Ir para o conteúdo principal

Exclusivo com Nuno Presume: "Tenho uma vontade imensa de voltar a ser treinador principal"

Nuno Presume na última experiência na Arábia Saudita
Nuno Presume na última experiência na Arábia SauditaArquivo Pessoal, Flashscore

Mais de três décadas depois de ter começado a treinar, Nuno Presume mantém intacta a paixão pelo jogo. Passou por diferentes divisões do futebol português, trabalhou como adjunto em contextos tão distintos como Sporting, Bahia, Zamalek, seleção da Venezuela ou Arábia Saudita e acumulou experiências ao lado de nomes como Daúto Faquirá, José Peseiro e Renato Paiva. Mas, aos 57 anos, há um desejo que se sobrepõe a todos os outros: voltar a ser treinador principal.

Foi no Amora que Nuno Presume regressou recentemente ao papel de treinador principal e confirmou uma convicção que hoje não esconde: é na liderança de uma equipa que se sente verdadeiramente realizado. "É o meu mundo", assume, numa entrevista em que revisita mais de três décadas de carreira, a evolução do treino, a construção dos plantéis, as experiências no estrangeiro e até um dos períodos mais difíceis da sua vida, quando esteve nove dias em coma devido à Covid-19.

Em entrevista exclusiva ao Flashscore, o treinador não esconde que a ambição passa por voltar a assumir um projeto como treinador principal, idealmente na Liga 2, sem excluir a Liga 3, com uma certeza: quando retomar esse caminho, quer dar-lhe continuidade.

Nuno Presume trabalhou na Arábia Saudita
Nuno Presume trabalhou na Arábia SauditaArquivo Pessoal

"Só é vencedor quem sabe construir um plantel"

- O Nuno já leva mais de três décadas ligado ao futebol, especificamente à área do treino. Que sentimento lhe provoca ouvir este número?

Comecei realmente muito cedo, com 22 anos. Daí toda esta minha ligação ao futebol há mais de três décadas, com um gosto imenso e numa aprendizagem contínua. Na altura surgiu essa oportunidade. Desde cedo também percebi que o meu potencial para ser jogador era diminuto e, depois de entrar na faculdade, senti que adorava o treino. Adoro o treino, adoro a competição, a aprendizagem e a aplicação desse conhecimento em contexto de treino. 

- Mas era um futebol muito diferente daquele que existe hoje. O que é que o Nuno Presume treinador, em 2026, sabe que aquele jovem treinador da década de 90 nem imaginava que precisava de saber?

Confesso que o contexto é muito diferente, desde logo no lado relacional. A postura do jogador perante o treino é completamente diferente daquela que existia em 1993/1994. A aplicação do nosso conhecimento, sendo diminuta comparativamente com aquilo que é hoje, era absorvida de outra forma, porque a contestação também era menor. O conhecimento do jogador perante a dimensão física, técnica ou tática do treino não era inexistente, mas era inferior ao que existe hoje.

Hoje somos confrontados por qualquer jogador relativamente a tudo aquilo que é aplicado em contexto de treino. E acho que esse é o lado mais positivo, sem dúvida alguma, porque nos leva a estar em constante aprendizagem. Na altura, não. Conseguíamos ser diferenciados desde que tivéssemos algum conhecimento das várias dimensões, física, técnica ou tática, porque sabíamos que, do outro lado, a oposição era fragilizada por essa ausência de conhecimento. E, quando digo oposição, obviamente refiro-me aos jogadores.

Hoje não. Temos de dominar todas as dimensões do treino. Temos de dominar a dimensão tática, técnica e psicológica. Esse lado relacional é, para mim, determinante. O jogador de hoje, por vários motivos, é um jogador mais complexo. É um ser humano com um grau de complexidade muito elevado. E isso é, para mim, um alimento enorme para querer desbravar caminho, querer mais e saber cada vez mais.

Nuno Presume assume desejo ao Flashscore
Nuno Presume assume desejo ao FlashscoreOpta by Stats Perform, Arquivo Pessoal

- Ainda bem que toca nesse ponto. Em termos de equilíbrio, onde estão hoje as questões técnico-táticas e a gestão do jogador, nomeadamente a vertente humana? Os jogadores estão sujeitos a inúmeros estímulos externos e o treinador precisa também de compreender muito essa dimensão.

Precisa, sobretudo, de compreender essa parte, porque é muito fácil recorrermos a uma qualquer plataforma que nos dá centenas ou milhares de exercícios para aplicarmos, inclusive em função do nosso modelo de jogo. Mas há algo que só a aprendizagem do dia a dia nos dá para sermos sobredotados na relação com os jogadores.

Obviamente, falo desse encontro de personalidades, dessa empatia que é determinante num primeiro contacto e na resolução dos problemas diários, porque os problemas dos jogadores são hoje muito superiores comparativamente com aquilo que eram há três décadas. O meio envolvente, muitas vezes, não é benéfico, mas prejudicial, e afeta de certa forma os vários agentes que estão dentro das quatro linhas.

