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Em entrevista ao Flashscore, Bacci fala da procura por estabilidade, da imagem de treinador pragmático, da passagem ao lado de Razvan Lucescu, da proposta para trabalhar com José Mourinho, da ligação especial ao futebol português e do desejo de encontrar um projeto onde possa, finalmente, dar maior continuidade à sua ideia de jogo.
Mais reconhecido em Portugal do que em Itália, não esconde a vontade de regressar ao futebol luso, mas garante que não tem pressa. O objetivo é claro: construir, consolidar e dar o salto no momento certo.

"Todas as experiências são positivas, incluindo aquelas que não acabam bem"
- Cristiano, passaram alguns meses desde aquela noite em Braga em que garantiu a permanência do Estrela da Amadora. Quando olha para essa imagem e para aquilo que conseguiu alcançar pelo clube, o que sente agora, passados estes meses?
O mesmo. Foi um orgulho, porque representar aquela equipa foi verdadeiramente uma honra para mim. Foi um prazer e também um objetivo pessoal, depois de um ano e de uma temporada muito difíceis. Por isso, estou muito feliz por aquilo que aconteceu.
- Disse, na altura, que precisava de estabilidade e que queria finalmente ter tempo para construir alguma coisa. Continua a ser essa a prioridade para o próximo projeto?
Certo. Até agora, recebi propostas que não me agradaram nesse sentido...
- Está, então, disposto a esperar mais tempo pelo projeto certo em vez de aceitar novamente um desafio que o obrigue a entrar de emergência para resolver um conjunto de problemas?
Estou consciente de que não vou entrar numa equipa que esteja no primeiro lugar da tabela. É normal que possa ter de entrar numa situação, entre aspas, complicada. Apesar de ser difícil, o meu objetivo é trabalhar com continuidade e manter esta postura.
Uma coisa é entrar num grupo com problemas, entre aspas, na tabela classificativa. Outra é entrar num projeto difícil porque existem problemas financeiros, saídas de jogadores ou problemas entre o clube e a SAD. Tento evitar problemas que estejam fora das quatro linhas.
- Por vezes, nunca sabemos exatamente onde vamos entrar, mas esse é o seu principal objetivo.
Muitas vezes, um treinador sabe aquilo que tem pela frente. No meu passado recente, sabia mais ou menos todas as situações que iria encontrar. É normal que, depois, quando estamos lá dentro, aconteçam coisas que se calhar não esperávamos, mas um treinador sabe mais ou menos aquilo que pode encontrar.
- Nos últimos tempos passou por projetos muito difíceis, nomeadamente Boavista, Tondela e Estrela da Amadora. Essas experiências tornaram-no um treinador melhor ou impediram que o Cristiano Bacci se apresentasse verdadeiramente enquanto treinador?
Acho que todas as experiências são positivas, incluindo aquelas que não acabam bem, porque nos marcam e também fazem crescer qualquer treinador. É normal que eu, enquanto treinador e tendo os meus princípios, tenha de me adaptar à qualidade dos jogadores, como todos os treinadores do mundo. Se a qualidade não é fantástica, é mais difícil transmitir o pensamento e a ideia de futebol que temos na nossa cabeça. Acho que isso é claro, sem faltar ao respeito às equipas que treinei, porque me deram a oportunidade de trabalhar.
- Ficou alguma mágoa por não ter tido, até agora, um projeto ou uma equipa onde pudesse mostrar de forma mais evidente a sua ideia de jogo?
Não é exatamente assim. Como disse, todas as experiências são positivas. Posso dizer que, às vezes, fui rotulado como um treinador defensivo, um treinador que tenta ser o mais pragmático possível. Na minha opinião, um treinador inteligente tem de se adaptar à situação que tem pela frente. Não pode fazer coisas para as quais não tem condições e tentar transmitir aos jogadores algo em que depois vão falhar. Por isso, não estou absolutamente arrependido das coisas que fiz. É normal que tenha tido de me adaptar às situações em que trabalhei.

