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Fàbregas abre o livro: a sua filosofia, o êxito do Como e a polémica com os italianos

Cesc Fàbregas
Cesc FàbregasREUTERS/Daniele Mascolo

O treinador do Como, convidado no Festival do Desporto de Trento, deixou várias declarações significativas: desde a sua ideia de jogo ao mercado e ao crescimento dos jogadores.

"É possível jogar bem de muitas, de muitíssimas maneiras. O importante é fazê-lo com uma convicção enorme na nossa ideia. Mas eu, antes de preparar cada jogo, faço sempre uma pergunta que para mim é fundamental: como quero perder? Essa é a minha pergunta. Quero perder dessa forma porque, se os outros forem melhores, pelo menos vou para casa a saber que joguei com a minha ideia, com a nossa identidade, com o nosso jogo, e que perdi dessa maneira. Porque, se fores a jogo e perderes de uma forma que não querias ou em que não acreditas, a derrota é dupla".

Foi assim que o explicou o treinador do Como, Cesc Fàbregas (39 anos), no Festival do Desporto de Trento. Aí, contou como funciona o processo de seleção de um jogador. "É longuíssimo. Não sei quantas reuniões temos durante a época, tentamos sempre antecipar-nos seis meses. Vejo de que perfil preciso, para onde vai a equipa, como será o Como num futuro próximo e onde temos de melhorar. São passos que estamos a dar muito rapidamente".

Classificação atual do Como na Serie A
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Sobre o mercado, Cesc recordou que a direção "fez 31 operações entre entradas e saídas. Isso significa que, a cada seis meses, há 15 contratações ou saídas. E isso, para um clube, especialmente para uma equipa técnica e um treinador, não é fácil de gerir. Sim, faz-te crescer mais depressa, mas existe um risco enorme, porque talvez quatro ou cinco jogadores não tenham experiência e disponham de pouco tempo para se adaptarem à dinâmica da equipa". 

A alquimia do Como

"No Como temos uma visão, uma ideia clara. Respeitamos o trabalho que cada um faz, há muitíssimas pessoas em quem confio plenamente e que confiam em mim, e acredito que toda esta união — vejo futebol e falo com pessoas por todo o lado — não existe em nenhum outro lugar. Agora prefiro crescer aqui e valorizar estes jogadores que, para mim e para o clube, são o mais importante para construir uma identidade".

Foi assim que o treinador do Como explicou a situação, ao comentar os contactos que manteve no passado com outros clubes, entre eles o Inter, que o queria no banco.

"Sou uma pessoa muito reflexiva, no sentido de que analiso muito as coisas. Sei que, no final da carreira, o melhor treinador é avaliado pelos troféus que ganhou, e é justo que assim seja. Mas, por exemplo, ao falar de Lucas da Cunha, para mim é mais uma vitória como treinador do que ganhar um troféu específico. Muitos jovens vieram para o Como por minha causa, e não digo isto com arrogância. Confiaram em mim", declarou Fàbregas. 

A relação com os jogadores italianos

"Ganhámos a Serie B e conseguimos a promoção com 95% de jogadores italianos, esse é o primeiro ponto. Na primeira época na Serie A, posso mencionar Baselli, Verdi, Cerri, Goldaniga, Sala, Belloti, Cutrone e poderia continuar. Terminámos em décimo. É uma pena que, nesta última época, à exceção do Edo (Goldaniga), possamos dizer que tivemos zero, está bem? Tudo bem, mas não se deve avaliar um clube, uma equipa técnica, um presidente ou uma entidade por uma única época".

Último onze do Como, sem italianos
Último onze do Como, sem italianosFlashscore

Foi assim que Cesc Fàbregas se pronunciou ao falar do número de jogadores italianos no Como e do facto de não faltarem jogadores italianos de que gosta.

"Fagioli, muito bom; Tonali, muito bom; Esposito, muito bom. Mas eles também jogam em equipas muito fortes. Se pudermos contratá-los, contratamo-los, mas estamos a criar uma cultura, uma ideia, um modelo. Hoje temos três jogadores italianos nos sub-16, três nos sub-17, três nos sub-18, três nos sub-19, um nos sub-21 e dois na equipa principal. Pouco a pouco, vamos avançando, estamos a trabalhar e a construir com base na nossa ideia, na esperança de que possam chegar à equipa principal e de sermos nós a formá-los".

"Isso não significa que não haja italianos fortes que possam jogar connosco. Claro que há, mas é preciso trabalhar, construir e acreditar. Temos, por exemplo, Mattia Liberali, que é um grande exemplo. Quando falei com ele, fui muito claro: não te contratámos por seres italiano, mas porque gosto muito da forma como jogas, gosto muito da tua personalidade, do teu carácter e da tua qualidade", acrescentou Cesc Fàbregas. 

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