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Noite sem balizas: O triplo 0-0 na Taça do Brasil é um feito quase inédito

Gabigol falhou uma grande oportunidade
Gabigol falhou uma grande oportunidadeJOTA ERRE / AGIF / AGIF VIA AFP

O sábado de Taça do Brasil foi da empolgação pelo início dos oitavos de final a uma experiência matemática quase improvável. O adepto fez a sua parte. Gritou, empurrou e, no fim, sofreu. Os atacantes de Vasco. Fluminense, Atlético-MG, Juventude, Santos e Remo ficaram em branco. Todos os jogos terminaram com o mesmo resultado: 0-0.

Numa competição marcada por surpresas, goleadas e reviiravoltas dramáticas, registar três empates sem golos no mesmo dia dos oitavos de final é um evento estatístico raríssimo.

O 0-0 não é um resultado pouco comum na Taça do Brasil. Pelo contrário. Historicamente, o resultado responde por cerca de 13% das partidas da competição, ou seja, aproximadamente uma a cada oito partidas do torneio termina sem golos.

Porém, a probabilidade de ocorrerem três 0-0 na mesma noite, numa fase avançada do torneio, é inferior a 0,5%. Com os três 0-0 registados na madrugada deste domingo, a Taça do Brasil 2026 chegou a 16 partidas com este resultado em 123 jogos disputados.

A marca representa 13,01% do total e mantém a competição praticamente alinhada à média histórica, também próxima de 13%. Mas será que a sequência incomum desta ronda revela outras características destes confrontos eliminatórios?

Bernard e o Atlético-MG foram vaiados
Bernard e o Atlético-MG foram vaiadosPedro Souza / Atlético

Xadrez nos relvados

Sem a regra do goloo fora de casa, a dinâmica dos primeiros 90 minutos dos oitavos de final mudou. A prioridade de anfitriões e visitantes neste sábado foi clara, mas, mais do que o receio de sofrer, o que marcou os confrontos foi a falta de eficácia ofensiva. Em dois dos três jogos - com exceção do clássico carioca -, foram cinco bolas na trave no total.

No Maracanã, Vasco e Fluminense jogaram um clássico estudado, com pouquíssimas oportunidades claras. Das 18 finalizações, apenas três foram no alvo, e o Vasco criou a única grande oportunidade da partida. Nos números de golos esperados (xG), o Cruz-maltino registou 0,33, enquanto o Tricolor chegou a 0,66.

Na Arena MRV, o Atlético-MG esbarrou na forte marcação do Juventude, que impediu a aceleração dos donos da casa e levou a decisão em aberto para o Sul. A equipa gaúcha acertou 10 dos 12 desarmes que tentou, com 83% de aproveitamento, além de somar 23 alívios e 11 interceções, números superiores aos registados pelo rival mineiro.

Já na Vila Belmiro, o Santos pressionou, mas encontrou um Remo organizado e confortável na proteção da própria área. O Peixe teve 32 toques no setor ofensivo adversário, com 14 das 19 finalizações a serem dentro da área. Gabigol chegou a balançar as redes, mas o golo foi anulado. O camisola 9 também desperdiçou uma oportunidade inacreditável ainda no primeiro tempo.

O prémio de consolação: a promessa da segunda mão

Se o sábado testou a paciência de quem pagou bilhete para ver golos, a boa notícia é que a jornada da segunda mão promete o exato oposto. Como nenhum dos seis clubes construiu vantagem, a pressão de procura o resultado nos 90 minutos finais será redobrada,  sob o risco de a vaga ser decidida na lotaria dos penáltis.