"Foi uma honra ter estado no Boavista"
- Quando chegou ao Boavista, na sua primeira experiência no regresso a Portugal como treinador principal, disse que era um treinador pragmático, que procurava organização, identidade e uma mentalidade forte. Passados estes dois anos, o Cristiano Bacci continua a ser esse treinador?
Vou continuar a ser, porque acho que um treinador tem de ser assim. Essa é a base. Depois, tem de se adaptar à qualidade dos jogadores, ao clube e também aos adeptos, porque há clubes que precisam de um tipo de treinador e outros que precisam de outro.
Como já disse, identifiquei-me muito bem com emblemas históricos como Boavista e Estrela da Amadora. Sem faltar ao respeito ao Tondela e ao Moreirense, que considero dois clubes importantes, mas diferentes em termos de peso e história.
- Em relação ao Boavista, fica triste ao ver aquilo que aconteceu ao clube e toda a crise financeira que atravessou?
Aprendi uma palavra importante no Boavista: ser boavisteiro. Só quem passou por ali entende verdadeiramente o que isso significa. É um clube com muito peso, em todos os sentidos. Por isso, não estou nada feliz com aquilo que aconteceu, com certeza.
Foi um período muito difícil, mas também guardo na minha cabeça momentos muito importantes e positivos, mesmo no meio de toda aquela negatividade. Foi verdadeiramente uma honra ter estado ali.
- Há alguma ideia de que tenha sido quase obrigado a abdicar nestes últimos anos? Muitas vezes, entrou em projetos em que precisava de resultados imediatos e de atingir objetivos difíceis, mais do que propriamente apresentar um futebol bonito. Teve de abdicar de algum dos seus princípios por causa dessa necessidade de vencer?
Acho que o objetivo final é consequência de todo o trabalho que fazemos no dia a dia. O trabalho diário engloba um conjunto de ideias, momentos difíceis e outros menos difíceis. Quando estamos a lutar pela manutenção, é normal atravessarmos muitas situações complicadas: derrotas, a reação às derrotas e a reação a momentos difíceis.
Muitas vezes, é necessário trabalhar mais a cabeça dos jogadores do que propriamente aquilo que acontece dentro das quatro linhas. Os meus princípios de futebol são claros e simples. Acho que, quanto mais complicada for a mensagem que transmitimos aos jogadores, mais difícil será aplicá-la em campo durante o jogo.
É normal que dê importância à organização defensiva, porque acho que as casas se constroem a partir dos alicerces. Depois, há a qualidade dos jogadores e a liberdade que têm para interpretar o jogo e chegar ao objetivo comum, seja ele a manutenção ou qualquer outro objetivo que uma equipa tenha durante a época.

Do agradecimento a Lucescu à nega a Mourinho: "Não era o caminho certo"
- Recuando um pouco na sua carreira, quando sai de Portugal depois da passagem pelo Olhanense inicia um percurso de vários anos ao lado de Razvan Lucescu, no PAOK e no Al-Hilal. O que retirou dessa experiência tão marcante com o Razvan?
Antes de tudo, Razvan é uma pessoa que, mesmo deixando o futebol de lado, marca a diferença pela positiva devido à sua inteligência. Aprendi como é que uma pessoa, num clube importante, deve lidar com a pressão, os jogadores e com os jornalistas. Só isso já tornou a experiência verdadeiramente positiva.
Depois, a nível de campo, foi muito bom trabalhar em países diferentes, trabalhar na Grécia e no Al-Hilal, na Arábia Saudita, e ganhar todos os títulos que ganhámos. Também trabalhámos com jogadores muito importantes. A nível técnico, posso dizer que essa experiência também me ajudou a crescer no plano ofensivo, sem dúvida. Por isso, foi uma experiência muito positiva. Agradeço-lhe muito.
- Trabalhou na Arábia Saudita há alguns anos, ainda antes da chegada de tantas estrelas ao campeonato. Naquela altura, já percebeu que estava a ser construído algo que poderia resultar naquilo a que estamos a assistir atualmente?
