O lateral, que trabalhou com Amorim no SC Braga e, depois, no Sporting, por opção do técnico, admite que a mudança para Inglaterra retirou ao treinador algum do conforto proporcionado pela estrutura que tinha construído em Alvalade.
“No Sporting tinha um ‘staff’ que lhe dava muito conforto. Quando chegou lá fora, se calhar não tinha esse mesmo conforto e tinha de decidir tudo. E ele gosta de decidir tudo, mas chega a uma certa altura em que é complicado”, afirmou o defesa do Gil Vicente, em entrevista à agência Lusa.
Ainda assim, o jogador de 33 anos considera que a marca futebolística do técnico português permanece evidente neste novo capítulo da carreira.
“Quando olhamos para uma equipa dele, reconhecemos a identidade do Ruben Amorim. Mesmo que não o víssemos no banco, perceberíamos que aquela equipa era sua”, sustentou.
Amorim foi apenas um dos treinadores portugueses de projeção internacional com quem o lateral se cruzou num percurso feito sobretudo entre Sporting e SC Braga, no qual destaca também Abel Ferreira, Jorge Jesus, Carlos Carvalhal ou Marco Silva.
“Felizmente, apanhei quase todos os treinadores que chegaram a um grande nível no futebol. Cada um tem a sua maneira de trabalhar e de ver as coisas, mas todos me deram bagagem, sobretudo tática, e pequenos pormenores que fazem a diferença”, observou.
Abel Ferreira surge, contudo, como figura determinante na afirmação do natural da Nazaré, depois de o ter orientado nos juniores e na equipa B do Sporting e de, anos mais tarde, ter apostado no defesa em Braga.
“Já tinha sido meu treinador no Sporting, nos juniores e na equipa B, e foi quem me levou para o SC Braga, foi decisivo na minha carreira”, recordou.

A mudança para o Minho, em 2017, acabaria por representar um ponto de viragem para um jogador ainda à procura de utilização regular no principal escalão.
“O SC Braga abriu-me as portas para ser o jogador que sou na Liga”, resumiu o experiente lateral, que conquistou pelos minhotos uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal.
Foi também em Braga que trabalhou com Carlos Carvalhal, numa época que considera determinante para criar as condições para regressar ao clube em que cumpriu a sua formação.
“A época que fiz com ele foi fantástica e dava-me conforto para estar à vontade e mostrar todo o meu potencial”, lembrou.
Já Jorge Jesus, atual selecionador nacional, orientou-o na primeira passagem pela equipa principal do Sporting, mas a menor utilização limita o peso dessa relação no percurso do defesa-direito.
“Não joguei muito, mas é um treinador incontestável. Sabemos aquilo que é e a sua qualidade, aprendi muito”, afirmou.
O regresso a Alvalade, em 2021, é apontado como um dos “pontos altos” da carreira, e Ricardo Esgaio lembra a conquista de títulos “inesquecíveis”.
“Felizmente, consegui regressar ao Sporting e ganhámos êxitos inesquecíveis. O título nacional foi aquele que mais desejava”, salientou.
Mais de uma década no principal escalão permitiu-lhe também cruzar-se com alguns dos futebolistas que mais o impressionaram, tanto como adversários como dentro do próprio balneário.
“Lembro-me do meu primeiro dérbi, um Benfica-Sporting. Apanhei o Gaitán pela frente e foi marcante. E o Brahimi, no FC Porto, era fenomenal”, recordou.
O argentino acabaria, anos mais tarde, por passar de adversário a companheiro de equipa no SC Braga, num percurso em que Esgaio destacou craques como Ricardo Horta e Paulinho, no Minho, e Coates, Pedro Porro, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves e Viktor Gyökeres, no Sporting.
Entre tantos nomes e títulos, ficou por concretizar a chegada à seleção principal, apesar do percurso internacional nos escalões jovens, incluindo a presença nos Jogos Olímpicos Rio2016.
“Obviamente que queria estrear-me e trabalhei ao máximo para conseguir, mas não foi possível. Não guardo mágoa. Os jogadores que estavam na minha posição mereciam lá estar”, rematou.
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