Os factos alegados em participação formal à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aquando da sua saída, apesar de não terem sido divulgados publicamente pelo ex-árbitro, levaram o organismo a remeter a situação em processo para o Ministério Público (MP) no âmbito do Regime Jurídico da Integridade do Desporto, levantando suspeição no setor da arbitragem.
Após o FC Porto e o Benfica terem reagido em comunicado na segunda-feira, horas após a divulgação da federação, foi agora a vez do Sporting reagir, através do seu presidente, Frederico Varandas, à margem da gala do sorteio do calendário competitivo da Liga Portugal e Liga 2, que decorreu esta quinta-feira na sede da Liga de clubes, no Porto.
"O Sporting tem uma postura muito pública sobre como defende a arbitragem. Desde 2018, o Sporting nunca desculpou o fracasso com arbitragem. A perceção do Sporting, seja sobre Fontelas Gomes, seja Luciano Gonçalves, é que são pessoas que não se deixam influenciar. Seria uma grande surpresa para mim", defendeu, lembrando que cabe a Duarte Gomes "explicar o que se passou de facto, com provas, não boatos".
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Porém, o clube verde e branco ressalva que acompanha com atenção os desenvolvimentos do episódio e apenas apoia o atual modelo do CA da FPF, caso este órgão opere sem qualquer "esfera de influência".
"A posição do Sporting é clara. Defendemos um presidente do Conselho de Arbitragem que seja completamente independente, autónomo e livre, sem qualquer esfera de influência. É este o modelo que defendemos. Se alguém se deixar influenciar por um presidente de um clube, defendemos a sua saída no próprio dia", vincou Varandas.
O dirigente lembrou alegados casos anteriores de influência da arbitragem por parte dos seus principais rivais, levantando a hipótese de que as denúncias enunciadas por Duarte Gomes estejam inseridas num contexto de "jogos de poder".
"Há 20 anos, houve o caso Apito Dourado, onde foi pública a influência do FC Porto nas arbitragens. Há 10 anos, ficou evidenciado publicamente o controlo do Benfica nas arbitragens, no caso dos emails. Agora parece que é o Estrela da Amadora que controla tudo, é muito estranho. Não quero acreditar que isto seja um golpe de estado, uma jogada de egos e de poder. Já chega de brincar ao futebol", disse.
Varandas referiu ainda a relação de Duarte Gomes com um dos alegados envolvidos: "Percebi que se trata de um jogo do Estrela da Amadora, em que o árbitro Hélder Malheiro teria sido informado que ia fazer a partida por uma pessoa, que até foi assistente do Duarte Gomes durante anos, Pedro Garcia. Já trabalhou com vários clubes como consultor de arbitragem. Quando cheguei ao Sporting, acabámos com essa função, não queremos influências de ninguém. É curioso ser um ex-assistente de Duarte Gomes".
Sobre a continuidade do médio dinamarquês Mortem Hjulmand, o presidente do Sporting assume ter recebido uma proposta do Atlético de Madrid, prontamente recusada, e avisou os eventuais interessados no capitão sportinguista que não baixará as suas exigências pela venda do jogador.
"Estamos a falar de cenários hipotéticos. Recebemos uma proposta do Atlético de Madrid, que rejeitámos por estar longe do que entendemos ser um valor justo, pela idade do jogador, a posição, por ter três anos de contrato com o Sporting. O jogador e os agentes dele sabem qual é esse valor. Por menos, ele fica", concluiu.
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