O City terá celebrado contratos "fictícios" com vários parceiros comerciais para inflacionar artificialmente as receitas do clube e reduzir os custos ao longo de um período de nove épocas, entre 2009 e 2018. O esquema ocultou a verdadeira situação financeira do clube e permitiu evitar violações dos limites de gastos da Premier League e da UEFA.
Uma comissão independente também considerou o clube culpado da maioria das acusações relacionadas com a sua falta de cooperação na investigação da liga. O City pode ser despromovido, sofrer uma dedução de pontos ou receber uma multa avultada. Ainda não foi aplicada qualquer sanção, e o City, apoiado por Abu Dhabi, afirmou que vai recorrer da decisão.
Bernstein, que foi presidente do City entre 1998 e 2003, considera, porém, que a equipa merece a punição mais severa possível.
"É condenatório para lá de qualquer crença. O meu pensamento imediato é: a direção deve continuar? As pessoas envolvidas devem ser suspensas de imediato?", disse Bernstein à BBC.
"É muito, muito grave. Penso que é realmente terrível. Há uma corrente de pensamento entre os advogados que consiste em negar, negar, negar, mas este é um clube de futebol que faz parte de uma liga e a credibilidade de toda a liga está aqui em causa. As sanções não podem ser apenas financeiras, por isso têm de ir muito além disso. Se o recurso falhar, o Manchester City não pode continuar na liga, tem de sofrer. E digo isto enquanto apoiante e adepto", acrescentou.
"Sanção máxima"
Lisa Nandy, secretária britânica da Cultura, Comunicação Social e Desporto, disse à Channel 5 News que a despromoção não poderia ser excluída caso o recurso do City falhe.
"Não quero antecipar qualquer tipo de processo de recurso, e eles têm direito a uma audiência justa. Mas o que posso dizer é que a sanção máxima é, de facto, muito grave. Quero dizer, um clube pode ser expulso da Premier League se este tipo de alegações for confirmado, com consequências obviamente enormes para todos", afirmou Nandy.
"Por isso, existem sanções muito graves, e penso que a questão mais importante é saber como garantimos que temos regras claramente compreendidas, que são respeitadas e aplicadas de forma consistente, e que podemos agir rapidamente quando são violadas."
O especialista em finanças do futebol Kieran Maguire afirmou que as violações do City pareciam agora ser ainda piores do que se suspeitava inicialmente.
"Se procurarem no Google o significado da palavra 'fictício', aparecem palavras como falso, fraudulento e enganador. É muito, muito significativo. O facto de os auditores não terem conhecimento disso significa que deve ter havido conluio no clube. Penso que isto foi muito além do pior cenário que alguém tinha inicialmente imaginado", disse à BBC.
Maguire deixou uma réstia de esperança para o recurso do City, afirmando: "Falei hoje com alguns advogados especializados em direito desportivo, para o caso de isto vir a acontecer, e a conclusão a que cheguei foi que é difícil, mas não impossível, o Manchester City alegar que, em última análise, isto é uma forma de disputa comercial entre duas entidades. Por isso, o caso deveria ser retirado da esfera das autoridades do futebol e tratado pelos tribunais comuns do país."
Mas até o adepto do City David Mooney, que conduz o podcast Blue Moon, ficou estupefacto com a dimensão do condenatório veredicto da Premier League.
"Não penso que exista uma palavra na língua inglesa que descreva o quão condenatório isto é. É preciso aplicar ao clube a punição máxima. Em última análise, se não tiverem sucesso no recurso, mentiram aos adeptos durante todo este processo, mentiram às entidades do futebol. Mentiram a toda a gente", disse Mooney à BBC.
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