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Análise: Como estão as 20 equipas antes do arranque da Premier League

Enzo Maresca, treinador do Manchester City
Enzo Maresca, treinador do Manchester Citytch REUTERS/Kim Soo-Hyeon

Um verão de Mundial adiou o início da época uma semana e prolongou a pré-época até quase se tornar um rumor, mas a Premier League regressa esta sexta-feira, quando o Arsenal inicia a defesa do seu primeiro título em 22 anos, em casa frente ao Coventry de Frank Lampard.

Nove clubes começam com um novo treinador, um recorde para uma jornada inaugural, e a renovação chega a quase todos os cantos do top seis: Enzo Maresca no Manchester City, Andoni Iraola no Liverpool, Xabi Alonso no Chelsea, Matthias Jaissle no Newcastle.

A pré-época, como sempre, trouxe a habitual mistura de goleadas enganadoras e derrotas instrutivas, a maioria das quais não terá qualquer significado em outubro. Com esse aviso bem presente, eis como estão as 20 equipas:

Arsenal

Campeões, e a comportarem-se como tal quando foi preciso. Os amigáveis foram para esquecer – derrotas frente ao Real Betis e Borussia Dortmund em casa, resultados que desaparecem assim que soa o apito inicial – mas o 3-0 ao Manchester City na Supertaça em Cardiff foi uma demonstração de força rara nesta fase da época.

Christos Tzolis, contratado ao Club Brugge por 40 milhões de euros, tem mostrado valer o investimento, e a aquisição de Bruno Guimarães ao Newcastle por 75 milhões oferece a Arteta um meio-campo de verdadeiro controlo.

Foi um verão de afinação e não de revolução, embora a ausência de um novo número nove mantenha o debate habitual até alguém resolver a questão dentro de campo.

Aston Villa

Os homens de Unai Emery conquistaram o direito de abrir a época europeia, disputando a Supertaça Europeia como vencedores da Liga Europa após o expressivo 3-0 ao Friburgo em Istambul, o seu primeiro grande troféu desde 1996. Perderam por 2-1 frente ao PSG, a quarta derrota de Emery nesta competição, embora o jovem Brian Madjo, de 17 anos, se tenha dado a conhecer ao marcar o golo do empate.

O balanço da pré-época não é animador – derrotas frente ao FC Porto, Real Sociedad, Bayern e Monchengladbach – mas a qualidade dos adversários explica quase tudo. A verdadeira preocupação está nas saídas: Morgan Rogers transferido para o Chelsea por 117 milhões, Youri Tielemans para o Manchester United, e Amadou Onana afastado devido a lesão no ligamento cruzado anterior.

O reforço mais caro da história do clube, Johan Manzambi, e João Gomes chegam para reconstruir o meio-campo, com Alejandro Garnacho emprestado para dar profundidade. Uma campanha de Liga dos Campeões e um núcleo criativo mais curto são uma combinação exigente.

Bournemouth

A vida após Andoni Iraola começa sob o comando de Marco Rose, e os primeiros sinais ofensivos são claros: cinco ao Augsburgo, quatro ao St Pauli, dez ao Génova à porta fechada. Números para saborear sem tirar grandes conclusões.

A grande dúvida está na defesa, onde um verão de mudanças trouxe António Silva, Alvaro Rodríguez, Alex Jiménez e Juanlu Sánchez, muitos rostos novos para transformar num bloco antes da competição a sério. A saída livre de Marcos Senesi para o Tottenham reduz ainda mais a experiência.

Marco Rose tem as armas ofensivas; a defesa ainda parece um trabalho em progresso.

Brentford

Keith Andrews contrariou os cpticos ao terminar em nono lugar na época passada, igualando o melhor registo do clube, e foi recompensado com contrato até 2032. O destaque do verão é uma não-transferência: Igor Thiago, cujos 22 golos na Liga só foram superados por Erling Haaland, manteve-se no plantel.

A pré-época foi curta mas intensa, com um 7-0 ao Eintracht Frankfurt no Gtech a destacar-se. Mamadou Sangaré chega do Lens como principal reforço, com Jaidon Anthony e Callum Wilson (a custo zero) a dar profundidade.