Quando lá cheguei, a Arábia Saudita já estava num nível alto. Treinei Giovinco, Gomis e Carrillo. Ganhámos a Liga dos Campeões Asiática e fomos ao Mundial de Clubes, onde fomos derrotados apenas na meia-final pelo Flamengo. Por isso, o nível já era alto, de topo.
Agora, é normal que o dinheiro tenha aumentado e as expectativas também tenham aumentado, mas, naquela altura, e estou a falar de 2020, a Arábia Saudita já era mais ou menos aquilo que é agora.
- Há depois um momento em que, passados vários anos como adjunto, decide que quer voltar a ser treinador principal. Como tomou essa decisão? E é verdade que chegou a existir a possibilidade de continuar como adjunto, desta vez com José Mourinho?
Sim, é verdade. Fiz um caminho diferente. Antes era treinador principal e depois passei a adjunto. Na verdade, nunca tinha sido adjunto. Decidi fazê-lo porque senti que me faltava alguma coisa.
Aprendi muitas dinâmicas porque, enquanto adjunto, estamos mais próximos dos jogadores importantes e conseguimos perceber melhor aquilo que funciona e aquilo que não funciona. É normal que a ligação entre o treinador adjunto e os jogadores seja diferente daquela que existe entre o treinador principal e os jogadores. É uma relação mais pura.

Isso ajudou-me muito a perceber as verdadeiras dinâmicas do balneário e do clube. Quando chegou o momento de voltar a ser treinador principal, foi como concluir um percurso e regressar novamente à função de principal.
- Olhando agora para tudo aquilo que aconteceu, faria exatamente a mesma escolha? Ou seja, deixar de ser adjunto para voltar a treinador principal? E foi difícil dizer não à possibilidade de trabalhar com José Mourinho?
Gosto de sair sempre da minha zona de conforto. Teria sido muito mais fácil continuar como adjunto, mas sentia que esse não era o caminho certo. Por isso, estou agora a fazer aquilo que já tinha na minha cabeça há muitos anos.
- Já treinou Olhanense, Boavista, Moreirense, Tondela e Estrela da Amadora. O que é que Portugal lhe ensinou enquanto treinador que não tinha aprendido em Itália, onde fez o seu percurso como jogador e começou também a treinar?
Antes de tudo, tirei o curso UEFA Pro em Portugal. Por isso, posso dizer que, a nível de futebol, estou mais próximo de Portugal do que de Itália. A grande diferença entre Itália e Portugal está nos jovens. As equipas portuguesas apostam mais nos jogadores jovens e no seu crescimento.
Em Itália, as equipas são mais velhas e a pressão também é um pouco diferente. Os resultados são sempre importantes em qualquer parte do mundo, mas, em Itália, existe uma obrigação mais imediata de obter resultados. Em Portugal, dão um pouco mais de tempo para trabalhar, porque sabem que as equipas são construídas com muitos jovens e, por isso, precisam de mais tempo.
- Já disse que Portugal é particularmente fértil no desenvolvimento de jovens jogadores e que gosta muito desse trabalho. Por que razão acha que consegue trabalhar tão bem com os mais jovens? É pela vontade e pela fome que têm de chegar ao topo?
Sim, porque são mais limpos. São diamantes por lapidar. Têm qualidade, mas essa qualidade tem de ser um pouco encaminhada. É aquilo que gosto de fazer dentro e fora do campo, ajudar no crescimento geral. Também sou pai e, por isso, conheço muito bem as dinâmicas dos jovens. Sinto-me confortável nesse trabalho.
- E já pensou como é que um país tão pequeno como Portugal consegue produzir tantos jovens jogadores de qualidade?
É verdade. Antes de tudo, Portugal está de parabéns, porque é um trabalho feito ao longo de muitos anos, desde as camadas jovens. Lembro-me de defrontar, na Segunda Liga, equipas B como Sporting, Benfica, FC Porto, Vitória SC e SC Braga, onde havia muitos jogadores que agora estão em grandes clubes e nas principais ligas europeias. É um trabalho feito com paciência e que agora está a dar frutos.

