O antigo avançado do Togo passou três épocas e meia no Arsenal, onde marcou 62 golos em 142 jogos, depois de ter chegado do Mónaco em janeiro de 2006.
Mais tarde, transferiu-se para o Manchester City, numa altura em que o clube iniciava a sua transformação numa potência do futebol inglês, antes de passar a segunda metade da época 2010/11 emprestado ao Real Madrid.
Adebayor nunca conseguiu conquistar a Premier League ou a Liga dos Campeões, nem pelo Arsenal nem pelo Manchester City, mas viu as bases lançadas na sua era acabarem por dar frutos.
O Arsenal conquistou o título da Premier League em 2025/26, pondo fim a uma espera de 22 anos pelo campeonato, enquanto o City consolidou o seu estatuto entre a elite europeia. Para Adebayor, ver esses clubes alcançarem finalmente o que a sua geração não conseguiu é motivo de satisfação.
“Fui para o Arsenal para ser campeão. Não consegui concretizar isso. Fui para o Manchester City. Iniciámos o projeto de ganhar campeonatos, de vencer a Liga dos Campeões. Não conseguimos concretizar. Aqueles que vieram depois de nós estão a consegui-lo agora. Só podemos estar felizes por eles", disse Adebayor ao Flashscore.
A evolução do Arsenal com Arteta
Adebayor acredita que a transformação do Arsenal sob o comando de Mikel Arteta assentou numa identidade clara e numa presença física mais forte.
Arteta sucedeu a Unai Emery em 2019 e foi reformulando gradualmente o plantel, com defesas como Gabriel e William Saliba a tornarem-se peças centrais da solidez defensiva do Arsenal.
Adebayor vê essa componente física como uma das grandes diferenças entre o Arsenal do seu tempo e a equipa que acabou por pôr fim à longa espera do clube por um título da Premier League.
“O Arteta sucedeu ao Arsène Wenger (sic) com a sua própria mentalidade, com a sua visão. Aprendeu com o Pep Guardiola. Quer certas coisas de determinada forma. Não me surpreende que tenha trazido alguns jogadores grandes para a defesa, como o Gabriel e o Saliba. São fortes. São grandes. São físicos", afirmou.

Para Adebayor, essa combinação de qualidade técnica e força física é especialmente importante na Premier League, onde acredita que para vencer é preciso mais do que jogar um futebol atrativo.
“Isso é algo que o Arsenal acrescentou ao seu futebol e que pode, sem dúvida, torná-los campeões. Se queres ser campeão em Inglaterra, podes jogar futebol bonito o quanto quiseres e nunca serás campeão. Se tiveres jogadores prontos para dar o corpo, prontos para lutar por ti, então aí sim podes ser campeão", explicou.
Os problemas do Real Madrid
Adebayor refletiu também sobre as dificuldades que o Real Madrid enfrenta, em particular o desafio de gerir um balneário com várias das maiores estrelas do mundo.
O avançado togolês viveu esse ambiente em primeira mão durante o seu empréstimo ao Real Madrid em 2011, jogando ao lado de Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Gonzalo Higuaín.
Com Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Jude Bellingham agora entre as principais figuras do Real Madrid, Adebayor considera que gerir personalidades pode ser tão importante como as decisões táticas.
“Quando tens jogadores como o Mbappé, o Vinícius, o Jude Bellingham, é uma questão de ego. Não te enganes, eles tentam mostrar na televisão que se entendem bem, mas não resulta todos os dias", afirmou.
Adebayor acredita também que o estatuto dos jogadores envolvidos pode dificultar a qualquer treinador impor total autoridade.
“Quando tens o Mbappé e o Vinícius, és um dos melhores jogadores do mundo. É bastante difícil dizer-te o que fazer", acrescentou o avançado.
Mourinho vai exigir controlo
O regresso de Mourinho ao Real Madrid acrescentou mais uma camada à situação. Mourinho foi nomeado treinador principal do Real Madrid pela segunda vez em junho, mais de uma década depois da sua primeira passagem pelo clube.
O português trabalhou com Adebayor durante a sua primeira passagem por Madrid, quando o avançado chegou por empréstimo do Manchester City em janeiro de 2011.

Adebayor recorda um treinador que não hesitava em enfrentar até as maiores personalidades do balneário.
“Conheço o Mourinho. Ele sobe para cima da mesa e diz-lhes: ‘Ou fazem o que eu disse, ou sentam-se no banco.’ Eu jogava com o Higuaín, o Benzema e o Ronaldo ao mesmo tempo na frente. Tínhamos o mesmo tipo de ego", lembrou.
Mourinho já regressou ao Bernabéu com a expectativa de devolver o Real Madrid ao topo do futebol europeu. No entanto, Adebayor acredita que a autoridade do treinador no balneário pode já não ser a mesma da sua primeira passagem.
“O Mourinho chegou ao clube já com muitos títulos conquistados. Por isso, o seu ego era maior do que o de todos nós. Não te enganes, o Mourinho é o meu homem, mas tem tido dificuldades nos últimos cinco, seis anos. Ao regressar a Madrid, o seu poder já não é como antes. O Mbappé vai ouvir porque é o Mourinho, mas não vai ouvir totalmente. Quando o Mourinho era o Mourinho, o Mbappé era jovem... eles não conhecem verdadeiramente a personalidade da pessoa", afirmou.
Adebayor espera que Mourinho deixe clara a sua posição
O Real Madrid teve um início de época inconsistente, com José Mourinho a regressar ao clube numa tentativa de reconstruir a equipa e lutar por grandes títulos.
A equipa sofreu uma derrota por 2-1 frente ao Atlético de Madrid no dérbi de Madrid no domingo, com as dúvidas a persistirem quanto ao equilíbrio e às exibições da equipa, que segue a seis pontos do líder Barcelona.
Adebayor acredita que Mourinho não hesitará em exigir mudanças à direção e ao balneário do clube se sentir que a sua autoridade está a ser posta em causa.
“Conhecendo o Mourinho, tenho quase a certeza de que esta semana vai falar com o presidente e dizer-lhe o que quer. Quando regressarem da pausa para as seleções, vai dizer-lhes: ‘Ou são vocês ou sou eu. Ou sou despedido ou despeço-vos primeiro'", concluiu Adebayor.