Coloco a gestão de grupo num patamar muito superior para que o êxito possa ser alcançado. Muitas vezes questiono-me sobre quem lidera grupos e pergunto a mim próprio: se não há competência para liderar uma casa onde habitam duas ou três pessoas, como é que há competência para liderar um grupo de 25 ou 26 jogadores, mais um staff que contempla, por vezes, mais 30 pessoas? E, se extravasarmos para a massa adepta, falamos de milhares ou milhões de pessoas. Como gerir tudo isto?

Acho que esse é o problema maior, em meu entender, do que propriamente a aplicação do processo de treino. Embora também existam características inatas para que essa aplicação possa ser sentida pelos jogadores em contexto de treino. Uma coisa é aplicar um exercício, estar dentro do exercício e promover garra e determinação. Outra é apenas transmitir aquilo que é o exercício e deixá-lo decorrer sem qualquer intervenção para o fazer evoluir.

- Num mundo de muitas convicções, qual é aquela que o jovem treinador Nuno Presume encontra ainda hoje no presente? Ou seja, que convicção em relação ao futebol mantém há 30 anos?

A convicção maior é relativamente ao jogador. A ambição é determinante num jogador. A construção do plantel é, para mim, o elemento fundamental para que possamos ter êxito enquanto treinadores. Isto aprendi com alguém que já não está entre nós, o Vítor Oliveira, e que muitos questionavam sobre o porquê de ganhar tanto.

Mais do que o processo de treino, que podia ser bom ou menos bom, era a construção do plantel. Essa convicção mantenho-a. Só é vencedor quem sabe construir um plantel. É meio caminho andado para isso. Depois, há valores que são inegociáveis nessa construção. Quando nos referimos a competições que não têm um calendário competitivo muito intenso, como a Liga 3 ou a própria Liga 2, em que a gestão da condição física poderá ser mais fácil, acho que muitas vezes somos nós próprios a condicionar o nosso sucesso.

- Porquê?

Plantéis muito vastos são um problema para um treinador. Plantéis que contemplem muita gente com uma idade avançada são um problema para um treinador. Acho que a virtude está no meio. Conseguir quatro ou cinco jogadores que tenham experiência e sejam referências dentro do grupo. Conseguir quatro ou cinco jogadores que estejam na plenitude das suas capacidades. Conseguir quatro ou cinco jogadores jovens, com uma ambição desmedida para chegar ao topo.

É aqui que está a base da construção de um plantel. Obviamente, depois, com todos os requisitos: qualidade técnica, qualidade tática e algumas valências para jogar numa ou noutra posição. Mas é sobretudo assim que se constrói um plantel. E mantenho essa convicção porque, ao longo dos tempos, as épocas em que tive mais sucesso coincidiram precisamente com plantéis que tinham estas características.

Nuno Presume trabalhou vários anos com José Peseiro
Nuno Presume trabalhou vários anos com José PeseiroArquivo Pessoal

"O José Peseiro merecia uma estátua em Alvalade"

- Começou a ser treinador muito cedo e houve depois um momento da carreira em que surgiu a oportunidade de ingressar no futebol profissional como adjunto, papel em que teve várias experiências. Já disse que esse foi um passo em frente na sua carreira. Porquê?

Por uma razão muito simples: a aprendizagem é feita com erros. E a nossa perceção relativamente ao erro de quem trabalha connosco é muito mais rápida do que a perceção relativamente ao nosso próprio erro. Comecei muito novo e fui evoluindo com a minha aprendizagem num contexto de, na altura, primeiro campeonato distrital, depois Terceira Divisão Nacional e Segunda Divisão Nacional.

Sei que tinha um potencial extraordinário, mas sentia necessidade de conhecer uma realidade completamente diferente. Eu não conhecia a realidade do futebol profissional e só tinha uma maneira de a conhecer: entrar enquanto adjunto.

Acho que essa decisão foi boa, ao contrário de outras menos boas que tomei ao longo da carreira, com oportunidades de poder progredir muito mais rapidamente. Também, às vezes, pelo contexto familiar. A segurança do contexto familiar tirou-me algumas hipóteses que hoje já estou completamente à vontade para decidir, aventurar-me e ir à procura do meu sucesso.

Mas a entrada como adjunto deveu-se sobretudo à necessidade de adquirir experiências e conhecimento numa realidade completamente diferente, que era o futebol profissional. Neste caso, até foi para a Primeira Liga, para o Olhanense, e correu muito bem. Posso dizer que aprendi mais do que ensinei. Hoje já estou numa fase em que, quando sou adjunto, ensino muito mais do que aprendo. Essa é uma vantagem. Mas, naquela altura, precisava mesmo desse desafio.

- Que perceção tem hoje dessa fase? O que sente que aprendeu nesse período que dificilmente teria aprendido se tivesse continuado apenas como treinador principal?

A gestão com o jogador profissional. O jogador profissional tem uma série de requisitos que nos obrigam a adaptar de outra forma. Olha para o jogo de outra maneira e tem um nível de vida completamente diferente de um jogador considerado semiprofissional ou amador. Como sabes, e tenho um respeito imenso pelos jogadores, há as vedetas e há as celebridades. São coisas distintas.