O recrutamento parece ponderado e não revolucionário, o que encaixa num clube que raramente faz algo por acaso.

Brighton

Negócio habitual na costa sul, ou seja, negócios feitos com inteligência. Dois oitavos lugares consecutivos e uma campanha na Liga Conferência para gerir, e a equipa de Hurzeler passou a pré-época com vitórias sobre Roma e Bolonha, além de um emocionante 4-3 em Estrasburgo.

O modelo manteve-se: Jan Paul van Hecke vendido ao Tottenham por 52 milhões, Pascal Struijk e Michael Svoboda contratados para o substituir, Luka Vuskovic assinou em definitivo. James Milner retirou-se e Solly March foi dispensado.

A dúvida, como sempre, é se o reforço do plantel será suficiente na defesa enquanto um grupo jovem persegue a Europa em duas frentes.

Chelsea

A chegada de Xabi Alonso é a contratação mais intrigante do verão, um treinador de verdadeiro calibre a herdar um plantel montado a custo astronómico. Morgan Rogers tornou-se a contratação mais cara do clube (117 milhões), um de 11 reforços ao lado de Geovany Quenda, Marco Palestra, Maxence Lacroix e Emmanuel Emegha.

João Pedro foi a figura da pré-época, com um hat-trick frente ao Western Sydney e dois golos contra o AC Milan, a mostrar um avançado em forma logo de início. Não há competições europeias para disputar esta época, o tipo de calendário limpo que ajudou Conte a levar o Chelsea ao título em 2016/17.

Xabi Alonso tem os recursos; a questão é apenas a coerência de um plantel jovem e vasto.

Coventry

Vinte e cinco anos depois, a equipa promovida de Frank Lampard está a investir como quem quer ficar. Um recorde do clube com 23,1 milhões gastos em Caleb Yirenkyi, além de Loum Tchaouna, Aurele Amenda e, crucialmente, o experiente da Premier League, Taiwo Awoniyi, vindo do Nottingham Forest.

As vitórias na pré-época por 2-0 frente ao Mónaco e 3-1 ao Espanyol mostram uma equipa com vida, mesmo que a derrota inicial frente ao AFC Wimbledon tenha servido de aviso para a diferença de nível a superar.

O desconhecido é simples e inevitável: nada disto foi testado neste patamar. Ambicioso sem ser imprudente, e aparentemente melhor preparado do que a maioria das equipas promovidas dos últimos anos.

Crystal Palace

Pierre Sage, vindo do Lyon, assume um grupo que acaba de perder Maxence Lacroix para o Chelsea por 52 milhões, um vazio importante no centro da defesa. As entradas baseiam-se em transferências livres e empréstimos – Oscar Mingueza, Takehiro Tomiyasu, Dwight McNeil numa troca com o Everton – além da chegada de Anan Khalaili por 21 milhões.

A pré-época foi irregular: vitória por 3-1 sobre o Wolverhampton compensada por derrotas por 3-0 frente ao Bromley e Freiburg.

Um treinador estreante na Premier League, um defesa-chave que saiu e um plantel em mudança são muitos desafios para resolver até esta sexta-feira.

Everton

David Moyes acrescentou criatividade e energia – Tyrique George vindo do Chelsea, Brennan Johnson numa troca, Merlin Rohl e Hayden Hackney para o meio-campo, Christian Norgaard para dar equilíbrio.

A pré-época foi sólida sem ser exuberante: quatro ao Dundee, vitória por 3-1 sobre o Newcastle em Murrayfield, compensadas por derrotas frente ao Stoke e Estugarda.

O enigma habitual do Everton mantém-se por resolver. Apesar do reforço do meio-campo, a questão de quem marca golos de forma consistente continua sem resposta.

Fulham

A maior aposta do verão está em Craven Cottage, onde Álvaro Arbeloa assume pela primeira vez o comando de uma equipa principal. A pré-época foi curta, três jogos, terminando com uma vitória por 1-0 sobre o Estugarda, o que pouco revela.

