Um Chuchu da Madeira
Em 2023/24, Chuchu Ramírez foi uma das figuras da subida do Nacional à Liga, o que lhe valeu um salto para o Vitória SC. Em Guimarães, contudo, o avançado venezuelano nunca conseguiu afirmar de forma consistente a veia goleadora que o tinha destacado na Madeira.
Terminada a aventura no Minho, Chuchu deu um passo atrás para voltar ao arquipélago madeirense e reencontrar-se com as cores do Nacional no principal escalão do futebol português. A aposta revelou-se certeira: o ponta de lança voltou a ganhar protagonismo e fechou a temporada em grande estilo, com um bis decisivo que confirmou a permanência da equipa orientada por Tiago Margarido.
"Deixei claro ao presidente que agora quero dar o salto. Estive perto de ir para o Fluminense FC a meio do ano, mas, por pequenos detalhes, o negócio não avançou", assumiu Chuchu.

Estrelinha da Amadora
Cristiano Bacci foi chamado de urgência para as três últimas jornadas do campeonato e acabou por garantir a permanência sem somar qualquer vitória.
Na 34.ª e última ronda da Liga, o Estrela da Amadora tinha, em teoria, o desafio mais complicado entre as equipas envolvidas na luta pela manutenção, ao deslocar-se ao terreno do SC Braga. Aos 90 minutos, os tricolores tinham um pé e meio no play-off de permanência, mas, já no último suspiro da partida, Stefan Lekovic surgiu para resolver as contas e garantir a salvação direta.
Famalicão histórico
O Famalicão encerrou a temporada com um triunfo frente ao Alverca (1-0), resultado que serviu para colocar o selo final numa das épocas mais marcantes da história recente do clube minhoto.
A formação famalicense voltou a demonstrar a identidade competitiva que a acompanhou ao longo da temporada: uma equipa organizada, intensa e capaz de competir de igual para igual com qualquer adversário do campeonato. Muito desse crescimento coletivo esteve ligado ao trabalho desenvolvido por Hugo Oliveira, que conseguiu construir uma equipa equilibrada, resiliente e com uma ideia de jogo muito clara.
Ao longo da época, o técnico foi encontrando soluções para diferentes momentos da temporada, gerindo lesões, oscilações de forma e alterações no onze sem nunca perder competitividade. Mais do que potenciar individualidades, o treinador dos famalicenses teve o mérito de juntar as várias peças do puzzle e transformar o Famalicão num conjunto sólido e consistente.

A despedida de Pizzi
Luís Miguel Afonso Fernandes. Ou, para muitos adeptos, simplesmente Pizzi. O internacional português colocou um ponto final na carreira no último fim de semana, na receção do Estoril Praia ao Benfica (1-3), num daqueles acasos especiais que o futebol tantas vezes proporciona. Afinal, foi precisamente de águia ao peito que o criativo viveu alguns dos momentos mais marcantes e gloriosos da carreira.
Com visão de jogo refinada, qualidade técnica acima da média e uma capacidade rara para aparecer em zonas de decisão, Pizzi marcou uma geração do futebol português. Entre assistências, golos e títulos, construiu um percurso sólido, consistente e repleto de momentos decisivos, tornando-se numa das figuras mais influentes do Benfica na última década.
Os números ajudam a explicar a dimensão da carreira: 346 jogos e 75 golos na Liga portuguesa, registo impressionante para um médio ofensivo que sempre privilegiou o coletivo, mas que nunca se escondeu da responsabilidade nos momentos decisivos. Mais do que os números, fica a imagem de um jogador inteligente e profundamente ligado ao jogo.
O ano agridoce do Tondela
16 de maio de 2025: o Tondela celebrava em Leiria o regresso ao principal escalão do futebol português.
16 de maio de 2026: o mesmo Tondela saía derrotado do terreno do Arouca e confirmava a descida de divisão.
Um ano depois da festa, chegou a desilusão. O emblema beirão nunca conseguiu verdadeiramente estruturar-se para enfrentar o regresso à Liga, atravessando uma temporada marcada pela instabilidade e por sucessivas mudanças no comando técnico. Ivo Vieira, Cristiano Bacci e Gonçalo Feio passaram pelo banco auriverde numa tentativa constante de inverter o rumo dos acontecimentos.
Contudo, os problemas acabaram por ser demasiado profundos. O Tondela passou grande parte do campeonato em posições de descida e nunca conseguiu ganhar estabilidade suficiente para fugir aos lugares perigosos. O cenário acabou por confirmar-se na 34.ª e última jornada, encerrando de forma amarga uma temporada que começou ainda com o entusiasmo da subida.