A verdade é que grande parte dos jogadores de futebol, quando chegam à Primeira Liga, julgam ter valências que, por vezes, realmente não têm. E é necessária uma adequação muito grande da nossa parte, sobretudo enquanto adjunto. 

Depois, obviamente, a pressão sobre um treinador principal na Primeira Liga não tem nada a ver com a pressão sobre um treinador principal na Liga 3 ou no Campeonato de Portugal. Confesso que gosto muito de trabalhar sob pressão. Gosto muito da relação com os vários agentes e acho que me dou muito bem nesse contexto.

Enquanto adjunto, não o devo fazer. Devo alertar o meu treinador para isso e acho que foi aquilo que fiz, por vezes até apagando-me um pouco em áreas que são decisivas, mas para proteção dele noutras áreas que também considero importantes, já que estou a trabalhar para o treinador principal.

A aprendizagem foi realmente muita. Tem valido a pena. Não sei se voltarei a ser adjunto, mas cada vez mais acho que estou capacitado para ser treinador principal, que tenho esse perfil e que não me devo esconder mais disso.

- Gostava de falar também sobre alguns nomes importantes da sua carreira. O primeiro, desde logo, Daúto Faquirá, que lhe deu essa oportunidade em contexto profissional. É um nome que ficará para sempre na sua memória por essa oportunidade?

Claro que sim. O Daúto era, primeiro, um colega e amigo de faculdade. Hesitei durante algum tempo sobre se deveria ou não ser adjunto, porque o percurso até estava a ser positivo enquanto treinador principal. Mas, como já disse, queria ter essa experiência no futebol profissional.

O Daúto tem uma dimensão humana muito boa na relação com os adjuntos. É um treinador que acho que deveria poder estar a trabalhar. O futebol, por vezes, é cruel e não é justo para com muita gente. Ainda hoje mantemos uma relação muito agradável. Passámos momentos no Olhanense e depois em Angola, no Primeiro de Agosto, que era o maior clube. 

Inclusive, pela amizade que temos, posso dizer que viemos embora em 2014 e aguentei três anos sem clube pelo compromisso que tinha com o Daúto. Posso dizer isto publicamente, é um facto. Acho que tive sempre um respeito imenso pelos treinadores com quem trabalhei e que me souberam respeitar, até porque saí sempre em defesa deles em qualquer momento, como já disse, apagando-me até em algumas ocasiões.

Ao Daúto fica o agradecimento pela oportunidade que me deu de trabalhar no futebol profissional e fica a amizade, que será certamente duradoura. O Daúto sabe aquilo que lhe desejo. Desejo que tenha sucesso e acho que ainda vai a tempo de o ter.

- José Peseiro é outro nome inevitável na sua história. O que tem de tão especial para que esta relação se tenha prolongado por vários anos e em diferentes contextos?

Nunca saberemos o futuro, porque a minha relação com o José Peseiro é uma alegria. Estou à vontade para falar disto porque é uma amizade de 30 anos e é sempre no bom sentido que falo sobre isto. Batemos de frente, trocamos ideias, zangamo-nos relativamente às ideias, mas ele sabe o quanto gosto dele e eu sei que também gosta muito de mim. Acho que é uma relação que funciona muito bem, sinceramente.

É alguém que me transmitiu aquilo que é necessário em termos de capacidade de trabalho para se poder estar no futebol profissional. O José Peseiro tem essa vantagem. Se tiver de trabalhar 24 horas por dia, trabalha mesmo 24 horas por dia para ter sucesso. Ele tem essa capacidade e, depois, obviamente, tem conhecimento de várias dimensões e de várias culturas. Isso é muito bom.

Já foram muitas experiências com ele. Neste momento, e quando digo neste momento refiro-me aos próximos tempos, a minha vontade imensa é voltar a ser treinador principal. Mas ficam as histórias muito boas que um dia podemos contar sobre o nosso trabalho e sobre as nossas loucuras. Serão certamente contadas para nos rirmos muito.

- Outro nome que lhe deu a oportunidade de trabalhar num contexto completamente diferente, quase um microssistema de futebol, foi Renato Paiva, no Brasil. O que é que essa experiência lhe acrescentou enquanto treinador? Sei que foi um país que o marcou e ao qual gostaria de voltar. Porquê?

Voltaria já. Tive a oportunidade de estar com o José Peseiro no Vitória SC. Tudo o que envolve as quatro linhas em Guimarães, para mim, é superlativo. É paixão pelo jogo, é o envolvimento pelo jogo. E acho que o futebol tem de ser aquilo. É algo fantástico podermos estar num clube de futebol e ter uma massa adepta a gritar por nós ou, inclusive, a chamar-nos nomes. Significa que somos importantes de uma ou de outra forma.

O Bahia também me deu isso, ainda numa dimensão superior, porque a média de adeptos na Arena Fonte Nova ronda os 40 mil por jogo. Acho isso fantástico, mas extravasa para praticamente todos os clubes da Série A brasileira. Diria que 80% dos clubes da Série A têm o estádio cheio.

