O City foi considerado culpado de mais de 100 acusações de violação das regras financeiras da Premier League por uma comissão independente. No entanto, o clube recorreu e nega qualquer irregularidade, mas enfrenta uma sanção severa caso não consiga reverter o veredicto.
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham foi alvo de críticas pelos comentários em que afirmou que ficaria "realmente preocupado" se os proprietários do City, de Abu Dhabi, abandonassem o clube na sequência da decisão. O Governo britânico teve posteriormente de recuar, insistindo que ninguém estava "acima das regras".
Burnham, que foi presidente da Câmara da Grande Manchester entre 2017 e junho de 2026, publicou entretanto todos os seus contactos com a hierarquia do City. Contudo, o caso coloca o Governo britânico perante o delicado desafio de preservar os seus laços de longa data com os Emirados Árabes Unidos sem interferir na independência do processo disciplinar contra o City.
O proprietário do clube, o xeque Mansour bin Zayed al-Nahyan, é vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos. O Regulador do Futebol tem poderes para desqualificar e afastar proprietários de clubes e altos dirigentes, bem como para forçar a venda de clubes.
"A nossa independência é absoluta, e a minha independência pessoal é absolutamente intocável", afirmou na terça-feira David Kogan, presidente do Regulador Independente.
"Deixei muito claro, numa entrevista no ano passado, que, se (sofrermos) qualquer forma de interferência política na forma como trabalhamos, isso resultará na minha demissão deste cargo, e mantenho totalmente essa posição."
Kogan também alertou que o futebol inglês está "à beira de um desastre financeiro", apesar do crescimento das receitas. O primeiro relatório do Regulador, intitulado "Estado do Jogo", concluiu que, embora o futebol inglês tenha gerado nove mil milhões de libras (12 mil milhões de dólares) em receitas na última época, 94 por cento dos clubes dos cinco principais escalões registaram prejuízos.
Trinta e dois clubes não conseguiriam sobreviver mais de 30 dias sem financiamento dos proprietários, enquanto 17 registariam prejuízo mesmo que os seus jogadores jogassem gratuitamente. Kogan acrescentou que o futebol de clubes inglês era simultaneamente o "mais rico, melhor e mais competitivodo mundo, embora também esteja à beira de um desastre financeiro",
O relatório prevê que a dívida total do futebol inglês ultrapasse os cinco mil milhões de libras no final desta época e que a dívida líquida de transferências ronde os 3,4 mil milhões de libras.
"Todos precisam de ter em conta que nada é eterno. Neste momento, o sol está a brilhar. Entram 9 mil milhões de libras por ano. Este é precisamente o momento para resolver as questões relacionadas com a liquidez, os prejuízos e a dívida, antes de, de repente, o dinheiro começar a sair e ser demasiado tarde", afirmou Kogan.
O escândalo Manchester City
O Manchester City foi considerado culpado, a 29 de setembro, de todas acusações de incumprimento dos regulamentos financeiros da liga inglesa e da UEFA, durante o período de nove anos, entre 2009 e 2018, de acordo com a decisão da comissão independente responsável pelo caso.
E agora, o que pode acontecer na Premier League? E que recordes de deduções de pontos pode o City bater em Inglaterra? Caso sejam retirados os pontos, quem será campeão?
