“Será muito positivo para os clubes e a imagem da nossa competição profissional. Há mérito de quem pontuou em muitos jogos (europeus) nas últimas épocas. É excelente poder ter três equipas num espaço de elite e excelência (como a Liga dos Campeões)", vincou à agência Lusa o antigo médio, de 53 anos, que alinhou nos três ‘grandes’ e comandou as seleções jovens em dois períodos (2007-2022 e 2024-2026), dos sub-15 aos sub-20.
Portugal vai ter seis vagas de acesso às provas europeias para atribuir em 2026/27, ao contrário das cinco disponíveis nas derradeiras três temporadas, após superar os Países Baixos em 2025/26 no sexto lugar do ranking da UEFA.
Serão três os representantes portugueses na Liga dos Campeões - dois na fase de liga e um através das pré-eliminatórias -, embora Peixe sinta que estão para durar as diferenças entre FC Porto, Sporting, Benfica e SC Braga, o top 4 da Liga desde 2017/18, e restantes clubes.
“Era preferível que o fosso se encurtasse, porque era sinal de que haveria capacidade e capital para investir em jogadores de outro nível e dar outras condições aos clubes do fim da tabela, mas creio que é muito difícil existir essa aproximação de uma forma muito natural”, reconheceu o campeão mundial de sub-20 em 1991 e de sub-16 em 1989 pela seleção portuguesa.
À espera que Famalicão, Gil Vicente ou Vitória SC, entre outros, “aportem maior equilíbrio competitivo”, Peixe põe o FC Porto como favorito ao título, em função da “estabilidade, qualidade e agressividade” mostradas na temporada passada, quando foi campeão nacional quatro anos depois.
“Para Sporting e Benfica poderem chegar perto é preciso que o FC Porto não faça a época extraordinária que fez. Estou em crer que os rivais vão tentar de tudo para não deixarem que o mesmo aconteça”, notou o ex-médio, que, em 1997/98 e 1998/99, participou nos últimos dois dos cinco campeonatos seguidos arrebatados pelos dragões, o inédito penta.
Peixe acredita que o Benfica “terá mais dificuldades” do que os rivais para se assumir no início de uma temporada em que substituiu José Mourinho por Marco Silva no comando técnico, enquanto o Sporting permanece “equilibrado e homogéneo” com um ano e meio sob alçada de Rui Borges.
“Tem feito um trabalho excecional e a pré-época confirmou o que muitos pensam dele. É um treinador com uma forma de estar simples, mas aporta qualidade e uma ideia de jogo muito positiva. O Sporting perdeu algumas referências, mas não deixa de ter uma equipa fortíssima”, admitiu, sobre o momento do clube no qual completou a formação e debutou como sénior.
O antigo selecionador jovem destaca também o “trabalho a médio e longo prazo” do SC Braga, cuja “dinâmica evolutiva da estrutura, dos jogadores e das equipas técnicas” antecipa uma “boa surpresa” na Liga.
“Creio que a breve trecho estará, pelo menos, a disputar o título até ao fim. O clube mantém a estabilidade, tem uma estrutura forte, já faz vendas ao nível dos ‘grandes’ e valoriza futebolistas de grande qualidade”, ilustrou.
Peixe considera que a equidade nas receitas dos direitos audiovisuais dos jogos das Liga e Liga 2, cuja comercialização vai ser centralizada a partir da época 2028/29, poderá atenuar disparidades e abrir novas oportunidades.
“Isso já acontece noutras realidades. O futuro leva-nos para aí, até porque (a centralização) tem de acontecer, senão vamos continuar a produzir o mesmo e deixaremos de estar na ascensão que se pretende”, ressalvou.
