Naquele momento, tudo apontava para uma saída. Ganso tinha perdido espaço com Luis Zubeldía, acumulava poucas oportunidades no campeonato e já não parecia fazer parte dos principais planos da equipa técnica. O episódio aumentou o desgaste, embora não tenha provocado uma ruptura entre o médio e o treinador.
A decisão, segundo o clube, era para que Ganso tivesse tranquilidade para definir o seu futuro. Pessoas próximas do jogador consideraram o comunicado desnecessário, já que as conversas ainda não estavam avançadas.
O mundo dá voltas...
Quase três meses depois, o roteiro mudou completamente. Ganso foi reintegrado, voltou a ganhar oportunidades e encontrou espaço justamente num momento de mudança no comando. Com Marcão, agora confirmado até ao final do ano, o camisola 10 passou a ser titular e começou a responder dentro de campo.

O primeiro sinal apareceu ainda com Zubeldía, na vitória sobre o Botafogo, quando o Fluminense utilizou uma equipa alternativa. Ganso jogou bem e voltou a chamar à atenção. Depois, com Lucho Acosta em queda de rendimento após a pausa para o Mundial-2026, a oportunidade cresceu.
E Ganso aproveitou. Nos três jogos sob o comando de Marcão, o médio ganhou continuidade e apresentou um rendimento muito diferente daquele que era questionado pelos adeptos.
Como está o desempenho?
A transformação também aparece nas notas Flashscore. Sob o comando de Zubeldía, considerando 2026 e excluindo o Carioca, Ganso teve média de 6,6. Com Marcão, subiu para 7,8 contra o Palmeiras, 6,6 diante do Independiente Rivadavia e 7,9 contra o Remo, a melhor avaliação neste período. Mesmo contra os argentinos, quando a nota não foi alta, o médio teve participações importante durante a partida.

Diante do Remo, Ganso foi novamente importante na construção das jogadas e no controlo do meio-campo. A exibição refletiu-se nos números: foram três passes decisivos, 29 passes certos em 34 tentativas no terço final e 15 em 17 passes para o terço final, além de três desarmes em três tentativas, cinco recuperações de posse, quatro duelos vencidos em sete disputados e um remate ao alvo.

Contra o Palmeiras, apesar de ter jogado apenas 69 minutos, Ganso foi, segundo a Opta, o terceiro jogador mais participativo do Fluminense, com 65 ações com bola (78 de Guga, 77 de Renê).
Ganso tem contrato com o Fluminense até ao fim do ano e ainda tem que sustentar o bom momento no longo prazo para mostrar que pode ser útil à equipa e, eventualmente, conquistar uma renovação. Se há alguns meses a saída parecia uma certeza, o cenário mudou: agora, o futuro do camisola 10 virou um ponto de interrogação nas Laranjeiras.
