De treinador para presidente: "O treinador que fui em Inglaterra era muito difícil de moldar. Inicialmente, pensei que um líder tinha de ser só um, com os mesmos valores, e que os recetores teriam de se adaptar à minha liderança. Essa foi a grande transformação que tive enquanto líder. Um líder tem de ser capaz de motivar os seus atletas, funcionários ou colaboradores. E, para que isso aconteça, temos de criar condições para que essas pessoas sejam capazes de colocar todo o seu talento à disposição. Nós, líderes, é que temos de nos adaptar ao que essas pessoas querem ouvir, ao que as faz transcenderem-se e ao que as motiva na execução das suas funções, obedecendo a regras específicas dentro de uma organização para que a visão global seja cumprida."
Perfil autoritário: "Eu era um líder muito mais autoritário no início da minha carreira, que era suportada pela estrutura FC Porto. Era um treinador-sócio, treinador-adepto. A experiência em Inglaterra abriu-me para uma nova realidade, que depois apliquei com sucesso na continuação da minha carreira. Sou um animal competitivo e fui enquanto treinador. Tive 15 anos de carreira e ganhei sete títulos. Gostava de ter ganho 15 em 15, mas olho para trás com orgulho do que fiz."
O que perdeu ao ser presidente do FC Porto? "O que a presidência me tirou foi a escrita. Eu adorava escrever, adorava filosofar sobre diferentes matérias. Agora praticamente não leio, o que me faz muito mal. Diferentes líderes inspiram-me, sempre fui fascinado por tentar compreender as mentes dos melhores do mundo — Michael Phelps, Michael Jordan, Tiger Woods, Phil Jackson, Pep Guardiola."
Dificuldades na presidência do FC Porto: "A realidade era muito difícil, quase uma batalha impossível, ao ponto de ter assustado bastante. O FC Porto, desde que eu tomei posse a 27 de abirl de 2024, tinha responsabilidades de 16 milhões de euros para pagar num mês e não tinha nenhuma possibilidade de fazer face às mesmas. Portanto, aí fomos salvos por sócios do clube, que nos permitiram a injeção de capital imediata para fazermos face a essas obrigações, onde se situavam pagamentos a fornecedores, a clubes, salários a funcionários ea jogadores das diferentes modalidades, que estavam em atraso. E não fosse a generosidade dessas pessoas, que hoje levamos no coração e nos têm ajudado, teríamos entrado numa situação difícil. Há muitas pessoas, como nós, que se relacionam com o amor total ao FC Porto e que não hesitaram em depositar dinheiro que é seu nas contas do clube. O FC Porto conseguiu devolver esse dinheiro, até dezembro de 2024, fruto da conclusão do projeto Porto StadeCo, que nos permitiu levantar 115 milhões de euros em US private placement bonds, portanto, em obrigações no mercado americano. A partir daí, deu-se também, por continuidade desse projeto, a venda de parte da Porto StadeCo à Ithaka, portanto, uma construção de um negócio que já vinha da anterior administração. Elevou-nos o total de capital para cerca de 180 milhões de euros. E depois, em janeiro de 2025, as vendas do Nico González e do Galeno permitiram uma injeção de capital de 110 milhões de euros. Todas estas operações foram absolutamente fundamentais para a sustentabilidade do clube, pelo menos a curto prazo, para a resolução de imensos problemas e para tornar o FC Porto um clube credível na banca, com os seus fornecedores, com os seus funcionários, com os seus jogadores. E depois, em continuidade com isso, permitiu-nos investir no plantel de 2025/26. Neste momento, por pequena diferença, o FC Porto não é atualmente o plantel mais valioso do futebol português, porque o do Sporting ainda está valorizado acima. Mas encontra-se muito perto, à distância de 10 milhões de euros."
Revolução em tempo recorde: "Uma transformação profunda, muitas dores de cabeça, muitos sustos, muita vergonha também, porque quando se está perante alguém e se diz que não temos capacidade de pagar algo ao qual estamos obrigados, custa, porque as pessoas também têm as suas próprias responsabilidades. E, no fundo, essa foi a grande vitória da nossa equipa de gestão."
Melhor contratação até agora: "Em 2024/25, o Samu, sem dúvida. Foi um negócio que fechámos em 24 horas, de um talento que não podia estar no mercado. Essa história é muito curiosa, porque deu-se o falhanço da transferência para o Chelsea, que alegou que o jogador tinha lesões inexistentes. Quando cai a mudança para o Chelsea, o jogador ficou no mercado e em 24 sentámo-nos com ele, na sede do Atlético de Madrid e fechámos o negócio sem ninguém saber. Foi algo que nos orgulhou, conseguir atrair para o FC Porto um dos maiores talentos do mundo. É alguém em quem depositamos grandes esperanças para o futuro. É cheio de paixão e emoção, além de todo o talento que tem, que é único."
Melhor contratação da última época: "Quanto às contratações de 2025/26, todas têm uma história específica. O Froholdt tinha uma transferência apalavrada para a Bundesliga, já depois de o FC Porto ter estado em Copenhaga, mas não se concretizou fruto da falta de acordo entre esses clubes. Tínhamos uma janela de tempo muto curta para atuar e atuámos. Normalmente, este jogador não devia estar aqui, mas sim noutro campeonato. A do Kiwior também foi muito especial, é um jogador muito talentoso que vinha da Premier League e tinha vários interessados, entre os quais grandes clubes europeus. Adorou o projeto FC Porto e o que ele significava, Só concluímos a transferência no fecho do mercado, porque estava dependente de uma contratação do Arsenal."
Atuar no mercado: "Todas as transferências contam diferentes histórias, diferentes batalhas que nos orgulham. Uma coisa é certa, uma foto como esta (troféus do FC Porto) atrai muita gente. O FC Porto é o clube nacional com mais títulos no futebol e com mais títulos internacionis. Tem uma história sem paralelo e sem precedentes. Há muitas pessoas que veem uma fotografia destas e querem vir para o FC Porto."