Viver o futebol dessa forma, praticamente sem tempo para treinar, porque se joga à quarta e ao sábado, depois à terça e volta-se a jogar ao sábado... É viajar de avião, aterrar, ir para o hotel, fazer recuperação, preparar o jogo e jogar. Mas existe um envolvimento tão grande que, para mim, foi inesquecível o ano que tivemos.

Infelizmente, só não houve continuidade porque o treinador entendeu dar o passo de sair. As pessoas mais importantes do clube queriam a nossa continuidade, até porque foi o primeiro ano em que o Bahia integrou o City Group e, como é sabido, o City Group não despede treinadores.

Posso dizer que o Bahia me convidou a ficar para coordenar todo o futebol juvenil. Estaria à vontade para aceitar, porque foi uma decisão do treinador não continuar, mas, mesmo assim, como fiz ao longo da minha vida e como já me tinha acontecido com o Daúto em Angola e com o José noutro clube, apesar do convite para continuar, acho que, independentemente de a relação com o treinador principal ser boa ou má, saio sempre com quem me levou para o clube.

Nós saímos em setembro ou outubro de 2023, estamos em 2026 e o Rogério Ceni continua ao serviço do Bahia. Fica essa mágoa, porque era percetível que podíamos continuar muito mais tempo ao serviço do clube. Mas ficam as recordações de uma Liga fabulosa, de um campeonato fabuloso, de um grupo de jogadores fabuloso e de uma direção fabulosa. E Salvador da Bahia é para visitar, sem dúvida alguma.

- Trabalhar durante muito tempo como adjunto, sobretudo pela relação mais duradoura com José Peseiro, pode fazer com que as suas ideias sejam identificadas com as do treinador principal. Até onde vão as ideias do Nuno Presume e as do treinador com quem trabalha? Como foi mantendo a sua própria personalidade ao longo destas experiências?

É impossível que eu, o José Peseiro ou qualquer outro elemento da equipa técnica tenhamos precisamente as mesmas ideias sobre a construção de qualquer coisa. Mas é isso que fortalece uma equipa técnica. Posso dizer que o nosso sucesso na temporada anterior se deveu muito às divergências que tínhamos relativamente à preparação de cada um dos jogos. Não tenho dúvida alguma. Foi mesmo um ponto-chave para que tivéssemos sucesso. A verdade é que essas divergências acrescentam muito, porque, quando todos pensam da mesma maneira, ninguém acrescenta o que quer que seja à construção, evolução e desenvolvimento da equipa.

- O capítulo Sporting acredito que tenha sido marcante, não só pelo que aconteceu, mas também por ser um clube grande em Portugal. Foi talvez uma das fases mais conturbadas da história do clube. O que é que essa experiência vos ensinou enquanto treinadores, nomeadamente ao nível da gestão humana e da liderança, num contexto já por si muito exigente e ainda condicionado pelo período pós-invasão à Academia?

Já tinha estado num clube grande, o Vitória SC, e um mês depois estávamos no Sporting para pegar em algo inexistente. Ou seja, partimos do zero. E já disse isto publicamente, por isso estou à vontade para fazer esta referência: pelo trabalho que foi feito naqueles dois meses iniciais, acho que José Peseiro merecia uma estátua em Alvalade.

José Peseiro saiu em defesa do Sporting, não saiu em defesa da carreira de José Peseiro. Só quem viveu tudo aquilo... Posso dizer-vos que fizemos um estágio em Genebra. Supostamente tínhamos adversários para jogar e, afinal, não existiam quaisquer adversários. Não existia nada. Estávamos a falar de uma realidade em que eu não acreditava.

Tínhamos de resolver problemas dos jogadores que tinham contrato com o clube. Tínhamos de resolver problemas dos jogadores que não queriam regressar por tudo aquilo que tinha acontecido. E depois tínhamos os problemas dos supostos amigos do Sporting, que tinham 450 jogadores para colocar no clube, sendo todos eles os melhores do mundo.

Acho que essa foi a maior arma de José Peseiro: impedir que todos aqueles que gravitavam à volta do clube se pudessem aproveitar daquele momento frágil para ganhar muito dinheiro. Acho que isso é inesquecível, porque, se José Peseiro tivesse aberto as portas e dito que sim a tudo aquilo que chegava ao Sousa Cintra, acho que o Sporting ainda hoje estaria a pagar, e de que forma, a entrada de jogadores. Felizmente, o Sporting organizou-se e hoje é um clube diferente. 

Mas foi uma grande experiência porque, lá está, o processo de treino, em muitos momentos das nossas funções, era secundário. Não havia sequer tempo. Os problemas eram tantos, a necessidade de gerir recursos estruturais, materiais e humanos vindos de fora era tanta que, por vezes, o treino era mesmo secundário. É inacreditável num clube grande, mas o Sporting sofreu aquilo que sofreu na altura e, felizmente para o futebol português, já encontrou o seu caminho.

- Olhando para esse caso, talvez tenha ficado um sabor amargo, porque as pessoas analisaram sobretudo os resultados e não perceberam a dimensão daquilo que estava por trás. Talvez não tenham valorizado tanto esse contexto.

