer, apesar das dores provocadas pela goleada (0-4) da ronda anterior.

Sensação de perigo
O estado de espírito era, por isso, bem distinto, mas quem não olhasse para a tabela e para os últimos resultados não teria como saber quem estava na mó de cima. É que o Rio Ave entrou pressionante, dinâmico e perigoso, quase como se a equipa de Vasco Seabra andasse efetivamente a lutar por lugares europeus.
Pela frente, os vila-condenses começaram a esbarrar em Ewerton. O guarda-redes do Académico "virou Neuer", como se diz tantas vezes no Brasil, embora nem tenha sido chamado a intervir assim tantas vezes. É que, apesar do domínio do Rio Ave, faltou a eficácia que distingue os melhores dos bons - Bezerra e Blesa, com tudo para abrir o ativo, nem acertaram na baliza.
Ainda a tentar organizar-se, o Académico até podia ter aberto o ativo no primeiro lance de contra-ataque dos viseenses. A construção da jogada foi bem definida, mas o remate de Clóvis teve como destino as malhas laterais da baliza do regressado van der Gouw.
Quem teve mesmo de sujar o equipamento foi Ewerton. O guardião brasileiro começa a afirmar-se como um dos melhores da sua posição a jogar em Portugal e tirou a Liavas (13') a possibilidade de festejar o 0-1. Seria o melhor golo da carreira do grego, só que a estirada do guarda-redes do Académico não se ficou nada atrás.
Tirar segundos para respirar era quase proibido e o sinal mais continuava a pertencer à equipa de Vasco Seabra. Com dificuldades na primeira fase de construção, tal era a pressão do Rio Ave, o Académico acabou por ceder num golo quase histórico: Miguel Patrício (38') cabeceou o cruzamento de João Tomé para o fundo da baliza de Ewerton e, 46 jornadas depois, a equipa de Vila do Conde voltou a celebrar um golo de um jogador português.
Fôlego acabou no erro de Van der Gouw
As diferenças no Rio Ave de Vasco Seabra já são evidentes, mas a ida para os balneários acabou por servir mais ao Académico do que à equipa visitante. Os 15 minutos de descanso não foram suficientes para repor o fôlego, mas permitiram a Bruno Pinheiro dar as indicações necessárias para elevar o rendimento dos beirões na segunda parte.

Depois de 45 minutos de aperto, o Académico deu a provar do mesmo veneno ao Rio Ave e forçou os vila-condenses a errar. Kahraman e Mortimer deram o aviso a van der Gouw, mas o neerlandês não fez caso e acabou por entregar o ouro ao bandido. O passe para Clóvis, perante a pressão alta dos viseenses, resultou no empate de Messeguem (69'), que, sem guarda-redes, apenas teve de encostar para o 1-1.
A reta final do encontro prometia, mas o ascendente já tinha mudado claramente de lado e o Rio Ave não encontrou forças para discutir o resultado, nem sequer para o defender. Clóvis (77') concluiu uma bela jogada de ataque dos viseenses, reencontrou-se com os golos e ofereceu a sexta vitória consecutiva na Liga ao recém-promovido (!) Académico. Continua a ser cedo para falar em Europa, mas já não há dúvidas sobre o tal rótulo de sensação.

Homem do jogo Flashscore: André Clóvis (Académico)

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