Siga o Górnik Zabrze - Radomiak Radom com o Flashscore
No início de junho fará 41 anos. O campeão do mundo de 2014 ao serviço da Alemanha joga com as cores do Zabrze desde 2021 e amanhã disputará o seu último encontro.
"O plano era este ser o último ano, porque sei quanto me custa, quanto custa à minha família, que muitas vezes fica em segundo plano. Visto de fora, parece que tudo acontece facilmente, mas não é assim tão simples, há muitas questões na equipa, no clube, que exigem realmente muito esforço e trabalho", explicou Podolski após a conquista da Taça da Polónia pelo Górnik, a 2 de maio.
Nascido em Gliwice a 4 de junho de 1985, o futebolista jogou no passado, entre outros, no Bayern Munique, Inter de Milão, Galatasaray e Arsenal.
Há anos que não escondia o seu carinho pelo Górnik e prometia que terminaria a carreira no clube. Nem todos acreditaram, mas cumpriu a promessa e, em julho de 2021, os adeptos no estádio de Zabrze puderam entoar: "Cantam as cidades, cantam as aldeias, no Górnik vai jogar Lukas Podolski" durante a apresentação oficial do avançado, que pela seleção da Alemanha jogou 130 vezes e marcou 49 golos.
Na quinta-feira, finalizou a compra de 86 por cento das ações do clube da Silésia ao município. "No início, quando assinei o primeiro contrato com o Górnik (julho de 2021), não havia plano para comprar o clube. Queria jogar um ano e ver o que acontecia a seguir. Gostei não só dentro de campo, mas também fora dele. Depois comecei a montar este puzzle", explicou.
Deixou a Polónia com dois anos, iniciou a carreira profissional no Colónia aos 18. Tornou-se uma lenda do clube, e o seu jogo de despedida levou ao estádio local 50 mil adeptos. A equipa de Colónia jogou contra o Górnik, "Poldi" alinhou por ambas as equipas. No banco do Górnik sentaram-se, juntamente com Jan Urban, o selecionador campeão do mundo pela Alemanha em 2014, Joachim Loew, e o seu então adjunto Hansi Flick.

Em 2017, Podolski marcou o único golo da Alemanha frente à Inglaterra, no jogo de despedida disputado em Dortmund. Admitiu que se despediu da seleção aos 31 anos para se dedicar à família e ao futebol de clubes. Participou em sete grandes torneios.
O antigo internacional alemão é um dos três últimos jogadores que participaram no Euro-2004 e ainda estão em atividade. Esta lista ficará reduzida a dois nomes já após o jogo de amanhã. Permanecerão apenas Cristiano Ronaldo e o guarda-redes atualmente lesionado Igor Akinfiev.
Criou raízes em Zabrze
Em Zabrze, dedica-se não só ao futebol. Em maio de 2025, abriu no centro da cidade o primeiro espaço de restauração da rede de que é coproprietário, o primeiro do género na Polónia.
Participa também ativamente em causas sociais. Há anos que dirige uma fundação que apoia crianças na Alemanha e na Polónia. "É importante não desistir. É preciso ter um objetivo na vida. Não se trata apenas de ajuda financeira, mas também de conversar. Isso é importante e necessário. Nem toda a gente tem uma vida fácil, nem todos têm um bom emprego. Não sou daquelas pessoas que vêm, tiram uma foto para as redes sociais e pronto. Quando vejo que é preciso ajudar, estou disponível. Sei que é difícil sair sozinho de uma situação complicada", disse durante um encontro com antigos reclusos, apoiados pela fundação Pomost de Zabrze.
Não escondeu que o início da sua carreira não foi fácil. "Aprendi a jogar em condições difíceis, nas ruas. É aí que começa o futebol, não nos clubes ou academias. Muitas vezes voltava para casa com os joelhos esfolados e ainda hoje é assim", recordou ao inaugurar os campos de betão construídos pela Bundesliga num dos bairros de Zabrze.
Referiu que, quando vinha à Polónia em criança, a mãe não lhe queria comprar a camisola original do Górnik, porque era demasiado cara.
Lembrou que, em criança, em Colónia, recolhia copos no estádio para ganhar algum dinheiro. "Ficava feliz quando tinha dinheiro para ir até Colónia, porque morávamos perto. Todos os dias, na rua ou no campo, jogávamos futebol com crianças de vários países. Isso ensinou-me carácter, a lutar no um contra um. Hoje já não se pode jogar na rua, os tempos mudaram. Sinto-me feliz por ter vivido essa época. Talvez, se o treinador Marcel Koller não me tivesse reparado num treino ou num jogo de juniores, não tivesse telefonado a convidar-me para o escritório, não me tivesse levado para o estágio, o meu caminho teria sido diferente. É preciso estar preparado para aproveitar a oportunidade. Eu estive", sublinhou o autor de 49 golos pela seleção da Alemanha em 130 jogos.
Na sua opinião, o segredo da "longevidade" futebolística está na qualidade, experiência e atitude certa.
"Eu adoro isto, quero sempre ganhar, mesmo num treino. Quando se é jogador, ganha-se dinheiro, é preciso fazer o que o treinador manda. Cada um é responsável por si, sabe como se preparar para o jogo, para dar cem por cento em campo", referiu. "De um menino polaco de dois anos, que foi para a Alemanha com pouco mais do que uma bola debaixo do braço, a campeão do mundo – é mais do que alguma vez sonhei", disse após a vitória no Mundial do Brasil em 2014.