No caso concreto, posso dizer que fui um dos que aconselhou José Peseiro, no momento da entrada de Varandas, a colocar imediatamente o lugar à disposição. Ele tinha sido contratado por Sousa Cintra e, à quarta jornada, éramos primeiros classificados da Liga portuguesa, com três vitórias e um empate na Luz frente ao Benfica. Estávamos em primeiro lugar. Obviamente, entra um novo presidente e nós temos a perceção clara de se esse novo presidente nos deseja ou não. Não há como fugir a isso.

Fiquei imediatamente com a sensação de que José Peseiro não era o treinador desejado pelo novo presidente. O que tem toda a lógica, porque entram pessoas diferentes, ideias diferentes e um projeto completamente diferente. 

Nuno Presume trabalhou como treinador principal do Amora
Nuno Presume trabalhou como treinador principal do AmoraArquivo Pessoal

Do período difícil do coma à passagem feliz pelo Amora: "É o meu mundo"

- Angola, Venezuela, Brasil, Egito, Arábia Saudita. Experiências em contextos completamente diferentes. Acredita que essa diversidade lhe deu uma compreensão diferente do jogo e das pessoas, além de uma bagagem que talvez outros treinadores, que optaram por desenvolver toda a carreira em Portugal, não tenham? É uma mais-valia ter estas experiências no estrangeiro?

Claramente. Aconselho qualquer pessoa que tenha a oportunidade de estar em diferentes contextos, sobretudo quem está a iniciar a carreira. Dá um know-how tremendo e vivências fantásticas, porque são realidades completamente diferentes, opostas em alguns casos, relativamente à vontade de trabalhar, à capacidade de superação e à vontade de evoluir.

O mundo árabe é muito peculiar comparativamente, por exemplo, com a Venezuela. Não tem nada a ver. No Brasil, como já disse, tive muita sorte. Digo isto muitas vezes: tive muita sorte em estar no Bahia, porque a relação com todos os jogadores e com toda aquela estrutura foi adorável. Para mim, é inesquecível. Foi uma época inesquecível.

Tirando a experiência no Egito... O Cairo, como é sabido, é muito confuso. Aquelas sete ou oito faixas na estrada são um dilema tremendo e refletem também um pouco a desorganização dos clubes. O Zamalek, apesar de por vezes ser campeão, é um contexto muito duro, porque a dimensão do clube não retrata o atual momento do clube. As condições que deveria ter e não tem, as confusões que tem e não deveria ter... Foram meses duros no Zamalek, desde o primeiro dia.

São histórias 'engraçadas'. Chegar ao hotel, tentar abrir a porta do quarto e não conseguir porque o clube ainda não tinha pago ou não pagava há não sei quanto tempo... Enfim, confusões. Mas são experiências que, lá está, nos fazem crescer muito.

A última experiência, na Arábia Saudita, teve uma diferença cultural abissal, mas foi uma experiência ótima, também com uma relação muito boa. É uma questão de adaptação a quem vive de forma substancialmente diferente da nossa.

- Entre essas experiências, há uma particular por ter sido numa seleção, a Venezuela. É muito diferente o trabalho numa seleção do trabalho num clube. O que é que essa experiência lhe trouxe?

Não tem nada a ver. Ainda para mais, os nossos dois anos na seleção venezuelana coincidiram com os anos da Covid. Quem conhece a Venezuela sabe que é um dos países com maior potencial neste planeta. É impressionante estarmos na presença de um povo tão culto, tão bom, mas tão necessitado. Isso é tremendo para quem conhece a realidade.

Não é que tenha alguma vertente política da qual seja seguidor, mas acho que faria muito bem a muita gente passar por estes contextos para poder sentir aquilo que o povo sente. O povo venezuelano é fabuloso, com uma dimensão cultural e educacional fantástica. Fantástica mesmo.

A experiência na Venezuela fica também marcada por isso. Agora, fica marcada por passagens de três semanas pela Venezuela, regresso a Portugal durante mês e meio, ida novamente durante três semanas... Ou seja, nós não vivemos em Caracas, nós fomos a Caracas. São coisas substancialmente diferentes.

Fomos a várias cidades da Venezuela e percebemos a realidade do povo venezuelano. Descobrimos muito talento. Acho que esse trabalho de José Peseiro foi fantástico. Descobrimos muito talento. A base atual da seleção venezuelana, que ainda acreditou que poderia ser apurada para este Mundial, tem muito a ver com esse trabalho feito por nós.

Em termos de seleção, temos muito mais tempo para preparar tudo, observar os jogadores em contexto de clube e fazer a transferência desses jogadores para o nosso modelo de jogo na seleção. Há jogadores que, em contexto de clube, são excecionais e que depois, na seleção, nunca irão ter esse impacto, porque a seleção joga de forma substancialmente diferente do clube e as relações, as microssociedades dentro das quatro linhas, também são diferentes. 

