Na quarta-feira, num ambiente predominantemente de cores azul e branco, repleto de troféus e fotos das equipas que ao longo dos anos fizeram parte do FC Porto, foram recordados os quatro portugueses (Alvarinho Moreira, Camilo Oliveira, Joaquim Rocha e Manuel Oliveira) que seis anos antes da inauguração se juntaram para criar aquela filial.
Aos jovens lusodescendentes foram feitos apelos para preservarem o legado dos pais.
“Estamos aqui para celebrar o 26.º aniversario, recordar com orgulho aquilo que se passou em 1994, quando quatro portistas nos reunimos e decidimos que bem valia a pena ter aqui a representação oficial do FC Porto na Venezuela”, explicou um dos fundadores à Lusa.
Alvarinho Moreira, ex-presidente da CDPV, explicou ainda que, durante a reunião, os quatro portistas decidiram aventurar-se e “ter um emblema na faixada do edifício representando o grande clube português”.
“Tivemos a vontade e, a coragem de fundar uma ação civil sem si de lucro com o principal objetivo de manter vivas as nossas tradições, usos e costumes, e inculcá-las nos nossos filhos, para sentirem orgulho em ser lusodescendentes e tenham consciência que ao ser filhos de portugueses, têm um enorme cartão de visita nas mãos que vai permitir-lhes ser recebido de braços abertos em qualquer canto do mundo”, disse.
Moreira explicou ainda que “valeu a pena empreender a aventura, que se transformou num maravilhoso sonho concretizado” e que, 26 anos depois, continua a ser motivo para que os portugueses “continuem juntos, unidos, a trabalhar, num lugarzinho que é referência na comunidade portuguesa”.
“Decidimos inaugurar esta casa a 01 de maio, porque Nossa Senhora de Fátima é a nossa padroeira, a companheira de viagem que nos acompanha ao longo da vida e nos ajuda a vencer as dificuldades e adversidades”, explicou.
Sobre o que mudou ao longo dos anos, com alguma nostalgia, Moreira explicou que a comunidade lusa está envelhecida e que os mais jovens emigraram para outras paragens à procura de melhores condições de vida.
“Muitos (portistas) já faleceram e alguns partiram definitivamente para Portugal. Com o passar dos anos a cada dia se torna mais difícil reunir os portugueses portistas”, frisou.
Moreira explicou que a história da CDPV teve dois pontos altos, a começar a visita do Presidente do clube Pinto da Costa (1982-2024) à Venezuela em 20 de julho de 2013, quando mais de mil pessoas acudiram ao salão nobre do Centro Português.
No ano seguinte, no Camarote Presidencial do Estádio do Dragão, o então representante de Portugal em Caracas Mário Alberto Lino da Silva referiu-se à Casa do Porto como “uma segunda embaixada de Portugal na Venezuela”, na presença de Pinto da Costa.
Aos lusodescendentes, Alvarinho Moreira instou a que mantenham o espírito de luta dos pais, a que preservem o legado e o caminho feito pelos portugueses que emigraram para a Venezuela à procura de uma vida melhor.
