Villas-Boas aponta "efeito Mourinho" como causa para tornar Portugal favorito no Mundial-2026

Villas-Boas falou na conferência ECO
Villas-Boas falou na conferência ECOFC Porto

O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, classificou esta quarta-fiera como sendo “praticamente impossível” aos clubes portugueses replicarem o sucesso dos dragões na Liga dos Campeões de 2004, graças ao peso dos clubes ingleses.

"Vencer Liga dos campeões diria que é praticamente impossível. A Premier League inglesa disparou para níveis estratosféricos, numa realidade que não deveria estar nas competições da UEFA. Também devia haver Brexit nas competições europeias”, ironizou, durante uma conversa com Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, no âmbito da celebração do 10.º aniversário do jornal ECO, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

André Villas-Boas admitiu, no entanto, que é possível aos clubes portugueses, nomeadamente aos três grandes, vencer a Liga Europa ou a Liga Conferência, porém essas são as provas “nas quais ninguém quer estar”.

Questionado sobre as expectativas para o Mundial-2026, o presidente dos dragões mostrou-se otimista, referindo que Portugal tem uma “geração de ouro” que tem de “ser valorizada”, mas que vai enfrentar as “gerações de ouro” de países como a Espanha ou França.

Villas-Boas salientou que a atual geração nacional resulta de uma “capacidade única de gerar talento”, que crê ter sido fruto do que chamou “efeito José Mourinho”.

Temos uma capacidade única de gerar talento, fruto do efeito José Mourinho quando venceu no FC Porto: criou nos jovens a vontade de serem treinadores antes de serem jogadores. Nas faculdades, a nossa metodologia de treino é impar e temos muito bons treinadores na formação, o que permite uma geração que chegue ao Mundial com hipóteses de o ganhar”, salientou.

O presidente do FC Porto foi desafiado a fazer um pequeno balanço do mandato, no qual confessou que o peso do “legado excecional” do FC Porto lhe causa “medos, incertezas e sentido de responsabilidade”, e que as expectativas dos sócios são “mais difíceis de gerir”.

Eu sinto na pele a exigência e ambição de todos os portistas. Foi-me passado um clube com um legado excecional. Isso causa-me medos, incertezas e sentido de responsabilidade. Medo de falhar, de não ganhar títulos. Essa responsabilidade pesa e causa vontade de retribuir às pessoas. Perde-se tempo familiar e pessoal, em prol do bem dos portistas”, assumiu.

Villas-Boas admitiu, também ter sentido “alívio” com a conquista do título nacional de futebol, dizendo que é um sentimento que se substituiu à felicidade que dizia sentir quando era treinador.

Sobre a festa de celebração do título, que Pedro Duarte disse ter sido “diferente das anteriores”, Villas-Boas salientou que tal se deveu à organização, ao facto de o FC Porto ter reconquistado o título quatro anos depois, e assumiu que o clube se inspirou nos espanhóis do Athletic Bilbau.

Já o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, afirmou que o FC Porto “ajuda mais a cidade” do que o contrário, apesar de dizer que o Porto é uma “cidade livre, com pessoas de muitos clubes”.

O FC Porto reergueu-se e criou uma coesão que beneficia muito a cidade. Aquela festa nos Aliados, quem viveu aquilo percebeu. Foi uma festa bonita, única, mas o mais relevante foi a energia positiva que se sentia nas ruas, as pessoas juntaram-se por algo que estava acima delas. Foi diferente em relação a outros títulos”, afirmou o presidente da autarquia.

Pedro Duarte atribuiu mérito a Villas-Boas dizendo que o FC Porto, antes, “mobilizava mais umas partes que outras” e que “hoje é ponto de convergência e unidade”.

Sobre o Mundial-2026, o autarca referiu que o simples posicionamento de Portugal entre os candidatos “já é uma vitória”, dizendo que o posicionamento que o futebol português tem internacionalmente “deveria ser estudado” e que espera que possa “inspirar o país para outras áreas”.