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No Benfica desde os 12 anos, Diogo Spencer estreou-se pela equipa principal das águias em 2024, naquele que seria o seu único encontro oficial pelo clube. Depois de continuar a evoluir na equipa B, rumou ao AFS, por empréstimo, no arranque de 2025/26, para a primeira experiência regular no principal escalão do futebol português.
Apesar das dificuldades coletivas da formação de Santo Tirso, o jovem defesa deixou uma excelente impressão, com três golos e duas assistências em 16 encontros. Seguiu-se uma transferência definitiva para o Alverca, onde inicialmente encontrou pouco espaço.

O cenário mudou no arranque da presente temporada. Com Sérgio Ferreira ao leme, Spencer ganhou uma nova vida. Passou a ser uma opção efetiva para o corredor direito, sobretudo como ala, numa função que lhe permite explorar os atributos ofensivos e chegar frequentemente ao último terço.
Os resultados estão à vista: três assistências, duas delas na vitória sobre o Nacional (1-3) e outra na goleada em Famalicão (1-4), encontros nos quais foi distinguido como melhor em campo pelo Flashscore.
Um lateral com vocação ofensiva
Longe de ser um lateral preocupado exclusivamente com as tarefas defensivas, Spencer procura constantemente oferecer profundidade, aproximar-se da área adversária e participar na construção das jogadas.
O mapa de calor revela uma presença particularmente acentuada no corredor direito, sobretudo em zonas adiantadas, confirmando a importância na dinâmica ofensiva do Alverca.

Os dados da Opta ajudam a perceber o impacto do jogador nos ribatejanos. Em 429 minutos, Spencer registou 271 toques na bola, 48 conduções e 128 passes, dos quais 90 foram bem-sucedidos (70%).
Mais robusto fisicamente, destaca-se pela velocidade, capacidade de condução e facilidade com que procura o drible ou o cruzamento. É um jogador atrevido, tecnicamente evoluído e que não vira a cara à luta, mostrando disponibilidade para disputar cada lance.

Os números reforçam essa ideia. Com médias de 1,7 oportunidades criadas, 1,9 dribles tentados e 2,1 toques na área adversária por 90 minutos, Spencer apresenta indicadores ofensivos interessantes para um defesa.
Na comparação da Opta com jogadores da mesma posição nas cinco principais ligas europeias, surge no percentil 98 nas oportunidades criadas, 96 nos toques na área adversária e 87 nas tentativas de drible. Valores que, embora assentes numa amostra ainda reduzida, evidenciam o seu perfil ofensivo.

Naturalmente, há aspetos a aperfeiçoar, sobretudo na consistência defensiva e na eficácia de passe, mas o potencial está à vista.

Um reencontro especial
Agora, o destino proporciona-lhe um desafio com um significado diferente. Spencer vai regressar ao Estádio da Luz para defrontar, pela primeira vez, o Benfica, clube que representou durante grande parte da formação e onde concretizou o sonho de chegar à equipa principal.
Perante um adversário que certamente colocará à prova as suas capacidades defensivas, o lateral terá oportunidade de mostrar quanto evoluiu desde a saída do Seixal.

Há dois anos, estreava-se de águia ao peito. Agora regressa à Luz com outras cores, maior maturidade e vontade de provar que encontrou o seu espaço no principal escalão do futebol português.
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