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Liga Portugal 2026/27: Clássico azul e verde domina atenções e apaga holofotes da Luz

FC Porto arte como campeão em título
FC Porto arte como campeão em títuloManuel Fernando Araújo/LUSA

FC Porto e Sporting preparam-se para uma caminhada bicéfala na luta pelo título de futebol, na qual o Benfica parte consideravelmente atrás, por ser o único do triunvirato nacional com novo treinador e envolto num manto de dúvidas.

Os campeões nacionais pouco ou nada mexeram no plantel liderado por Francesco Farioli e arrancam o campeonato (perante o Alverca) já com a Supertaça no bolso, enquanto os leões, em contraponto, deixaram sair algumas peças relevantes, mas, pelo que se tem visto, substituíram-nas por elementos que podem deixar marca.

Longe da estabilidade dos portistas e do acerto antecipado dos sportinguistas, o Benfica, recordista de títulos de campeão (38), volta a manifestar incerteza no arranque de uma temporada: se há um ano muito se discutia a posição de Bruno Lage – que pouco mais aguentou -, agora há um novo técnico, Marco Silva, mas também insuficiências no plantel.

A revolução levada a cabo em 2025/26 permitiu ao FC Porto arrecadar o seu 31.º título, pelo que, na busca pela revalidação que lhe escapa desde 2013, a máxima “em equipa que ganha não se mexe” está a ser preservada – neste caso, em quase nada se mexe.

E é isso mesmo que tem guiado os dragões, que apenas perderam os cedidos Moffi e Fofana, e acrescentaram o médio sul-coreano Hwang In-beom e o regressado André Silva. O avançado português, de volta ao Dragão quase 10 anos depois, foi, de resto, o único reforço que se intrometeu na estabilidade portista, ao iniciar o duelo da Supertaça frente ao Torreense (1-0).

O primeiro onze oficial do FC Porto
O primeiro onze oficial do FC PortoFlashscore

Mas não só de estabilidade se vive na Cidade Invicta, também de solidez e eficácia, e a recente pré-época tal como a partida com o vencedor da Taça de Portugal reforçaram isso mesmo: os cinco triunfos em sete jogos realizados até agora foram consumados pela margem mínima, à semelhança do que sucedeu em 14 encontros dos 34 do campeonato anterior.

Até à estreia oficial, no reduto do Estrela da Amadora, o Sporting tem-se revelado uma máquina goleadora na preparação para 2026/27, com 26 golos marcados e oito triunfos no mesmo número de jogos, destacando-se as imposições a Celtic (4-1), Estrasburgo (7-0), Mónaco (2-0) e Nottingham Forest (4-1).

Ainda antes de perderem o capitão Hjulmand e o criativo Trincão, e já avisados para as saídas de Morita e Quenda, os verdes e brancos precaveram-se e refizeram o meio-campo com Andersen, Altimira, Pedro Lima, Doumbia e Zalazar, contrataram Jesse Derry e já prepararam a quase certa sucessão de Diomandé com a chegada de Ibrahima Ba.

Rui Borges tem à sua disposição um leque de opções abrangente, que, pelas primeiras amostras, lhe oferece competitividade e qualidade para lutar taco a taco com o FC Porto e emendar o hiato da época passada, da qual o Sporting se despediu de mãos a abanar.

O onze do Sporting no último particular
O onze do Sporting no último particularFlashscore

Campeão pela última vez em 2022/23, o Benfica continua a mudar de jogadores como quem muda de camisa. A prova disso mesmo é que, no atual plantel, há somente quatro sobreviventes do elenco que vestiu as faixas vitoriosas há apenas três anos: Bah, Aursnes, Schjelderup e Rafa.

Neste exercício de baralha e volta a dar, o extremo norueguês é um dos que parecem estar encaminhados para a saída, assim como Ivanovic (contratado há um ano), Trubin ou Prestianni, enquanto Otamendi e António Silva já rumaram a outras paragens, tal como Sidny Lopes Cabral, que fez da Luz uma mera escala de seis meses entre a Amadora e Trabzon.

As águias trouxeram o experiente Lenglet, além do imberbe Gabriel Índio, do extremo Kaminski e do avançado Jhon Durán, reforços de um plantel agora liderado por Marco Silva, que aceitou o repto para render José Mourinho e voltar a Portugal volvida mais de uma década, vivida sobretudo no futebol inglês.

A pré-época evidenciou o muito trabalho que o técnico tem pela frente, como se viu na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, em que um susto na Suíça colocou a nu as fragilidades encarnadas perante um modesto St. Gallen – a derrota acabou por ser corrigida no Estádio da Luz, que estará despido de adeptos para a estreia na I Liga, com o recém-promovido Académico de Viseu, face ao castigo imposto aos lisboetas.

Ainda a sonhar, ano após ano, com um tão ambicionado quanto inédito título, o SC Braga está estagnado na quarta posição da Liga, da qual não tem conseguido escalar nem tão pouco rebaixar - sete vezes nas derradeiras nove temporadas, intercaladas com o último lugar do pódio em duas ocasiões.

E os minhotos têm visto um vizinho organizar-se, sustentar-se e evoluir para o top-5 nacional, o Famalicão, agora liderado precisamente por uma figura bracarense, Carlos Carvalhal, que terá o desafio de cimentar – ou até melhorar – o quinto lugar da época passada, o máximo da história do clube famalicense.