Nuno Presume foi adjunto do Al Ula
Nuno Presume foi adjunto do Al UlaOpta by Stats Perform, Arquivo Pessoal

- Depois desse trabalho, surgiu talvez um dos momentos mais difíceis da sua vida, que extravasa um pouco o futebol. Esteve nove dias em coma e perdeu 15 ou 16 quilos depois de ter sido infetado pela Covid. O que é que esse episódio mudou no Nuno treinador? Como passou a olhar para a vida depois dessa dificuldade do ponto de vista pessoal? Que impacto teve também no seu mundo profissional?

Teve impacto primeiro no mundo familiar. Porquê? Porque, como já disse no início, acho que podia, aos 30 e tal anos, ter sido muito mais enquanto treinador. E não fui porque dei sempre muita importância ao contexto familiar. Tenho quatro filhos e gosto de acompanhá-los a tempo inteiro.

Quando temos um problema de saúde que nos afeta da forma que me afetou, passamos a olhar para isto de outra forma. Ponto final. Não há como fugir a isso. Tanto que, no imediato, até decidi: "Não vou treinar mais."

Depois, quando recuperei, decidi, feito tonto, ir à Copa América, porque tinha de ficar no meu currículo a Copa América. Na altura, os médicos chamaram-me louco, porque estamos a falar de dois meses depois de ter estado em coma. É verdade que fiz uma recuperação extraordinária. Estarei sempre grato a quem perdia tempo comigo e vinha a minha casa, inclusive às dez da noite, depois de sair do consultório.

Apareceu logo a possibilidade de ir para o México com outro treinador e, por duas vezes, rejeitei. Só que, lá está, é o nosso mundo e eu não podia deixar de fazer aquilo de que mais gosto, com a ajuda incrível da família e da minha mulher. Apareceu o Brasil e, ainda bem que apareceu. Decidi regressar.

O curioso é que, no meio de tudo isto, quando regressei para o Brasil, para treinar o Bahia, a verdade é que, até 2026, tenho estado praticamente sempre no ativo.

Aquela lógica de que o Nuno já era mais comentador do que treinador acho que tem tendência a desaparecer. Trabalhei durante todo o ano de 2023, em 2024/25 estive no Egito e, em 2025/26, estive primeiro no Amora como treinador principal e depois, por decisão minha, fui para a Arábia Saudita. Estamos a falar de realidades diferentes e de valores completamente diferentes, e não podia dizer que não. Estive a trabalhar até junho deste ano.

- Já falou da questão do Amora, que foi a oportunidade que surgiu depois de vários anos como adjunto. Como foi voltar a ter uma oportunidade enquanto treinador principal? Aquele primeiro impacto de entrar e saber: 'Agora sou eu a voz principal.'

Eu sou Gémeos, tenho dupla personalidade e uma capacidade de transformação inacreditável (risos). Foi muito mais difícil preparar-me para ser adjunto e saber estar na posição de adjunto do que na posição de treinador principal, porque acho que é o meu meio. Sinto-me muito bem a liderar. Ponto final.

O que relevo do Amora é o facto de a empatia ter sido criada no olhar. Como é sabido, quando cheguei, o Amora estava em último lugar. Os resultados são sempre importantes nestas coisas. Tive o cuidado, juntamente com os meus adjuntos, de decifrar a equipa no imediato. Entrar no balneário e perceber, no primeiro momento de comunicação, que existe recetividade por parte de quem está à nossa frente é logo um sinal positivo. Dá-nos uma energia positiva: 'Isto vai resultar.'

Depois, a empatia com os mais velhos. Lá está aquela questão dos mais velhos, que é importante, porque são eles que, no fundo, também transportam os mais novos para o sucesso e os responsabilizam para que esse sucesso possa acontecer.

Isso permitiu-nos construir ali algo com uma identidade muito própria, associada depois a uma gestão que, modéstia à parte, acho que foi... Quem me conhece sabe que não gosto muito de relevar as coisas que foram feitas, mas foi um momento de gestão sublime na relação com os investidores, com o diretor desportivo e com as pessoas que trabalhavam no dia a dia no Amora.

A equipa trabalhava muito bem, jogava muito bem e tinha referências. Lá está a tal construção do plantel, que nem sequer foi feita por mim. Não sendo um plantel vasto, tinha experiência, vontade e jogadores jovens com muita ambição para chegar a outros patamares. O sucesso aconteceu ali.

Eu saí porque o contexto do Al-Ula, na Arábia Saudita, era impossível de recusar por questões obviamente financeiras. Mas posso dizer que tive muita pena de ter deixado o Amora, porque nós iríamos ter sucesso. Estávamos a ter sucesso e iríamos ter sucesso com toda a certeza. Um abraço sempre muito grande aos capitães de equipa e a todo aquele plantel que trabalhou comigo até ao limite para levar o Amora a bom porto.

- E que treinador encontrou em si naquele momento?

Quando estou a liderar o treino, a minha relação com o treino é fantástica. Ter a oportunidade de trabalhar com pessoas que conseguem apreender aquilo que é transmitido em cada meeting, em cada sessão de treino, e fazer a transferência para o jogo significa que estamos no caminho certo.