O recrutamento aposta na juventude: Gonzalo Garcia chega do Real Madrid por 34 milhões para substituir os golos de Raul Jiménez, que saiu a custo zero, com Shea Charles a dar músculo.

Perder Jiménez e Harry Wilson e entregar o ataque a um jovem de 21 anos sob comando de um treinador estreante é um voto de confiança no potencial. Alto risco, e os indícios iniciais são insuficientes para avaliar.

Hull City

Após nove anos de ausência, Sergej Jakirovic, que conduziu os Tigers pelos play-offs e venceu o Middlesbrough em Wembley, foi recompensado com uma autêntica revolução: Jack Butland, Konstantinos Tzolakis, Nobel Mendy, Matt Targett, Joe Gelhardt e mais uma série de reforços, com número semelhante de saídas.

A pré-época decorreu de forma estável, vitórias sobre Konyaspor e Rizespor, empate sem golos com o Nice, derrota frente ao Frankfurt.

A dimensão da renovação é tanto a história como o risco. Uma dúzia de caras novas tornam os primeiros meses imprevisíveis, e tudo começa frente ao Manchester United no MKM.

Ipswich

A saída de Kieran McKenna foi a surpresa do verão, com Gary O'Neil a herdar um plantel profundamente renovado: Emersonn, Julio Inciso, Abdul Fatawu e Daizen Maeda entre uma dúzia de reforços acima dos 150 milhões no total.

O futebol aqueceu bem, com vitória por 3-0 sobre o Rayo Vallecano e 4-2 no Union Berlin a fechar a pré-época em alta.

A preocupação é a habitual para uma equipa promovida e reconstruída à pressa: a coesão. O registo de O'Neil é de sobrevivência, e tem muito pouco tempo para fazer o grupo funcionar como um só.

Leeds

A equipa de Daniel Farke, segura na primeira época de regresso, atravessou a pré-época com confiança, vencendo o Liverpool por 4-2 em Chicago, o RB Leipzig por 2-0 e o Augsburgo por 4-0.

A chegada de James Trafford do Manchester City por 40 milhões é um sinal de ambição na baliza, com Harry Wilson e Tarik Muharemovic a acrescentar qualidade em todo o relvado. As saídas de Pascal Struijk para o Brighton e Illan Meslier a custo zero são perdas geríveis.

A dúvida persistente é a que costuma trair as equipas promovidas: se este plantel marca golos suficientes para garantir tranquilidade. Com base nestes sinais, o otimismo em Elland Road é justificado.

Liverpool

A reconstrução mais delicada da divisão está a acontecer em Anfield, com Andoni Iraola a substituir o despedido Arne Slot e a encontrar um eixo central completamente desmantelado – Mo Salah, Ibrahima Konate e Andy Robertson saíram todos a custo zero, um trio de saídas impressionante sem retorno financeiro. As entradas não se aproximam do mesmo estatuto: Jeremy Jacquet por 55 milhões, Victor Muñoz e Ronald Araújo por empréstimo do Barcelona.

A pré-época refletiu a incerteza, com uma vitória animadora sobre o Como, mas derrotas frente ao Leeds e Mónaco.

Substituir o fator de intimidação de Salah é o grande desafio do verão do Liverpool, e neste momento não há resposta evidente no plantel.

Manchester City

O fim de uma era e um início intermitente da próxima. Enzo Maresca sucede a Pep Guardiola após o sucesso na Taça de Inglaterra mas com o título perdido, e a sua era começou com um empate 1-1 frente ao Inter de Milão em Hong Kong, derrota nos penáltis apesar de 24 remates contra 10 do Inter. Seguiram-se vitórias por 3-1 frente a uma seleção de estrelas da K-League e ao Atlético de Madrid, com Antoine Semenyo em destaque no ataque e Omar Marmoush a bisar frente aos espanhóis. 

Depois veio Cardiff, e uma pesada derrota por 3-0 na Supertaça frente ao Arsenal que desfez grande parte do entusiasmo. O plantel foi remodelado em torno de Maresca; Rodri, Bernardo Silva e John Stones saíram, e um recorde de 116 milhões foi investido em Elliot Anderson

Como discípulo de Pep Guardiola, o desafio agora é provar que é mais do que um eco do mestre.