Tondela? "Quem me conhece não precisa de mais explicações"
- Já explicou publicamente a sua versão sobre aquilo que aconteceu em Tondela e não quero obrigá-lo a repetir tudo novamente...
Se puder, prefiro não voltar a falar sobre isso. Já falei muitas vezes e não quero explicar novamente o que aconteceu.
- Interessa-me mais perceber aquilo que ficou depois desse episódio. Disse, na altura, que precisava de limpar a sua imagem. Sentiu que aquilo colocou em causa a perceção que as pessoas tinham de si e os anos de carreira que tinha construído?
A resposta está no facto de ter sido convidado, um mês e meio depois daquilo que aconteceu, por uma equipa portuguesa. Essa foi a minha resposta. Quem me conhece não precisa de mais explicações. E quem não me conhece e fica preso a isso significa, na minha opinião, que não percebe de futebol.
- Entre a saída do Tondela e o convite do Estrela da Amadora, chegou a pensar que poderia ser difícil voltar a trabalhar tão rapidamente em Portugal?
Não, porque sabia que aquilo que aconteceu foi claramente um episódio de futebol. O problema foi ter sido manipulado, mas o clube retratou-se imediatamente depois daquilo que aconteceu. Não fui eu que falei depois do sucedido. Não sei por que razão aquilo saiu, mas infelizmente saiu. Agora já ficou para trás. Eu olho sempre em frente, nunca para trás.
- Portanto, conseguiu fechar completamente esse capítulo?
Sim. Como já disse, o meu estilo de vida é sempre esse: olhar em frente, nunca para trás.

"Rejeitei uma proposta de um clube muito importante"
- Disse uma vez que um treinador que afirma conseguir desligar-se do futebol não está a dizer a verdade. Cristiano Bacci consegue, por exemplo, jantar ou almoçar sem pensar em futebol?
Com a experiência podemos melhorar, mas é impossível desligar completamente. Acho que os treinadores de topo, e eu não sou um treinador de topo, são o exemplo mais claro. Guardiola, por exemplo, ou Klopp. Não é por acaso que, a determinada altura, desligam de tudo isto. Se não o fizermos, é impossível trabalhar e pensar noutras coisas. O futebol é uma coisa que entra dentro de nós. São 24 horas por dia. É normal que, muitas vezes, a família tenha de ter paciência, porque é aquilo que acontece a todos nós.
- E o que é que mais o apaixona no futebol?
O trabalho de campo. É aquilo que mais me apaixona. Encontrar soluções depois de analisar uma equipa adversária é outra das coisas de que gosto. Encontrar a melhor estratégia para ganhar o jogo.
- Depois de tantos países, clubes e situações, umas mais complicadas do que outras, ainda há alguma coisa que assuste Cristiano Bacci ou sente que está preparado para tudo?
Rejeitei uma proposta de um clube muito importante para esta época. Era um clube muito importante, mas que agora está numa situação de guerra. Por isso, a guerra assusta-me.
- Só isso?
Outras coisas relacionadas com o futebol, não. Nada me assusta.
- Em Itália, já disse algo curioso: 'As coisas fáceis não me agradam.' Continua a identificar-se com essa frase?
É verdade. Não posso dizer que não. Mas os convites que tive foram mais ou menos assim. Se calhar, isso acontece porque reconhecem que sou um treinador que resolve situações difíceis. Espero que, no futuro, apareça alguma coisa mais fácil (risos).
- Depois de ter construído praticamente toda a sua carreira como treinador fora de Itália, sente que é mais reconhecido em Portugal do que propriamente no seu país?
Com certeza absoluta.
- E tem pena que assim seja?
Não é uma questão de ter pena. O meu problema é que a minha família vive em Itália. É normal, sou italiano, mas, a nível de futebol, tenho mais visibilidade em Portugal.
- Portanto, essa diferença de reconhecimento entre Portugal e Itália não é algo que o incomode?