Falando um pouco do jogo, porque acho que é importante, se eu puder ter jogadores com capacidade para pressionar o portador da bola e que, no momento em que ganham a bola, saibam se têm de atacar rapidamente a baliza ou manter a posse, isso é, para mim, o fator mais determinante. Se tenho uma equipa capaz de pressionar e, quando recupera a bola, atacar a baliza ou gerir a posse, para mim está a meio caminho de poder ter sucesso.

Obviamente, depois existem as questões de organização defensiva em bloco mais alto, médio ou baixo. São questões que contemplamos até ao limite. Mas olhar para os jogadores e perceber: 'Eles vão pressionar na frente e vão roubar a bola, vão pressionar alto e vão roubar a bola.' E, depois, são atrevidos no último terço, no um para um, algo com que nunca me preocupo, porque acho que a criatividade deve imperar em quem joga na frente.

Dou o exemplo de um menino que considero que, em quatro meses, passou a ser meu filho: o nosso ponta de lança na altura, João Oliveira. É um menino muito peculiar e que, comigo, obviamente a não ser que apareça um ponta de lança sobredotado, acho que será sempre um ponta de lança extraordinário ao nível da Liga 3 e, em determinados contextos, da Liga 2. O João transformou-se completamente comigo. Sabia que contava com ele para fazer golos ou oferecer golos.

- Já explicou por que razão esse período foi mais curto do que esperava. Obviamente, há oportunidades na vida que não podemos desperdiçar, mas acredito que tenha ficado com a sensação de: 'Quero mesmo ser treinador principal.'

Quero mesmo. A minha mulher dizia-me em casa: 'Nuno, já não te vejo assim há muitos anos.' Nós vivemos aquilo 24 horas por dia e eu percebo qualquer treinador principal. Obviamente, todos eles sabem que, enquanto estive como adjunto, dei a vida. Na experiência no Al-Ula, já o disse, trabalhávamos, e não estou a mentir, 15 ou 16 horas por dia para o sucesso. E conseguimo-lo, porque é um trabalho exaustivo.

Agora, poder estar depois no banco de suplentes e extravasar ali todo o nosso trabalho, poder relacionar-me... Acho que também sou um comunicador, ponto final. Estar a relacionar-me com os diferentes órgãos de gestão do clube, resolver problemas que acho prementes para o desenvolvimento da equipa e bater de frente com o jogador porque quero que ele seja melhor e, para ser melhor, tem de fazer isto, aquilo e aquilo... É o meu mundo. Tenho esse perfil e uma vontade imensa de poder voltar a ser treinador principal.

Nuno Presume ao lado de José Mourinho
Nuno Presume ao lado de José MourinhoArquivo Pessoal

"Ideia de que sou mais comentador do que treinador não corresponde à realidade"

- Falando então do Nuno Presume treinador principal, quais são os princípios dos quais não abdica? E até que ponto acredita que o modelo deve ser adaptado aos jogadores que tem à disposição?

Não há treinador nenhum que mude radicalmente aquilo que é. Se eu tiver jogadores que não se enquadram em nada daquilo que são as minhas ideias, não vou para esse projeto. Também não tenho problema nenhum em dizer que já tive convites para a Liga 3 e não fui porque as características dos jogadores não se enquadravam naquilo que eu queria fazer.

Temos de ter capacidade para perceber as características dos nossos jogadores, potenciar aquilo que têm de melhor e, depois, perceber também as características do adversário. Não tenho problema nenhum em adaptar a minha equipa para explorar uma fragilidade do adversário ou para tentar anular aquilo em que o adversário é mais forte.

Às vezes parece que isso é uma fraqueza do treinador. Para mim, não é. É inteligência. Há treinadores que tiveram várias experiências sem sucesso até terem sucesso. E isso também faz parte da aprendizagem.

- Se eu falar com um jogador seu ao fim de três meses de trabalho e lhe perguntar como é jogar numa equipa de Nuno Presume, o que gostaria que ele me respondesse?

Que tem um impacto ofensivo enorme. Que é uma equipa agressiva na recuperação da bola. Que sou um treinador exigente, mas que tenho uma relação de cumplicidade com os jogadores. Gostava que dissesse que todos trabalham para o mesmo objetivo, independentemente de jogarem ou não. Para mim, é muito importante que aqueles que não jogam sejam solidários com quem joga. Se conseguirmos isso, estamos muito perto da perfeição.

- Sente que existe algum preconceito no futebol português por ter estado durante vários anos como adjunto e por conciliar o treino com o comentário televisivo?

Existe preconceito relativamente à idade, à comunicação e às estruturas. Há 20 anos, um comentador de televisão podia estar a comentar num dia e, no dia seguinte, estar num clube. Hoje parece que isso é um problema. Nos últimos 36 meses, estive 26 meses no treino. Portanto, essa ideia de que sou mais comentador do que treinador não corresponde à realidade.

