Wolves 1-1 Fulham
Com o técnico português Marco Silva no banco dos cottagers e o trio luso composto por José Sá, Rodrigo Gomes e o jovem Mateus Mané integrado no onze titular dos Wolves, a partida prometia forte sotaque português desde o apito inicial. Com apenas duas vitórias em nove jogos em todas as competições, o ambiente nos londrinos já tinha visto melhores dias, e as duas derrotas consecutivas tornavam o sonho europeu quase uma miragem a duas jornadas do fim.

Ainda assim, no papel, o lanterna-vermelha Wolves parecia o adversário ideal para regressar aos triunfos. Os cottagers estiveram perto de inaugurar o marcador cedo, quando um cruzamento de Timothy Castagne ao segundo poste encontrou Alex Iwobi, cujo remate de primeira foi travado por uma boa defesa de José Sá. Na outra baliza, Mateus Mané desferiu um remate forte que Bernd Leno sacudiu, pouco antes de um disparo rasteiro de Rodrigo Gomes passar perto da baliza. Em crescendo, o Wolves tirou proveito do seu ascendente: Hwang Hee-chan amorteceu a bola e o internacional sub-21 português Mateus Mané, à entrada da área, desferiu um remate de primeira potente, fora do alcance de Leno, para abrir o ativo.
Com o fantasma de falhar a Europa bem presente, a equipa de Marco Silva reagiu bem e ficou perto do empate por Sander Berge, que cabeceou por cima na sequência de um canto. Já em cima do intervalo, Mateus Mané cometeu um erro e fez falta sobre Castagne dentro da área. Chamado a converter, Antonee Robinson restabeleceu a igualdade, assinando apenas o seu quinto golo na carreira a nível de clubes.
No reatamento, o Wolves esteve perto de recuperar a vantagem, mas Yerson Mosquera cabeceou ao lado após um pontapé de canto. As oportunidades escassearam na segunda parte, mas os visitantes estiveram a centímetros do golo quando Hwang isolou Adam Armstrong com um passe vistoso; o avançado picou com classe sobre Leno, mas a bola bateu caprichosamente no poste.
Essa acabou por ser a última ação de relevo da partida. A especulação em torno do futuro de Marco Silva em Craven Cottage volta a intensificar-se devido ao aproximar do fim do seu contrato. Adivinha-se um final de temporada melancólico para os homens comandados pelo técnico português, cujas hipóteses de qualificação europeia são agora praticamente nulas, ocupando o 12.º posto a três pontos de distância dos lugares cimeiros. Por sua vez, o 10.º empate do Wolves na liga não chega para tirar a equipa do fundo da tabela.

Brentford 2-2 Crystal Palace
Com as contas da qualificação europeia bem presentes, os bees tiveram um início de jogo desastroso. Logo nos primeiros cinco minutos, Dango Ouattara desperdiçou uma oportunidade soberana ao rematar por cima do travessão, e o arrependimento chegou logo no minuto seguinte, quando Ismaïla Sarr foi derrubado na área por Caoimhin Kelleher, resultando em grande penalidade. O próprio internacional senegalês assumiu a cobrança e, com toda a calma, converteu o castigo máximo, igualando o recorde do clube de Andy Johnson. Sarr esteve perto de isolar-se nesse registo por volta do primeiro quarto de hora, mas o seu remate num contra-ataque rápido embateu no poste.

A avaliar pelo futebol praticado e sem olhar para a tabela classificativa, era o Palace quem parecia estar na luta pela Europa. A formação visitante voltou a acertar nos ferros pela segunda vez quando Sarr serviu Jorgen Strand Larsen, que atirou em arco ao poste mais distante. Num jogo de parada e resposta, a equipa comandada por Keith Andrews chegou ao empate antes do intervalo: na sequência de um alívio infeliz de cabeça de Jaydee Canvot, a bola ressaltou em Ouattara ao segundo poste e entrou na baliza.
Apesar do revés, o Crystal Palace não alterou a sua postura ofensiva e a pressão no início da segunda parte deu frutos imediatos. Daniel Muñoz serviu Adam Wharton à entrada da área e o médio inglês desferiu um remate forte que passou por baixo do corpo de Kelleher - este foi, curiosamente, o primeiro golo de Wharton pelo clube ao cabo de 94 jogos. Mesmo com a introdução do avançado Kevin Schade, o Brentford sentiu muitas dificuldades para criar perigo e teve de agradecer a Kelleher não ter sofrido o terceiro, com o guardião a desviar com a ponta dos dedos um cruzamento de Sarr que isolaria Jean-Philippe Mateta.
Contudo, a vida não foi fácil para o Palace na reta final, tendo ainda de lidar com uma onda de lesões no setor recuado mesmo às portas da final da Liga Conferência. A muralha defensiva acabou por ruir na sequência de um lançamento de linha lateral longo: Sepp van den Berg desviou ao primeiro poste e Ouattara apareceu ao segundo para cabecear para o fundo das redes, bisando na partida.
Este golo tardio deixa Oliver Glasner preocupado devido às mazelas físicas antes da final. Quanto ao Brentford, a corrida às competições continentais fica guardada para a última jornada, mas com apenas um triunfo nos últimos nove jogos do campeonato, a equipa está longe de estar na pole position.

