Depois de sete épocas ao serviço dos rossoneri (duas delas a terminar com números de dois dígitos no campeonato) e apenas dois títulos conquistados (um Scudetto e uma Supertaça italiana), é perfeitamente legítimo o desejo de Rafael Leão de mudar de ares, manifestado num vídeo recente gravado em Portugal e independentemente de quem venha a ser o novo treinador do Milan.
A isto junta-se ainda a relação de amor-ódio criada nos últimos anos com os adeptos rossoneri, que (demasiadas) vezes lhe atribuíram culpas pelos repetidos fracassos do clube nos últimos anos, tornando-o quase num bode expiatório pela falta de sucesso.
Mais do que o rendimento do português, o que esteve no centro das críticas dos adeptos foi a sua postura em campo: as principais acusações recaíram quase sempre sobre a sua atitude e aparente apatia, por parecer pouco envolvido no destino da sua equipa e por não ter conseguido assumir-se como líder nos momentos decisivos.

Momento perfeito para dizer adeus
O verão de 2026 poderá ser o da retoma após uma época claramente negativa, marcada por lesões e pouca influência: não é certamente por culpa de Leão que o Milan não alcançou o quarto lugar, mas a sensação é que tanto os rossoneri como o português precisam de uma separação para recomeçar.
E o Mundial surge na altura certa: para o ex-Lille será uma montra importante, ainda que a sua titularidade na seleção esteja longe de ser garantida, dada a concorrência no ataque luso.
Além disso, existe o risco de, tendo em conta o contrato a terminar em 2028, adiar a saída dificilmente ser vantajoso para ambas as partes, sendo que só agora o Milan poderá encaixar com a sua transferência.
As hipóteses para o próximo destino
Apesar de o futebol de Allegri não lhe ter sido nada favorável, Leão não está assim tão longe da sua melhor versão e, prestes a completar 27 anos (faz anos a 10 de junho), é um jogador perfeitamente capaz de reencontrar-se.
Obviamente, é preciso o projeto certo para valorizar as suas qualidades e recuperar a confiança, sobretudo a nível mental, voltando a acreditar nas suas capacidades num campeonato novo e desafiante.
No entanto, neste momento, não é fácil encontrar um destino que se adeque, partindo do princípio que existam clubes dispostos a pagar pelo seu passe: a sensação é que, com uma proposta de 40-50 milhões de euros, o Milan poderá dar luz verde à saída para o satisfazer e encaixar de imediato.
Apesar de a elite do futebol europeu poder ser o habitat perfeito para florescer o futebol explosivo do jogador de 26 anos, com as suas arrancadas em velocidade e a sua tendência para jogar em espaços abertos sem a obsessão pela fase defensiva, é difícil imaginar que um grande clube aposte nele de forma decidida.
Até porque todas as grandes equipas da Europa – assumindo que Leão tem em mente deixar a Serie A e voltar a jogar a Liga dos Campeões – já contam com alguém de confiança para o lado esquerdo do ataque.
Europa ou Oriente?
De momento, não há rumores concretos, visto que passaram apenas algumas horas desde o anúncio da vontade de mudar de ares. Mas o que se pode deduzir é que o português, por exemplo, teria dificuldades em impor-se nos onzes de Barcelona (onde estão Raphinha e o recém-chegado Gordon), Real Madrid (Vinicius Jr. e Mbappé), PSG (Kvaratskhelia e Barcola) e Bayern Munique (Diaz).
Não se pode excluir totalmente que Manchester City e Liverpool, duas equipas que vão mudar de treinador no verão, possam ponderar a sua contratação, tal como o Manchester United, que regressou ao top quatro, enquanto é menos provável que os seus próximos destinos sejam o Arsenal, o Atlético de Madrid ou mesmo o seu antigo clube, o Sporting.
Parece, isso sim, bem mais provável que os dois principais clubes de Istambul, Galatasaray e Fenerbahçe, tentem contratá-lo com insistência, desencadeando mais um leilão à distância.
Se, por outro lado, Leão quiser afastar-se do velho futebol, é mais fácil imaginar uma mudança para a Arábia Saudita, onde o Al Hilal poderá concluir o namoro iniciado há meses e nunca concretizado.
