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Opinião: Decisão sísmica da Premier League deixa o Manchester City numa situação delicada

Vista geral do exterior do Estádio Etihad
Vista geral do exterior do Estádio EtihadREUTERS / Hannah Mckay

A Premier League avançou com tudo: após três anos, anunciou finalmente o seu veredicto unânime de culpabilidade contra o Manchester City.

As palavras utilizadas não podiam ser mais catastróficas para o City. Entre 2009 e 2018, quebrou "sistematicamente" regras às quais se tinha comprometido. Ao longo de nove anos, mais de 900 milhões de libras (mais de um milhar de milhões de euros) entraram nos seus cofres, "disfarçados" de pagamentos de patrocínio. Isso inflacionou as suas receitas e permitiu-lhe esconder as dívidas, enquanto gastava avultadas quantias para rivalizar com os gigantes e, mais tarde, ultrapassá-los.

Richard Masters, diretor-executivo da Premier League, descreveu o histórico veredicto de 40 páginas como o "mais significativo da história da Premier League". Tem razão: é provável que isto mude tudo.

Como já foi referido no Flashscore, bem como noutros meios de comunicação social, as consequências deste caso podem ser intermináveis. Serão retirados os títulos conquistados durante esse período? O clube será excluído da Premier League? Estará o próprio futuro do clube, celebrado pelos seus adeptos há mais de um século, em sério risco de extinção?

Antes de serem aplicadas quaisquer sanções, o Manchester City vai recorrer. Após o anúncio, voltou a manifestar a sua surpresa e garantiu que continuará a lutar. O diretor-executivo Ferran Soriano sugeriu que este caso ainda terá muitos capítulos, enquanto o próprio clube afirmou possuir "provas irrefutáveis" de que não fez nada de errado.

Se essas provas existem para ilibar o clube da maior punição do futebol, onde estavam durante o inquérito de 12 semanas realizado em 2024?

Há também outro aspeto, mais preocupante, nesta saga: tudo isto terminou abruptamente em 2018 ou continuou até aos dias de hoje? Seja qual for a resposta, algo que talvez nunca venhamos a saber, o sucesso gera sucesso. Sem o título da Premier League em 2012, teria Pep Guardiola ido para o City e levado consigo o brilho da sua liderança, dominando o campeonato durante quatro anos consecutivos?

É pouco provável que este proverbial coelho saia da cartola e, caso perca mesmo o recurso, o legado do clube sob a propriedade do xeque Mansour ficará irremediavelmente manchado. Cada troféu conquistado nesse período ficará sob suspeita e o clube tornar-se-á motivo de gozo no futebol inglês. 

As equipas que defrontaram o City a nível interno e europeu terão alguma confirmação das suas suspeitas esta noite. Mas isso não lhes dá um título, nem a oportunidade de erguer o troféu ou desfilar de autocarro; dá-lhes apenas a sensação amarga daquilo que poderia ter sido. Liverpool, Arsenal e Manchester United, em Inglaterra, e o Inter, na Europa, poderiam ter vivido realidades diferentes se o passado tivesse sido outro.

A Premier League, porém, também vai caminhar sobre uma corda bamba. Haverá celebrações na sede da competição, mas a atenção depressa se voltará para a forma de impedir que o seu produto lucrativo se transforme numa anedota. A Liga permitiu que isto prosseguisse sem controlo durante quase uma década, até ao ataque informático de Rui Pinto e às notícias do Der Spiegel em 2018. 

A sua credibilidade, reforçada após o forte comunicado divulgado na noite de terça-feira, está agora por um fio. Uma punição demasiado branda e arrisca-se a deixar o City sair impune; uma punição demasiado severa e destrói o seu próprio produto. Os próximos passos têm de ser ponderados e firmes.

Não haja dúvidas: esta história ainda terá muitos capítulos. Os adeptos dos clubes rivais e aqueles que sentem prazer com a desgraça alheia estarão a celebrar esta noite, e a sua indignação não diminuirá quando o Manchester City visitar Anfield para defrontar o Liverpool no regresso da Premier League. No entanto, o futuro do futebol está verdadeiramente em jogo; o futuro do futebol inglês está na linha de fogo, e a Premier League terá de demonstrar uma liderança forte se quiser sair deste capítulo sombrio com um futuro radioso.

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