Leeds 1-0 Brighton
Com a manutenção matematicamente assegurada no escalão principal, o Leeds procurava despedir-se dos seus adeptos em grande estilo nesta penúltima jornada, mas tinha pela frente um Brighton bem ciente de que uma vitória carimbaria a qualificação europeia. Sob uma atmosfera de autêntico Carnaval em Elland Road, ambas as equipas entraram a todo o gás e com sinal mais no ataque. Carlos Baleba testou os reflexos de Karl Darlow com um remate de fora da área, enquanto, na resposta, Daniel James desferiu um disparo em arco que passou a centímetros do poste.

O Brighton começou a assumir as rédeas do encontro com o aproximar do intervalo e esteve muito perto de inaugurar o marcador, mas Darlow esticou-se para negar o golo a um remate traiçoeiro de Pascal Gross. Já em cima do descanso, os visitantes apanharam um valente susto quando um mau alívio ressaltou em Lewis Dunk e quase traiu Bart Verbruggen, mas o guardião neerlandês esteve atento e sacudiu por cima da barra.
Os seagulls mantiveram a busca pelo golo no reatamento e dispuseram de soberanas oportunidades logo a abrir a segunda parte: primeiro foi Danny Welbeck a ver o seu remate ser cortado em cima da linha por um corte providencial de cabeça de Ethan Ampadu; depois, o melhor marcador da equipa cabeceou à malha lateral na sequência de um canto. Também o recém-entrado Diego Gómez apareceu solto na área após passe de Ferdi Kadıoglu, mas o remate saiu muito por cima.
O Leeds sofreu um rude golpe a pouco mais de um quarto de hora do fim, quando Anton Stach teve de sair de maca devido a lesão, e a partida parecia caminhar a passos largos para um nulo com as duas equipas a quebrarem fisicamente. Contudo, quando o empate já parecia inevitável, deu-se o golpe de teatro aos 90+6 minutos: Calvert-Lewin aproveitou um atraso terrível de Jan Paul van Hecke, contornou Verbruggen com classe e empurrou para a baliza deserta.
O triunfo alcançado no primeiro e único remate enquadrado da equipa em todo o jogo permite aos comandados de Daniel Farke ascender ao 13.º lugar. Por sua vez, o Brighton deitou tudo a perder nos descontos e fica obrigado a esperar pela última jornada da Premier League para conseguir carimbar o passaporte para as competições europeias.

Everton 1-3 Sunderland
Com as duas equipas a verem as aspirações europeias esfumarem-se devido a sequências recentes de jogos sem vencer, não foi surpresa notar uma clara falta de qualidade nos instantes iniciais. Nenhum dos conjuntos se mostrava perigoso no último terço, mas o Sunderland ia dominando a posse de bola, gerando alguma contestação nas bancadas face à falta de intensidade dos anfitriões. O primeiro remate enquadrado surgiu apenas aos 35 minutos, quando um disparo inofensivo de James Garner de longa distância foi segurado por Robin Roefs, mas o guardião neerlandês seria obrigado a uma intervenção bem mais vistosa pouco depois, ao desviar para canto um cabeceamento subtil de James Tarkowski ao primeiro poste.

Os comandados de David Moyes aumentaram a pressão com o aproximar do descanso e, momentos depois de Beto ter falhado o desvio a um cruzamento de Kiernan Dewsbury-Hall, adiantaram-se no marcador com uma boa dose de sorte. Merlin Rohl fletiu da direita para o centro e desferiu um remate rasteiro que sofreu um desvio crucial em Granit Xhaka antes de entrar. Foi o primeiro golo do alemão ao serviço da equipa.
A entrada apática do Everton na segunda parte — combinada com a maior agressividade dos visitantes — fez subir os níveis de ansiedade no estádio. E com razão: instantes após Jordan Pickford ter desviado por cima da barra um cruzamento perigoso de Trai Hume, um péssimo toque de Jake O’Brien deixou a bola nos pés de Enzo Le Fée; este serviu Brian Brobbey, que disparou forte para assinar o seu sétimo golo pelo Sunderland.
As oportunidades escassearam após a igualdade, mas a falta de convicção do Everton acabou por vir ao de cima. Uma jogada coletiva ao primeiro toque do Sunderland culminou numa assistência de Chris Rigg para Enzo Le Fée, que rematou para a reviravolta, apesar de Pickford ainda ter tocado na bola. A tarde de pesadelo de O’Brien continuou quando o seu cabeceamento à queima-roupa esbarrou no ombro de Roefs, antes de ser substituído pelo capitão Séamus Coleman, que se despede dos relvados como o jogador com mais partidas disputadas pelo clube na história da Premier League.
O veterano lateral só pôde ver o esférico cruzar toda a pequena área após um cruzamento rasteiro de Habib Diarra, encontrando Wilson Isidor ao segundo poste para empurrar e sentenciar a partida. O Everton falhou assim o triunfo no seu último jogo caseiro no campeonato. O Sunderland quebra o jejum de quatro jogos e ultrapassa o seu adversário e o Chelsea na tabela, preparando-se agora para uma última jornada de todas as decisões.

