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O excelente arranque de Marco Silva no Benfica contou sempre com um ponto de interrogação numa posição chave. O treinador português não ficou convencido com Anatoliy Trubin, o titular das últimas épocas, e deu uma oportunidade a Samuel Soares que também não deu uma resposta 100% tranquilizadora.
A manutenção do ucraniano impediu a contratação de uma alternativa durante o mercado e deixou o técnico do Benfica com um dilema entre duas opções que não o parecem convencer totalmente. E se Samuel Soares não conseguiu aproveitar da melhor maneira as oportunidades, Trubin deu uma resposta de grande nível no teste teoricamente mais difícil do Benfica até ao momento, diante do AC Milan na Liga Europa.

Isto levanta a questão: Quem deve ser titular diante do FC Porto? O Flashscore foi analisar os números para perceber que direção apontam.
Trubin decisivo, Soares mediano
No futebol atual, o guarda-redes é chamado muitas vezes a construir com os pés e esse pode ser um facto diferenciador (já lá iremos), mas a principal função de quem calça as luvas é impedir que os golos entrem. Esse é então o nosso primeiro parâmetro de avaliação e aqui parece existir um desnível evidente.
Nos 10 jogos que realizou pelo Benfica, Samuel Soares sofreu 8 golos, mas enfrentou um xGA (a qualidade dos remates que enfrentou) de 6,4. Quer isto dizer que o internacional sub-21 português devia ter evitado menos 2,4 tentos.
Por outro lado, Trubin disputou apenas três jogos, sofreu dois golos, mas encarou um xGA de 3,85. Ou seja, o ucraniano evitou quase dois tentos (1,85), sendo que para isto muito contribuiu a exibição diante do AC Milan onde evitou praticamente um golo (0,76).
Capacidade de passe
Segundo a imprensa nacional, terá sido aqui que residiu a decisão de Marco Silva. Samuel Soares é um guarda-redes com mais ferramentas para jogar com os pés, enquanto Trubin não é alguém tão exuberante. Contudo, será que os números o comprovam?
Olhando para a estatística primária, as diferenças não são acentuadas. Samuel Soares tem mais acerto no passe (86,43%) do que Trubin (83,33%).
A maior cisão entre os dois é quando a bola tem de viajar mais. Trubin é um guarda-redes relativamente fiável no que toca ao passe curto (97,7%), mas falha mais quando tem de fazer a bola andar mais metros (37,04%). Nesse capítulo, Samuel Soares destaca-se (50%), sem perder fiabilidade no próprio meio-campo (95,48%).

É aqui que Marco Silva terá de tomar a decisão. Trubin demonstra ser um guarda-redes mais fiável entre os postes, mas com menor capacidade para construir, enquanto Samuel Soares não faz a diferença na defesa da baliza, mas pode dotar a equipa de outra capacidade com bola.