Não. A única diferença é ter a minha família aqui em Itália. Essa é a única dificuldade objetiva que tenho. De resto, para mim não existe qualquer problema. Vivo bem em Portugal, tal como vivo bem em Itália. Sinto-me confortável em ambos os países. Por isso, não tenho qualquer problema com o facto de ser mais desconhecido em Itália do que em Portugal.
- Mas ficaria contente por ter um desafio em Itália? É algo com que sonha?
Não. Não tenho isso como uma prioridade.

"É muito mais fácil para mim entrar em Portugal do que noutro país"
- Disse que já rejeitou algumas propostas. Por isso, o que seria importante encontrar agora no próximo desafio? Se pudesse receber o projeto ideal, o que procuraria?
Antes de tudo, como já disse, quero falar dos problemas do campo. Aquilo que me pode convencer a aceitar um desafio é ter jogadores com as características de que gosto. Entrar com a época já a decorrer é difícil. Por isso, é muito importante ter jogadores com capacidade física e mental e saber que podem alcançar aquilo que temos na cabeça.
- E Portugal? Gostava de voltar?
Claro!
- Como analisa, de uma forma geral, o futebol português, o campeonato e tudo aquilo que o rodeia?
Acho que é um campeonato muito importante porque é uma montra, uma forma de mostrar a nossa qualidade, seja como jogador ou como treinador. Muitos treinadores passaram por Portugal e depois chegaram a grandes equipas. Muitos jogadores também passam por Portugal e depois seguem para outras ligas, nomeadamente a inglesa, que, na minha opinião, é a melhor liga do mundo.
O meu pensamento vai nesse sentido: trabalhar em Portugal ou noutro país e ter estabilidade. Falo de Portugal porque conheço muitas das suas dinâmicas. Conheço as equipas, os clubes e os jogadores. É muito mais fácil para mim entrar em Portugal do que noutro país. Quero dar estabilidade à minha ideia de futebol e, depois, dar um salto quando chegar o momento certo.
- Imagine que alguém nunca viu jogar uma equipa de Cristiano Bacci e vai ter agora a primeira oportunidade. O que gostaria que essa pessoa visse em campo? O que caracteriza o seu futebol?
Acho que vai encontrar uma equipa organizada, uma equipa onde a palavra entreajuda será facilmente reconhecida. Uma equipa sem medo e com coragem.

- Se voltarmos a falar daqui a cinco anos, onde gostaria de estar? O que gostaria de ter feito durante esses cinco anos?
Sou uma pessoa muito concreta. Nem eu sei aquilo que vou fazer amanhã, por isso pensar demasiado à frente é algo que não encaixa na figura de Cristiano Bacci. Vou dia após dia, hora após hora, e vamos ver o que acontece.
Acho que é importante ter objetivos na vida, claro. Como já disse, o meu objetivo é ser treinador principal numa liga importante. Mas temos de dar um passo de cada vez. É um caminho e a experiência vai ajudar-nos muito. Dar um passo demasiado grande, às vezes, é mais perigoso do que avançar passo a passo. É aquilo que estou a fazer: a construir.
- Para terminar, o futebol é uma parte muito importante da sua vida. Se o futebol fosse uma pessoa e tivesse a oportunidade de falar diretamente com ele, depois de tudo aquilo que já lhe deu, o que lhe diria?
Dir-lhe-ia para não esquecer aquilo que era o futebol de há 50 anos, que talvez fosse mais verdadeiro. O futebol evoluiu, mas, às vezes, damos prioridade a coisas que não são prioritárias. Agora, por exemplo, estou a ver uma melhoria na utilização do VAR. Acho que está melhor do que no ano passado. Também não é perfeito, mas aquilo que tínhamos até ao ano passado não era futebol. Havia demasiadas paragens.
Por isso, às vezes, olhar para trás não é necessariamente negativo. Claro que a vida evolui e o futebol evolui, como é normal em todos os trabalhos, mas, às vezes, olhar para trás pode ajudar-nos a ser mais concretos nos nossos objetivos.
