O período de registo nas provas distritais está a terminar, mas a Boavista SAD optou por não submeter a documentação necessária, numa altura em que trabalha num novo plano de recuperação e procura travar a liquidação, prevendo só atuar com a equipa de sub-19 na respetiva II Divisão nacional.
De acordo com a AF Porto, a vaga dos axadrezados vai ser ocupada pelo Varziela, terceiro classificado do terceiro escalão distrital, ao qual sobe de forma administrativa o Perosinho, terceiro da Série 5 do quarto patamar.
Em 2025/26, uma temporada depois da despromoção da Liga Portugal, a Boavista SAD desceu à segunda divisão da AF Porto, ao fechar o principal escalão na 17.ª e penúltima posição, com 14 pontos, a 28 da zona de manutenção.
A sociedade jogou como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, que está inutilizado há mais de um ano, e tem quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.
Essas restrições já tinham vigorado em anos anteriores e reapareceram em 2025, travando a utilização de reforços e forçando a Boavista SAD a alinhar com atletas dos sub-19, que se manteve na II Divisão nacional do escalão.
Em 12 de maio, o tribunal decretou a liquidação da sociedade depois de o administrador de insolvência, Reinaldo Mâncio da Costa, decidir não levar o plano de recuperação a votação, devido à provável rejeição dos credores.
A Boavista SAD apresentou um novo plano, que vai ser votado em 11 de agosto e reduz ao mínimo indispensável a atividade desportiva da sociedade axadrezada, contemplando exclusivamente a equipa de sub-19.
Em paralelo, o Boavista clube pode encerrar a atividade em breve, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025.
A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até sexta-feira, mas o movimento Salvar o Boavista angariou cerca de 85.000 euros nas últimas duas semanas e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube.
Perante essa mobilização, a direção do clube apresentou um requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora de insolvência e poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa, mas ainda não teve resposta.
A Câmara Municipal do Porto aprovou por unanimidade uma moção conjunta em que reafirma o compromisso com a salvaguarda da relevância social do Boavista, cujo 123.º aniversário é celebrado no sábado, tendo o executivo liderado por Pedro Duarte, da coligação PSD/CDS-PP/IL, mostrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções.
Os axadrezados submeteram no tribunal um plano de recuperação, um dia antes do anúncio do encerramento da atividade, e filiaram-se na AF Porto para a nova época, sem saberem em que escalões podem competir.
O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME) entre clube e SAD, mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.
Fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting, o clube detém 10% do capital social da SAD, que ficou sem equipa profissional e foi relegada administrativamente para os escalões distritais, devido a problemas financeiros.
Ao descer pela via desportiva à Liga 2 em maio de 2025, a Boavista SAD encerrou uma passagem de 11 épocas seguidas pelo escalão principal, no qual se tornou um dos cinco campeões nacionais da história do futebol português em 2000/01.
