Os Cherries estavam na League Two ainda em 2010, mas já passaram 10 das últimas 12 épocas (incluindo a próxima de 2026/27) na Premier League.
Tiveram um percalço em 2020 e passaram dois anos de regresso ao Championship, mas desde que voltaram ao escalão principal têm vindo a subir de forma constante, melhorando a sua posição na Liga em cada época. Esse percurso culminou num sexto lugar na última temporada e na estreia em competições europeias na sua história.
O Bournemouth superou inúmeros desafios desde o regresso ao principal escalão e tem conseguido manter-se de pé, consolidando o seu estatuto de clube da Premier League.
Superar contratempos com inteligência
O desempenho do Bournemouth no mercado de transferências tem sido o principal motor do seu sucesso até ao momento.
O recrutamento dos Cherries tem sido notável desde o regresso ao escalão principal. Em 2022, reforçaram-se com Marcos Senesi e Marcus Tavernier, antes de garantirem em janeiro as contratações de Ilya Zabarnyi, Antoine Semenyo e Dango Ouattara.
As contratações de Tyler Adams, Alex Scott, Justin Kluivert e Milos Kerkez seguiram-se na época seguinte (2023/24), antes de, em 2024/25, chegarem Evanilson, Dean Huijsen e Eli Junior Kroupi.
O verão de 2025 marcou os primeiros verdadeiros contratempos em termos de saídas importantes. Tirando a venda de Dominic Solanke no ano anterior, o Bournemouth ainda não tinha perdido nenhum dos seus principais talentos até então.
Zabarnyi, Kerkez, Huijsen e Outtara saíram todos do clube e o emprestado Kepa Arrizabalaga regressou ao clube de origem. Os Cherries perderam, assim, dois terços da sua linha defensiva e um extremo influente num só verão, ainda que com um lucro considerável.
A resposta no mercado de transferências foi exemplar. O Bournemouth pegou nos cerca de 200 milhões de euros provenientes das vendas e deu nova vida ao plantel.
Bafode Diakite, Djordje Petrovic, Ben Gannon-Doak, Amine Adli, Veljko Milosavljevic e Adrien Truffert chegaram todos ao clube, nenhum deles com mais de 25 anos. Começaram a época em grande, mas enfrentaram alguma inconsistência antes de serem novamente abalados em janeiro com a venda do jogador estrela Semenyo ao Manchester City.
Muitos observadores esperariam que fosse um passo demasiado arriscado, mas rapidamente foi contratado um novo avançado promissor, Rayan, e a equipa de Andoni Iraola praticamente não mais olhou para trás.
Os Cherries seguiram até ao final da época sem perder qualquer jogo, completando uma série de 18 partidas invictas e terminando em sexto lugar.
Nova era para 2026/27
A venda constante de grandes talentos pode acabar por afetar qualquer clube. Ainda assim, o Bournemouth mantém vários jogadores que provavelmente renderão grandes valores nas próximas janelas de transferências, como Scott, Kroupi e Rayan.
Neste verão, tiveram de lidar com a saída do treinador Iraola e do defesa Senesi, ambos a deixarem o clube após o término dos respetivos contratos.
Pelo menos, já sabiam dessas saídas com antecedência e até confirmaram Marco Rose como treinador para a próxima época antes mesmo do final da temporada passada. Agora, tudo indica que estão prestes a garantir também o substituto de Senesi; o defesa do Benfica, Antonio Silva, de 22 anos, deverá juntar-se ao clube.
As coisas estão a correr bem para o Bournemouth neste verão, com a perspetiva entusiasmante do futebol europeu a poder elevar ainda mais o nível do seu recrutamento, caso seja necessário.
Para já, o interesse nos jovens talentos Kroupi, Scott e Rayan ainda não se traduziu em propostas oficiais e, faltando apenas um mês para o fecho do mercado, aumentam as probabilidades de permanecerem para a aventura europeia.
Resta saber o que o próximo mês reserva para o Bournemouth – e como se sairá o novo treinador Rose –, mas o clube já provou, repetidamente, ao longo dos últimos quatro anos, que está determinado a continuar a crescer o máximo de tempo possível.
Os Cherries iniciam a sua época na Premier League fora frente ao Manchester City, no domingo, 23 de agosto.