Manchester United

Michael Carrick, agora efetivo, garantiu o terceiro lugar após a saída de Ruben Amorim, e esse é o patamar que tem de defender. A pré-época foi curiosa: derrota por 0-1 frente ao Wrexham em Helsínquia causou surpresa antes de um 5-0 ao Rosenborg repor a ordem, apenas para uma derrota por 4-2 frente ao AC Milan de Ruben Amorim voltar a baralhar as contas. 

O meio-campo foi reconstruído em torno de Andrey Santos e Youri Tielemans, e Marcus Rashford regressa do empréstimo ao Barcelona. A grande lacuna está na frente: Rasmus Hojlund foi vendido ao Nápoles sem que tenha chegado um substituto de peso.

Apesar do investimento no meio-campo, a questão de quem lidera o ataque permanece sem resposta e é urgente.

Newcastle

A maior aposta do verão, sem comparação. Eddie Howe saiu, substituído por Matthias Jaissle, e o plantel que herda foi esvaziado no topo: Anthony Gordon para o Barcelona, Bruno Guimarães para o Arsenal, Sandro Tonali para o Tottenham por 92,5 milhões, Kieran Trippier dispensado.

Para os substituir chegam Bazoumana Touré, Aladji Bamba, Amar Dedic (ex-Benfica) e Sean Steur, jogadores promissores mas sem provas dadas na Premier League.

A pré-época trouxe alguns sinais, com vitória por 2-1 em Valência, mas a realidade é dura. Três dos melhores jogadores vendidos, um treinador novo em Inglaterra e uma reconstrução que tem de resultar quase de imediato.

Nottingham Forest

Oliver Glasner chega com verdadeiro currículo, uma Liga Europa pelo Eintracht Frankfurt e uma Taça de Inglaterra pelo Crystal Palace, para substituir o despedido Vitor Pereira. A herança é complicada pela venda de Elliot Anderson ao Manchester City por 116 milhões, um encaixe que financia a reconstrução mas deixa um vazio criativo, além da saída de Taiwo Awoniyi para o Coventry. Ainda assim, Ousmane Diomande (ex-Sporting) e Xaver Schlager parecem reforços inteligentes.

A pré-época foi um verdadeiro misto, com vitórias sobre o Bayer Leverkusen e Brest a par de derrotas frente ao Sporting e Barcelona.

As noites europeias regressam esta época, e a profundidade do plantel após as saídas é o ponto a acompanhar.

Sunderland

O sétimo lugar e o apuramento europeu na época de regresso foram uma das grandes surpresas da última temporada, e Regis Le Bris merece o mérito.

A pré-época manteve o mesmo espírito, com um 5-1 em York e vitória por 2-1 sobre o Rennes a fechar uma digressão positiva.

A preocupação está no mercado: até ao momento, o Sunderland tem sido dos clubes menos ativos em entradas, com Thomas Meunier como principal reforço a custo zero e vários jogadores emprestados de regresso. Depois de superar expectativas e com uma agenda europeia para cumprir, um mercado discreto é um risco, embora tudo possa mudar perto do fecho.

Tottenham

Roberto De Zerbi, no cargo desde março, tem agora a sua primeira pré-época completa e uma espinha dorsal substancialmente renovada. O investimento foi forte: Sandro Tonali por 92,5 milhões, Mateus Fernandes por 85 milhões, Jan Paul van Hecke por 52 milhões, além de transferências livres experientes como Andy Robertson e Marcos Senesi. O clube recebe ainda de volta os ausentes de longa duração James Maddison e Dejan Kulusevski após praticamente toda a época passada lesionados.

A venda do capitão Cristian Romero ao Atlético de Madrid deixa uma vaga que os novos defesas terão de preencher.

O futebol apresentado tem sido animador, incluindo vitória por 2-1 sobre o Chelsea em Sydney e um 3-0 ao Hoffenheim, com Richarlison em destaque. A ambição não está em causa; a rapidez com que De Zerbi consegue dar coesão ao grupo renovado será decisiva para a época.

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