Há lágrimas que permanecem no tempo, suspensas, à espera de serem enxugadas. São as de um menino neerlandês que, há três anos, não conseguia aceitar uma despedida. "Eu não quero outro, eu quero o Sam Beukema".
A voz embargada, o coração partido de quem, naquela idade, ainda não conhece as lógicas do mercado, das transferências, das carreiras que mudam de rumo. Conhece apenas o carinho, puro e absoluto, pelo seu ídolo. Esse menino chama-se Thijs. E hoje, em Dimaro, entre as montanhas do estágio dos azzurri, reencontrou aquilo que pensava ter perdido para sempre.

Reencontro
Não foi um encontro ao acaso. Foi uma viagem, uma escolha, um gesto de amor que só a infância sabe guardar com tanta teimosia: duas horas de carro, roubadas às férias, para passar alguns minutos junto do seu herói. Juntamente com o irmão Noud, com um cartaz apertado nas mãos e a camisola do Nápoles vestida, já não a do AZ, mas o coração, esse, nunca muda de equipa quando se trata de uma pessoa.
E Sam Beukema, o homem que três anos antes tinha provocado lágrimas sem querer, hoje decidiu retribuir com algo ainda maior: tempo, palavras, um sorriso para as fotografias e, por fim, a sua camisola de treino, suada, autêntica, colocada nas mãos de dois irmãos que a guardarão como uma relíquia.
O futebol, por vezes, resume-se a isto: não aos golos, não aos troféus, mas a um menino que espera, que chora, que não desiste e a um jogador que, sem saber, lhe devolve a confiança que o mundo, por vezes, tira depressa demais.
