O antigo chefe da PGMOL será o especialista Flashscore de arbitragem ao longo do Mundial, analisando de perto as atuações dos homens do apito, bem como outros temas em destaque.
Espanha - Bélgica
O árbitro Michael Oliver tornou-se o árbitro inglês com mais jogos arbitrados em Mundiais (sete) até à data, depois de ter sido nomeado para dirigir este encontro.
Foi positivo ver que não mostrou logo um cartão amarelo precoce e desnecessário, optando por gerir a situação quando Leandro Trossard puxou o adversário, tendo certamente em conta o nervosismo de alguns jogadores.
A correta marcação de um livre, que não teve consequências, a excelente deteção de uma mão de um jogador espanhol e um lançamento ao solo sem contestação quando Oliver se colocou inadvertidamente no caminho do jogo, foram mais provas de um árbitro no topo da sua forma.
O primeiro cartão amarelo do encontro surgiu quando o defesa espanhol Pau Cubarsi puxou os calções de Kevin de Bruyne; mais uma decisão correta do homem do apito, que realizou uma primeira parte de grande nível.
Marc Cucurella foi corretamente sancionado por uma falta logo no início da segunda parte, enquanto um fora de jogo assinalado aos 47 minutos para travar um ataque espanhol voltou a estar correto.
Houve um momento complicado quando os suplentes que estavam a aquecer bloquearam a corrida do árbitro assistente Stuart Burt, deixando-o exposto caso tivesse de tomar uma decisão de fora de jogo ou canto.
Já mais tarde, Oliver cometeu o seu primeiro erro ao assinalar um livre a favor da Bélgica. Na verdade, Jeremy Doku simulou uma falta.
O cartão amarelo aos 84 minutos por agarrar o adversário, mostrado a De Bruyne, surgiu já perto do final de uma exibição muito positiva da equipa de arbitragem.
Deixo os meus parabéns a Michael Oliver e à sua equipa: Jarred Gillett (VAR), Stuart Burt (árbitro assistente 1), James Mainwaring (árbitro assistente 2), Ramon Abatti Abel (quarto árbitro) e Ivan Bebek (assistente do VAR).
Noruega - Inglaterra
Clement Turpin arbitrou o Noruega - Inglaterra e manteve os cartões no bolso durante quase todo o jogo.
Tudo correu bem até à reação exagerada de Julian Ryerson a um livre assinalado contra si, que não foi sancionada com cartão amarelo. Uma atitude destas deveria, sem dúvida, ser punida com advertência.
O toque subtil de Harry Kane perto do intervalo foi corretamente anulado por fora de jogo, tal como um golo norueguês após revisão do VAR no início da segunda parte. A reposição, segundo a nova lei, é a repetição do canto, o que também foi corretamente aplicado.
Outro bom momento de arbitragem aconteceu quando o árbitro e o seu VAR Jerome Brisard detetaram e sancionaram Jude Bellingham por procurar ganhar um livre.
Turpin ainda assinalou uma grande penalidade já perto do fim, mas o VAR interveio corretamente, determinando que se tratava de um erro claro e evidente de um árbitro que continua a demonstrar, com esta exibição, porque é um dos melhores do mundo.
Argentina - Suíça
O 100.º jogo deste Mundial, e o árbitro João Pinheiro, de Portugal, pode estar muito satisfeito com a sua atuação.
Permitiu que o jogo fluísse, mantendo uma postura discreta, embora tenha ficado sem alternativa senão mostrar cartão amarelo ao suíço Breel Embolo depois deste ter atingido Leandro Paredes.
Os jogadores da Argentina não ficaram satisfeitos com a entrada, e a temperatura do jogo subiu claramente nesse momento, obrigando o árbitro a impor a sua autoridade para garantir o controlo total da partida.
Tenho de referir que os legisladores alteraram as regras para garantir mais tempo útil de jogo, mas aquilo que ainda não fizeram foi retirar o controlo do tempo aos árbitros. O futebol precisa de introduzir um cronometrista independente para garantir que todo o tempo perdido é devidamente compensado.
Durante o tempo de compensação da primeira parte, o árbitro assinalou mão de Manuel Akanji, mas as repetições mostram, na minha opinião, que a decisão foi errada.
A tensão de ambos os lados continuou a aumentar após o intervalo, com os jogadores suíços e o banco a mostrarem desagrado pela entrada de Paredes sobre Embolo.
No entanto, uma intervenção do VAR determinou corretamente que Embolo simulou contacto para tentar enganar o árbitro, pelo que foi justamente admoestado com cartão amarelo. Como já tinha visto amarelo anteriormente, o cartão vermelho – o 14.º mostrado no torneio – surgiu de imediato.
É importante referir o protocolo do VAR neste contexto. Os cartões vermelhos resultantes de um segundo amarelo claramente incorreto são passíveis de revisão. A identidade trocada é passível de revisão quando um jogador vê cartão amarelo/vermelho, mas a infração foi cometida por outro jogador de qualquer uma das equipas.
As competições podem rever cantos claramente mal assinalados, desde que a decisão possa ser corrigida de imediato e sem atrasar a reposição. Com estas alterações recentes, a revisão para esta situação em particular terá ocorrido ao abrigo do critério de identidade trocada.
Já no final do prolongamento, Lautaro Martinez correu para junto dos adeptos após marcar o terceiro golo da Argentina, pelo que teve muita sorte em não ver cartão amarelo pela celebração.
Por que a FIFA deve ser investigada
O cartão vermelho tardio de Folarin Balogun voltou a deixar a integridade da FIFA em causa. O grande tema deste Mundial – a decisão de adiar a suspensão após ter sido expulso por uma entrada de jogo violento – corretamente julgada pelo árbitro, foi e é escandalosa.
Além disso, percebo que a decisão foi tomada por uma única pessoa — o presidente do comité, Mohammad Al Kamali, dos Emirados Árabes Unidos. Se a intervenção do Presidente Trump já não fosse um erro de julgamento suficiente, saber que nenhum dos outros 17 membros foi consultado deveria levar a uma investigação imediata à FIFA.