O comentário valoriza o futebol. Nunca utilizei o comentário para denegrir quem quer que fosse. É uma atividade paralela que surgiu por convite e de que gosto, porque gosto de falar de futebol. Mas eu sou treinador. Tenho o UEFA Pro atualizado desde 2005, sou formador em cursos de treinadores e a minha vida foi sempre ligada ao treino. O comentário apareceu por convite e é algo de que gosto, mas não altera aquilo que sou: treinador de futebol.

- Sente que ainda tem alguma coisa a provar no futebol?

Tenho de provar no trabalho. É aí que tenho de provar. Quero voltar a ser treinador principal e quero sê-lo durante muito tempo. A partir do momento em que estiver num projeto como treinador principal, não vou abandonar esse projeto para voltar a ser adjunto.

Se, neste momento, não estiver a trabalhar como treinador principal e aparecer um projeto como adjunto que seja manifestamente superior, obviamente posso ponderá-lo. Mas, quando reiniciar este percurso como treinador principal, quero mantê-lo. A questão da idade também começa a desaparecer um pouco. Ainda agora entraram dois treinadores na Liga 3 com mais idade. E temos um selecionador nacional com 72 anos. A experiência, quando é acompanhada por vitalidade, vontade e conhecimento, é uma vantagem. Não pode ser vista como um problema.

Nuno Presume ao lado de Felipe Luís
Nuno Presume ao lado de Felipe LuísArquivo Pessoal

"Seleção está muito bem entregue a Jorge Jesus"

- Olhando para o futebol português de uma forma mais global, e tendo também a experiência de outras realidades, considera que temos hoje um bom produto? Desde a Liga 3 até à Primeira Liga, estamos a potenciar aquilo que o futebol português pode ser?

Não. Não é um bom produto. Quando olhamos para a Liga portuguesa, percebemos que tem pouca relevância internacional. Temos três grandes clubes, temos o SC Braga, que quer ser o quarto, e podemos falar também do Vitória SC, pela massa adepta que tem. Mas, a partir daí, a realidade torna-se muito delicada.

Há clubes muito dependentes de investidores e temos de olhar para as infraestruturas, para a capacidade financeira e para as condições materiais. Quando estive no Brasil, percebi a diferença. Os clubes da Série A têm centros de treino, departamentos de rendimento e departamentos médicos num patamar muito elevado.

Nós temos de olhar para aquilo que rodeia o jogo. Temos de olhar para as transmissões, para os estádios, para os relvados. Temos equipas da Liga 2 que nem sequer jogam nos seus próprios estádios. Há uma série de questões que têm de ser revistas. É necessário perceber quais são as prioridades para tornar o futebol português num produto melhor.

- E em relação à classe dos treinadores? Temos hoje treinadores mais preparados do que há 20 ou 30 anos? E sente que existe união suficiente entre a classe?

O conhecimento é muito superior. Isso é evidente. Hoje há muito mais treinadores licenciados e com formação. Há também uma maior facilidade em aparecer, mas, da mesma forma, também se desaparece rapidamente.

A questão do corporativismo é mais difícil. Acho que ainda precisa de ser solidificado. Também percebo que os treinadores querem estar no campo. Não querem propriamente estar preocupados com associações ou sindicatos. Querem treinar. Mas acho que temos de encontrar formas de defender melhor a classe e de lhe dar maior estabilidade.

- Falando da seleção nacional, estamos bem entregues com Jorge Jesus?

Muito bem. Acho que, mais do que um selecionador, é alguém que tem uma abrangência muito grande dentro da Federação Portuguesa de Futebol. Acho que foi uma escolha acertada, pelo conhecimento que tem e pela capacidade que tem de dizer aquilo que pensa. Diria que 95% ou 97% dos portugueses aceitam Jorge Jesus como selecionador nacional.

Agora, não podemos dizer que vai ganhar. Portugal tem ganho desde 2016. Ganhámos o Campeonato da Europa e duas Ligas das Nações. Houve um trabalho muito importante, muitas vezes feito com discrição, também com uma estrutura quase familiar dentro da Federação. A última conquista também é reflexo desse trabalho anterior. O atual selecionador está há poucos meses no cargo. Mas acho que a seleção está muito bem entregue.

- Para terminar, que projeto procura neste momento? O que é que um clube tem de oferecer para o Nuno Presume sentir que é o contexto certo para voltar a assumir um projeto como treinador principal?

Já treinei em todas as divisões do futebol português. Gostava muito de ter uma oportunidade na Liga 2 como treinador principal. Acho que é um contexto que se enquadra perfeitamente naquilo que sou enquanto treinador e naquilo que quero para o meu futuro. Mas não teria qualquer problema em aceitar um projeto de Liga 3, porque fui muito feliz no Amora. Muito feliz mesmo.

Aquilo que procuro é um clube sustentado, com bons jogadores e com características que se enquadrem no meu modelo de jogo. Não quero chegar a um clube e ter de acrescentar problemas aos problemas que já existem. Quero um contexto que me permita trabalhar e desenvolver aquilo em que acredito.

Receba todas as notícias sobre as suas equipas e jogadores favoritos!

Transferências, notícias, entrevistas: ative as noficações para os artigos sobre os seus jogadores e equipas favoritas.

Como ativar as notificações?